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Um grande pacto para superar o pesadelo Bolsonaro, por Helcio Albano


A urgência do novo coronavírus, e com ele a pandemia covid-19, ferem de morte o neoliberalismo e põe em xeque (mate?) a própria lógica de funcionamento capitalista.


A economia de todos os países parou ou está parando, o que significa recessão na veia, quiçá! depressão econômica, em níveis que podem ser ainda piores dos que os do Crash da Bolsa de Nova York em 1929.


A crise lá atrás, devastadora, só seria superada após a adoção do New Deal, entre 1933 e 1937, pelo presidente Franklin D. Roosevelt, seguindo as ideias, até hoje heterodoxas, do economista britânico John Maynard Keynes, quando o Estado passou a ser o principal indutor da Economia através de, principalmente, investimentos públicos pesados em infraestrutura.


Ou seja, nada de "Estado mínimo", o mantra do neoliberalismo que não deixará saudades e que não deve estar num bom lugar.


No Brasil e no mundo, economistas, empresários, políticos, ativistas de A a Z, debatem a melhor forma de sair dessa crise econômica e sanitária, que só tem paralelo quando se olha para duas crises distintas de natureza e de tempo, a já citada de 1929 e a de 1918, quando a gripe espanhola ceifou, não se espante, de 50 a 100 milhões de pessoas.


Dois super-mega-eventos fundidos num só agora. Daí vê-se o tamanho do problema e do perigo.


Na parte sanitária, a experiência chinesa em impor quarentenas e isolamento social, no sentido de brecar a circulação do patógeno, se mostrou acertada e vem sendo replicada na quase totalidade dos países, porém, ao custo da paralisação quase-que total de suas economias.


Na China, o tal "achatamento da curva" de transmissão do novo coronavírus e de mortes pelo covid-19 se deu após três meses de quarentena na cidade de Wuhan, centro industrial do país. O "apagão" econômico fez a produção da indústria desabar 13,5% e os impactos no PIB da segunda maior potência do planeta nesse e nos próximos anos ainda são desconhecidos - mas já se sabe sombrios.


Usando sempre como parâmetro a China, os países europeus e os EUA já precificaram a tragédia, e resolveram atravessar a tormenta adotando duas medidas radicais à la Keynes: bancar o salário dos trabalhadores, formais e autônomos, para manter a demanda, e subsidiar as empresas. Algumas até sendo estatizadas, como foi o caso da Alitália e de hospitais espanhóis.


Nos EUA foi instituído uma renda básica para todos os cidadãos americanos no valor de até 2 mil dólares. E o FED (o Banco Central de lá) deve injetar U$ 2 trilhões de dólares na economia para manter a liquidez de bancos e empresas, além de garantir o fornecimento de suprimentos para os hospitais.


E no Brasil?


No Brasil de Bolsonaro e Paulo Guedes, que chegaram a publicar na domingo (22) uma medida provisória pornográfica contra os trabalhadores - "revogada" na manhã seguinte - algumas propostas amadurecem e ganham corpo.


Há algumas semanas a economista Monica de Bolle puxa o debate no Twitter com algumas propostas que causaram estranheza à turma liberal fiscalista e/ou austericida, como a criação de renda básica emergencial para todos os brasileiros incluídos na base de dados do Cadastro Único (CadÚnico), ampliação do Bolsa Família, fim do teto de gastos e apoio financeiro a empresas a partir de uma série de medidas, que incluem taxação de grandes fortunas, dos super-salários e penduricalhos do funcionalismo e até emissão de moeda no curto prazo.


O que faz todo sentido num ambiente de pouquíssima demanda e inflação baixa.


As propostas da carioca De Bolle foram, surpreendentemente, bem recebidas por economistas liberais e até financistas, como Armínio Fraga, que admitiu, em entrevista ao Roda Viva da TV Cultura na segunda (23), que a única saída para combater a crise é via Estado.


O que dá toda a pinta de que um grande acordo ou pacto nacional está sendo costurado em alternativa ao pesadelo Bolsonaro.


É realmente o fim de uma era.


E o início de outra que, espero, seja mais fraterna.


Não esta, genocida que Bolsonaro oferece aos brasileiros.


Prioridade é a vida.

Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.



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