Quando a Política Esquece o Povo
- Jornal Daki

- 18 de jun.
- 2 min de leitura
Mira Pimentel

Há momentos em que a política deixa de ser um instrumento de construção e passa a ocupar o espaço da discórdia permanente. O Brasil vive um desses momentos. Enquanto milhões de brasileiros acordam preocupados com o preço dos alimentos, com o emprego, com a qualidade da saúde pública, da educação e da segurança, parte da classe política continua alimentando uma guerra que parece não ter fim.
As recentes movimentações da família Bolsonaro nos Estados Unidos, buscando apoio internacional para pressionar o governo brasileiro, abriram mais um capítulo dessa disputa. Independentemente da posição política de cada cidadão, é inevitável perguntar: quem ganha quando o Brasil é colocado no centro de um conflito que ultrapassa nossas fronteiras?
A democracia foi construída para conviver com diferenças. Direita e esquerda não são inimigas por definição. São correntes de pensamento que enxergam caminhos diferentes para enfrentar problemas semelhantes.
De maneira bastante simples, a direita costuma defender menor intervenção do Estado na economia, maior liberdade para a iniciativa privada, responsabilidade fiscal e valores mais conservadores em diversas pautas sociais. Já a esquerda, tradicionalmente, defende maior participação do Estado na redução das desigualdades, investimentos em políticas públicas, programas sociais, incentivo à cultura e proteção dos grupos mais vulneráveis.
Nenhuma dessas visões deveria ser tratada como crime. Ambas encontram espaço na democracia e se legitimam pelo voto popular. Quem decide é o eleitor, não o grito mais alto.
Em um regime democrático, governos chegam e governos partem. São quatro anos para administrar o país. Se a população entender que o governo cumpriu sua missão, renova-se a confiança nas urnas. Se entender que falhou, escolhe outro caminho. É justamente essa alternância que fortalece a democracia.
A Justiça também possui um papel fundamental nesse processo. Decisões judiciais podem ser criticadas pelos meios legais previstos, mas não ignoradas simplesmente porque contrariam interesses políticos. O respeito às instituições é uma das bases da convivência democrática.
O governo atual afirma ter como prioridades políticas voltadas ao combate à fome, programas sociais, incentivo à cultura e inclusão de parcelas historicamente excluídas da população. Como qualquer governo, enfrenta desafios econômicos, limitações orçamentárias e críticas de seus adversários. Cabe aos cidadãos avaliar seus resultados ao final do mandato.
O que não fortalece o Brasil é transformar divergências ideológicas em guerra permanente. Nenhum país cresce quando seus representantes gastam mais energia tentando derrotar adversários do que resolvendo os problemas da população.
A democracia não precisa de heróis nem de inimigos eternos. Precisa de cidadãos atentos, de instituições respeitadas e de políticos que compreendam que o verdadeiro mandato pertence ao povo.
No fim das contas, a pergunta permanece simples e poderosa: estamos votando por paixão partidária ou pelo futuro do Brasil?
Talvez tenha chegado a hora de aprendermos a votar menos contra alguém e mais a favor de nós mesmos.
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Mira Pimentel é cronista.








































































Parabéns mais uma vez. O problema é mostrado, mas a solução,,que é possível, não vem ou são ignoradas. Que mais gente leia e discuta o assunto para vermos o povo mais acolhido.