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Um prato que se come frio, por Paulinho Freitas

SÃO GONÇALO DE AFETOS

Num domingo acordei cedo, coloquei o uniforme do time na mochila e parti para o futebol, ela queria que eu fosse à feira, depois a levasse a praia, almoçar a beira mar e passar à tarde no mirante aguardando o por do sol.


Coitada! Ficou esperando. Cheguei depois do almoço, já havia bebido umas cervejas e tirado um gosto com a rapaziada. Ela, emburrada jurou vingança, ficou na sala vendo televisão, tomei banho e fui pro quarto, era jogo do Vascão.


Ela veio, desligou o aparelho na tomada e pulou em cima de mim, começamos a nos beijar, o jogo começa, ela me rasga a roupa e eu rasgo a roupa dela, o amor é insano, o português vizinho grita: Goooooolllll! É do Vasco!


Fico mais intenso, ela se retrai, puxo seus cabelos, ela crava as unhas nas minhas costas, o português nada mais fala, o Vasco está na frente e eu cada vez amando mais. Caímos exauridos lado a lado, ela desfalecida e eu o macho voraz. Levanto, ligo a TV, a imagem aparece, o Vaco perdeu, meu corpo emudece, deito, viro pro lado e choro, ela alisa meu cabelo e me conforta, pelo espelho vejo seu rosto sorrindo o sorriso da vingança...


Ela é Flamengo.

Paulinho Freitas é cantor, compositor, sambista e escritor.




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