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Rússia manda mais soldados e reconhece Donetsk e Luhansk

Por Felipe Rebello

Vladimir Putin assina ato que reconhece as áreas autônomas resultantes da guerra civil no leste do vizinho | Foto: ALEXEY NIKOLSKY / SPUTNIK / AFP
Vladimir Putin assina ato que reconhece as áreas autônomas resultantes da guerra civil no leste do vizinho | Foto: ALEXEY NIKOLSKY / SPUTNIK / AFP

Aparentemente seria mais uma semana sem grandes novidades envolvendo o acirramento entre Rússia e Ucrânia. Os Estados Unidos continuariam tentando apagar o incêndio com gasolina, enquanto a União Europeia, vizinha do eventual conflito, limitava-se a contemporizar e ensaiar sanções de pouco efeito. Alemanha continuaria fazendo seu jogo duplo, amortecendo as intenções russas, ao mesmo que teatralizava um discurso duro para seus vizinhos e opinião pública. Jovens da Europa Ocidental e de países ricos iriam às ruas fazer vigílias e passeatas de apoio ao governo Ucraniano e à Paz Mundial.

Mas as coisas começaram a demonstrar que seguiriam por outro rumo quando Putin, após a anunciar a retirada de tropas, enviou ainda mais soldados para fronteira, contrariando todas as expectativas daqueles de achavam que o inverno eslavo seria um impeditivo. Nas regiões fronteiriças e nos territórios separatistas da Região de Donbass houve intensificação dos confrontos e, finalmente, a Duma – parlamento russo – enviou pedido para Vladmir Putin pelo reconhecimento de Donetsk e Luhansk como regiões autônomas separatistas da Ucrânia.

O Kremlin acatou o pedido e reconheceu a autonomia das províncias que, juntas, compõem a Região de Donbass. Na prática, grande parte desta região já fazia parte da esfera de poder russa, uma vez que são controladas por rebeldes separatistas pró-Rússia. Estes rebeldes já chegaram a ensaiar uma união entre as duas províncias rebeldes em uma nova nação chamada Novorus’ ­– Nova Rússia – ou União das Repúblicas dos Povos, cujos planos de expansão territorial incluía as fronteiras da Moldavia que, em seus territórios, também há um movimento separatista pró-Rússia na Região da Transnístria; mas ainda em 2015 os planos para a “Nova Rússia” foram abortados. Todavia agora eles parecem renascer, contudo Putin tem evitado falar em anexação, chegou a rechaçar um de seus homens de inteligência que sugeriu esta possibilidade em uma reunião gravada.

A principal pergunta que fica é: quais são os planos da Rússia?


A resposta é simples: maskirovka. Esse é o nome da doutrina diplomático-militar de dissimulação, mimetismo, desinformação, contra-espionagem e afins, utilizada pela fina-flor da inteligência soviética. A verdade é que, desde o início, ninguém nunca soube e continua não sabendo os planos de Moscou. Esta é uma informação secreta, guardada à sete chaves no coração do Alto Comando russo. Eles vão fazer o óbvio e simplesmente anexar parte da Ucrânia? É pouco provável, isso colocaria o restante do país no colo do Ocidente, mas também não se pode afirmar categoricamente que não. Podemos esperar muitas movimentações, jogos diplomáticos e distrações até que os reais objetivos do Kremlin comecem aparecer.

O ocidente deve tentar acirrar suas sanções e firmar uma resposta a altura, até então o contragolpe mais “duro” foi o bloqueio momentâneo da Nord Stream 2.



Bolsonaro declara solidariedade à Rússia e causa indisposição com Washington


Foto: Reprodução Internet
Foto: Reprodução Internet

A visita do presidente brasileiro à Moscou já estava marcada muito antes do acirramento das tensões. Ela tinha por objetivo interesses econômicos e as sanções que a Rússia vem sofrendo favorece este ímpeto. Todavia uma visita em meio a uma crise desta magnitude exige extremo tato diplomático, o cancelamento seria visto como fraqueza e submissão à Biden, enquanto o não-cancelamento pode ser visto como uma demonstração de aproximação ao, também autoritário, Vladmir Putin.


Esta questão reverberou na NATO/OTAN, com a qual o Brasil sonha em firmar aliança. Parte de seus membros viu a visita como um motivo para distanciar o Brasil do bloco, enquanto outros entenderam a urgência da aliança a fim de afastar Bolsonaro da zona de influência russa. O presidente brasileiro conseguiu ser discreto e comedido na maior parte do tempo, inclusive prestando condolências à heróis soviéticos, todavia cometeu uma gafe inaceitável um em contexto tão delicado.

Jair Bolsonaro prestou solidariedade aos russos. Se ele tem alguma intenção de se aproximar do Kremlin, este gesto faz sentido, mas provavelmente não é o caso, sendo apenas um retrato de sua inépcia diplomática. Sua fala reverberou muito mal nos Estados Unidos, que criticaram duramente a declaração vista como apoio aos russos na guerra.


O Itamaraty respondeu em nota que as falas do presidente não deveriam ser extrapoladas e que o posicionamento do Brasil sempre esteve claro.

Existiria alguma possibilidade de Bolsonaro ter feito tudo caso pensado com uma real intenção de se aproximar de Moscou?


Crise na Ucrânia faz bolsas caírem na Europa e Ásia


Ásia

-2,2% Nikkei – Tóquio

-3,2% Hang Seng – Hong Kong

Europa

-2% Cac40 – Paris

-1,2% FTSE – Londres

-2,5% Dax – Frankfurt

Enquanto isso o preço do petróleo disparou, chegando a 99,01 US$, uma vez que a Rússia é um dos maiores exportadores do combustível.


República Dominicana anuncia a construção de muro em fronteira com o Haiti


O presidente da República Dominicana (à dir., de colete amarelo) e o ministro da Defesa Carlos Diaz Morfa observam o início das obras do muro entre o país e o Haiti - Erika Santelices/AFP
O presidente da República Dominicana (à dir., de colete amarelo) e o ministro da Defesa Carlos Diaz Morfa observam o início das obras do muro entre o país e o Haiti - Erika Santelices/AFP

Os dois países dividem a Ilha de Hispaniola, que fora colonizada por França e Espanha, a metade hispânica deu origem a Rep. Dominicana ao passo que os haitianos são provenientes da colonização francesa. Mas esta não é a única diferença, os países, além de terem idiomas distintos, gozam de diferentes características culturais e, principalmente econômicas.


Rep. Dominicana é um país pujante e com um intenso desenvolvimento econômico, sendo uma potência regional caribenha. Enquanto isso, o Haiti é um país que convive a fome e a miséria, sendo assolado pela violência de grupos criminosos que controlam territórios, máfias e milícias armadas. Vale lembrar que o presidente haitiano fora assassinado em julho do ano passado.

O presidente dominicano, Luis Abinader, foi eleito sobre uma plataforma que reforçava o ímpeto de impedir que os problemas sociais e políticos do Haiti atinjam o país e ele espera conseguir isso através do muro. A justificativa é que ele conteria o tráfico de drogas, as atividades criminosas e a imigração ilegal. Mas a ONU e Ongs de direitos humanos classificaram o ato uma violação que tem por pano de fundo o racismo e a xenofobia.

 

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Felipe Rebello é professor de História e psicopedagogo.