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Quais são os riscos que as festas ainda representam em meio à pandemia de covid-19?

Número de casos mais que dobrou na última semana epidemiológica


Foto: Emmanuel Croset /AFP
Foto: Emmanuel Croset /AFP

Brasil de Fato - Os riscos de infecção de covid-19 ainda são altos em ambientes de aglomeração e sem proteção.


Depois da terceira semana epidemiológica seguida de queda do número de casos confirmados de covid19, a última semana epidemiológica, do dia 26 de dezembro de 2021 a 1º de janeiro de 2022, registrou mais que o dobro de casos em relação à última.


Foram 56.881 infectados diante de 22.283 registrados na semana anterior, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).


Dois eventos estão atrelados ao aumento: a circulação da variante ômicron em território brasileiro e a realização de festas de fim de ano.


Nas duas últimas semanas de dezembro, em São Paulo, que concentra o maior número de casos e óbitos do país, a quantidade de internações por covid-19 voltou a crescer.


Segundo o Instituto Butantan, a presença da variante ômicron aumentou 12 vezes em sete dias.




Mais transmissível - De acordo com especialistas, a variante tem se mostrado, ainda que menos letal do que as anteriores, mais transmissível, o que eleva o nível de preocupação com as festas de fim de ano e o Carnaval.


Segundo Hélio Bacha, médico do Hospital Albert Einstein e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), as próximas semanas devem registrar um aumento ainda maior no número de casos.


"A nova versão do SARS-CoV-2 é a variante com altíssima capacidade de difusão através de infecção de outras pessoas", afirma.


Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Hong Kong (HKUMed, na sigla em inglês), divulgado no começo da segunda quinzena de dezembro, mostrou que a ômicron se multiplica 70 vezes mais rápido nos brônquios do que as outras cepas.


Ao mesmo tempo,“nós convivemos com uma com uma nova variante da gripe, que é a influenza H3N2, que tem sido bastante importante no número de casos. Se continuar com esses festejos todos, a nossa condição vai ser de piora”, alerta.



Momento é de prudência - “Não adianta não ter Carnaval se nós temos um carnaval todo dia. Nós temos tido um carnaval nas praias", alerta Bacha.


"Em São Paulo, as praias e os restaurantes estão hiper lotados, com o não uso adequado de máscaras. As nossas recomendações parecem abolidas pelo término da pandemia, o que não aconteceu.”


Para o infectologista, portanto, o momento continua a ser de prudência. “A prudência é agora até pra mantermos as nossas atividades, para mantermos algum grau de economia essencial funcionando. Quando a situação perde o controle, nós temos aí tem uma regressão importante”.




“Nós temos uma variante e isso nos faz ver que ainda a guerra não acabou, a pandemia continua, com roupas novas. Nós temos que fazer um apelo para que as autoridades tenham mínimo de compreensão do momento em que vivemos”, afirma.


Bacha reconhece que a situação atual do país não é a mesma de meses anteriores, como março e abril, com a explosão do número de casos e mortes. “A nossa condição hoje não é a mesma do começo do ano. Nós podemos ter atividades, mas temos que ter limites dessas atividades para que possam continuar.”