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Verdade Oculta, por Rafael Abreu


Hospital de campanha sendo construído no Clube Mauá a um custo de R$ 45 milhões/Foto: Divulgação

Que o Brasil é o país do carnaval e do futebol, isso todo o mundo já sabe. Mas além desses esteriótipos, o nosso país também é conhecido mundialmente pela corrupção, ou pela forma que lidamos com ela, tendo em vista que ela existe em vários países do mundo. Contudo, por aqui, algumas práticas corruptas são perfeitamente aceitáveis e vistas como naturais e outras que consideramos inaceitáveis, ficam impunes e imunes aos olhos da nossa cega justiça, que é paga para não ver.


Atrelado a isso, temos o nosso cultural e vergonhoso "jeitinho brasileiro".


Quando eu era criança, me recordo de ter ouvido essa expressão por diversas vezes, em situações distintas e com aplicação direta.


Naquela época, eu não fazia ideia do que era isso de "jeitinho brasileiro", na minha concepção juvenil, tinha a ver com a nossa ginga, nossa malemolência e toda nossa habilidade com a bola nos pés, mas na prática eu percebi que não era bem isso.


Quando alguém diz que vai dar um jeitinho, geralmente ele vai fazer uma gambiarra, ou algo improvisado. Também se aplica quando alguém vai dar uma de "malandro", ou desrespeitar as leis e as regras locais.


O nosso jeitinho brasileiro de ser, está muito ligado a nossa cultura de escassez e sobrevivência.


Mas a corrupção por aqui ela é endêmica e sistêmica.

Endêmica por que tem essa nossa cultura do jeitinho brasileiro que é toda nossa e Sistêmica por que já tomou conta de todas as nossas instituições, sejam elas privadas ou públicas, a corrupção está presente no seu dia a dia de diversas formas. Desde as mais clássicas como o tradicional cafezinho pro agente da lei, fingiu que nem te viu, até as mais complexas, como superfaturamento de licitações, empresas laranjas e funcionários fantasmas.

É muito difícil, eu diria até quase um fato raro, você encontrar alguma obra por esse país, que não tenha sido superfaturada.


Virou algo natural e aceitável pelo povo. 


Todo mundo sabe que houve, mas ninguém se revolta.

Com essa pandemia em curso no Brasil, muitos governantes decretaram Estado de Calamidade. Isso com o objetivo de agilizar a contratação e os investimentos na aplicação daquele problema. E é nesse momento, que os brasileiros "espertos", "malandros", gostam de tirar proveito e superfaturar as licitações.

Por exemplo... há uma discrepância muito grande, além de total falta de transparência nas construções desses hospitais de campanha pelo país.


O Governo do Estado de Goiás, estima gastar R$ 10 milhões em uma unidade com 200 leitos. Fortaleza, por sua vez, espera gastar R$ 4 milhões com uma unidade de 204 leitos.

Já a unidade que está sendo construída no Rio, para atender 220 leitos, terá custo de R$ 45 milhões. Em São Paulo, apenas com a montagem dos complexos dos hospitais de campanha do Anhembi e Pacaembu, o Governo do Estado investiu cerca de R$ 35 milhões. Já a unidade em Itajaí, em Santa Catarina, custará mais de R$ 76 milhões aos cofres públicos e terá 100 leitos de Unidade de Terapia Intensiva.

Alguns custaram R$4 milhões, outros R$ 45 milhões e outros podem custar até R$90 milhões de reais, como é o caso do município de São Gonçalo no RJ.


Cabe a população, o Parlamento, o Ministério Público e os Tribunais de Conta ficarem atentos e fiscalizar a aplicação desses recursos, para que não haja evasão do dinheiro público.

Mas na realidade, acabamos nos acostumamos com o cheiro do cadáver na sala.


O cheiro do ralo com o passar do tempo, passa a não incomodar mais e se torna até um aroma natural da nossa essência enquanto sociedade civilizada.

O ser humano se acostuma com tudo. Nos acostumamos com a violência, com a falta de saneamento básico, com a falta de educação do povo, com a falta de saúde para o povo, assim como também nos acostumamos com a corrupção em todas as esferas da nossa sociedade.

É duro e triste ter que admitir isso, mas a verdade é que vivemos em uma sociedade hipócrita e demagoga, que não possui valores morais e nem éticos.


Uma sociedade que vive de aparências, conchavos e gambiarras.


Uma sociedade que se acostumou a roubar e a ser roubada.


Uma sociedade que é o reflexo dos seus governantes que vivem de gambiarras e sempre dando um jeitinho, mas nunca resolvem o problema.

Eu sou Rafael Abreu, colunista Daki.

Rafael Abreu escreve todas as semana para o Jornal Daki.



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