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Sérgio Cabral diz que PF o coagiu para mentir em delação contra Toffoli e Bruno Dantas

À época os dois eram considerados desafetos da Operação Lava Jato


Foto: Arquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Arquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil

Carta Capital - O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou que foi obrigado pela Polícia Federal a mentir na delação que acusou o ministro do STF Dias Toffoli e o ministro do TCU Bruno Dantas de receberem propina para favorecer empresários. Os dois, em 2019, época da delação, eram considerados desafetos da Operação Lava Jato.


"Ela [delação] foi completamente distorcida. Foi tudo distorcido por mim, imbuído por um grupo da Polícia Federal”, contou Cabral em uma entrevista ao site Metrópoles publicada neste domingo 5.


Na conversa, Cabral pediu desculpas ao ministro Toffoli, do STF, e a Dantas, do TCU. "Eu quero pedir desculpas ao ministro Toffoli. Quero pedir desculpas. Eu fiquei com raiva do Judiciário, eu achei que o mundo inteiro conspirava contra mim, e distorci uma história", disse. "Eu quero pedir desculpas ao Bruno Dantas", completa mais adiante.


Ainda na conversa com o site, ele não nomeia os responsáveis pela coação, mas diz que a mentira era desejo da força-tarefa do Ministério Público Federal na ocasião.



"Isso foi induzido por aqueles agentes da Polícia Federal que estavam envolvidos na minha colaboração. Isso era um desejo do Ministério Público Federal desde o início. Desde que fui preso eu ouvia essa história, as mensagens chegavam a mim, porque o MPF queria que eu falasse do TCU", insiste.


Nas delações citadas por Cabral, ele acusava o ministro de ter recebido cerca de 4 milhões de reais como pagamento de propina por decisões favoráveis a dois prefeitos que tinham processos no Tribunal Superior Eleitoral. Dantas, por sua vez, era apontado por Cabral como receptor de uma 'mesada' de 100 mil reais em um esquema de corrupção comandado pelo empresário Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio do Rio de Janeiro.


A colaboração premiada de Cabral foi anulada em maio de 2021 pelo Supremo. Na época, os ministros entenderam que a delação firmada pela PF deveria ter sido submetida à anuência do Ministério Público.


Cabral, vale dizer, não é o único a alegar ter sido coagido pela PF a apontar corrupção contra desafetos da operação.


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