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Questão de justeza: ainda sobre o prefeito Egylio Justi - por Erick Bernardes


Fotos: Helena Corrêa
Fotos: Helena Corrêa

O leitor já conhece a estratégia de dar continuidade a temáticas que parecem mal amarradas em nossas crônicas de domingo. Justamente, exemplo de um desses assuntos é a história sobre o ex-prefeito folião de SG, o senhor Egylio Justi. E é de novo sobre ele que iremos falar agora.


Embora em nosso texto de algumas semanas passadas tenhamos narrado mais as fanfarronices desse personagem do que seu aspecto histórico, é logico que, por se tratar de um figura de renome, a biografia desse figurão também nos interessa. Nada mais justo. Justíssimo.


Egylio Justi veio ao mundo em 18 de setembro de 1913, em São Gonçalo. Casou-se com Marilda Pereira Justi e teve um casal de filhos. Estudou no antigo primário na Escola de Santa Isabel, em São Gonçalo, e o ginasial e o ensino médio no Colégio Brasil, em Niterói. Formou-se em Bacharel pela Faculdade de Direito de Niterói. De acordo com Jorge Nunes: ele foi “nomeado prefeito em seis de abril de 1946, pelo interventor federal Lúcio Martins Meira, governou até 22 de dezembro seguinte. Candidato a prefeito pelo Partido Social Democrático (PSD), na eleição de 28 de setembro de 1947, é eleito com 5346 votos [...] até 31 de janeiro de 1951” (p. 53, 2012). Faleceu em sua casa mesmo em Niterói, em 24 de junho de 1992, tendo sido sepultado no Barreto. Há inclusive uma rua em São Gonçalo com seu nome, mais especificamente no bairro do Rocha.



Dizem que esse ex-prefeito foi quem levou energia elétrica para os lados do Largo da Ideia e adjacências. E parece que foi mesmo, justiça seja feita. O professor e escritor Homero Guião afirma haver cavalgado pelas cercanias do interior de SG e ter sido amigo de Justi. Incrível, parece ter passado tanto tempo, mas não, pois recebi via whatsapp parte dessa história narrada pelo próprio Homero. Segundo ele, na década de sessenta, percorreram juntos as ruas e visitaram as várias casas na região: “Naquele tempo a iluminação se dava por meio de lampião, até que o ex-prefeito (na época prefeito) conseguiu eletricidade para os sítios, fazendas e residências regulares — e isso de cavalgada ocorria depois do Largo da Ideia. Antes, porém, a iluminação pública só chegava até Santa Izabel, local onde estava a fazenda de sua propriedade, no alto de um outeiro, com o caminho enfeitado por lindas aleias. Eu percorria com ele toda a área rural a cavalo e visitava as casas dos colonos, iluminadas com lamparinas ou lampião a gás. Egylio, era tabelião do Cartório do terceiro distrito”, finalizou.


Em suma, sabe-se que, naquele tempo, tão logo a energia elétrica chegou às outras regiões, construíram um marco feito de concreto e metal por causa dessa proeza da modernidade. Hoje o tal marco com a placa comemorativa do evento se encontra dentro de um antigo armazém ou padaria, não sei ao certo o gênero do estabelecimento, lá no Largo da Ideia, datado de julho de 1950, na Estrada José de Souza Porto.




Referência


NUNES, Jorge Cesar Pereira. Dirigentes gonçalenses: perfis (1890-2011). Niterói, RJ: Nitpress, 2012.

 

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Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.