RJ-104: quando o trânsito para, a cidade sangra
- Jornal Daki

- 15 de jan.
- 2 min de leitura
Por Mira Pimentel

A RJ-104 não é apenas uma rodovia.
Ela é o pulso diário de São Gonçalo.
Por ela passam trabalhadores, estudantes, mães, idosos, sonhos apressados e cansaços antigos.
E é justamente quando esse pulso falha quando o trânsito trava que a cidade adoece.
Na bifurcação de Manilha, o cenário se repete como um ritual conhecido: paradas constantes, congestionamentos longos, carros imóveis.
E onde o fluxo para, a violência encontra espaço.
Assaltos, arrastões, medo.
Às vezes, morte.
Não é coincidência.
É gestão ou a falta dela.
O Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Rio de Janeiro (DER-RJ) existe para planejar, operar, fiscalizar e manter as rodovias estaduais.
Cabe a ele monitorar o tráfego, identificar pontos críticos, organizar intervenções, distribuir equipes, gerenciar seus funcionários e agir com a autoridade técnica que só a ele cabe.
Rodovia não se governa por reação tardia.
Rodovia se governa com monitoramento diário, presença constante e decisões preventivas.
A pergunta que ecoa entre quem vive a RJ-104 todos os dias é simples e incômoda: quem está olhando para os focos permanentes de congestionamento?
Quem está gerenciando, de fato, o caos previsível da bifurcação de Manilha?
E outra pergunta se impõe, quase em voz alta: guardas de trânsito servem para quê?
Apenas para multar?
Ou para orientar, organizar, intervir e prevenir?
Porque quando o trânsito flui, o crime perde terreno.
Quando os carros andam, o medo recua.
Quando há presença do Estado, há inibição da violência.
E quando não há ninguém, sobra oportunidade para quem vive do risco imposto aos outros.
São Gonçalo não pede milagres.
Pede atenção.
Pede planejamento.
Pede respeito.
E a população começa a entender que o silêncio também congestiona.
Por isso, moradores, trabalhadores e usuários da RJ-104 começam a se organizar, a conversar, a se articular.
Não contra alguém , mas a favor da vida.
A RJ-104 precisa voltar a ser estrada.
Não pode continuar sendo armadilha.
Porque toda vez que o trânsito para, alguém sangra.
E isso não é destino.
É escolha administrativa.
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Mira Pimentel é escritora e cronista.








































































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