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São Gonçalo de Amarante: Eita santo porreta!

Por Rui Aniceto Fernandes

Presentes de tia Lili/Foto: Rui Aniceto
Presentes de tia Lili/Foto: Rui Aniceto

10 de janeiro – dia de São Gonçalo de Amarante


Hoje é feriado! De que? De São Gonçalo. Mas São Gonçalo não é 22 de setembro? Quantas vezes já ouvi esse diálogo...

Hoje é dia de santo! São Gonçalo de Amarante! Padroeiro dos arquitetos; protetor dos violeiros; chamado a acudir mareantes em tempestades; requisitado pelos que tem problemas nos ossos; casamenteiro dos bons! Tantos atributos do bem aventurado de Amarante!

Gonçalo é contemporâneo de Francisco, de Assis; de Antônio, de Pádua ou de Lisboa (deixem eles brigarem pelos santo); De Domingos de Gusmão e de outros tantos santos medievais do século XIII. Sacerdote ordenado, após anos de trabalho pastoral, realiza peregrinação à Roma e à Terra Santa.


Retornando fixa-se em Amarante e ingressa na Ordem dos Pregadores, os dominicanos. Reconstrói uma ponte e, aí, ocorrem os milagres que lhe são atribuídos. Foi beatificado no século XVI com festa e honra dos altares! Seu processo de canonização ainda não foi concluído. Quem se anima a retomá-lo?


Mas os milagres mais famosos foram os casamentos que vem arranjando pelos séculos! Nesta seara cada santo especializou-se em casar um grupo diferente de mulheres. São Pedro – ele mesmo, o chaveiro do céu – é casador das viúvas. Santo Antônio casa as moças e São Gonçalo? As velhas!


Era assim que as pessoas se referiam àquelas mulheres que haviam “passado da idade de casar” ou entrado “para o caritó”. Isso hoje não tem mais sentido! A pessoa casa quando quiser ou se quiser, que mal há em não casar?.


No versário popular luso brasileiro constam pérolas como:


“São Gonçalo de Amarante/Casamenteiro das Velhas/Que mal te fizeram as moças?/Por que não casais elas?”.


As mais aflitas chegavam a suplicar:


“São Gonçalo! Casei-me pois bem podeis! Pois tenho teia de aranhas, onde bem sabeis!”.

Cá tenho três representações do beato amarantino. O santo dominicano, vindo de Fátima! Presente de minha tia avó, a minha tia Lili! O dominicano violeiro. E o camponês violeiro. Gosto mais do dominicano violeiro! Junta a devoção ortodoxa e popular!

Muitos questionam: "Mas nem santo ele é!"


Quer mais milagre do que proteger nossa cidade!?


Que São Gonçalo de Amarante continue a nos proteger!


Eita santo porreta!

 

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Rui Aniceto Fernandes é professor de História do Departamento de Ciências Humanas (DCH) da Faculdade de Formação de Professores (FFP-UERJ).


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