top of page

Sem luz há quase uma semana, população de municípios do RJ espera providências da Enel e da Light

Entre as cidades mais atingidas, Niterói e São Gonçalo tiveram cerca de 100 mil casas sem energia elétrica por dias


Ministério Público do RJ afirma que Enel não se preparou para evento climático previsto - Reprodução/X
Ministério Público do RJ afirma que Enel não se preparou para evento climático previsto - Reprodução/X

Quase uma semana depois dos forte ventos e do temporal que tomou parte do estado do Rio de Janeiro, e atingiu a rede elétrica, afetando a população da capital, de Niterói, São Gonçalo, Maricá e Petrópolis, além de outros municípios, alguns na região metropolitana, as concessionárias Enel e Light não conseguiram restabelecer o fornecimento de energia em diversos bairros.


No domingo (19) e na última segunda-feira (20), feriado da Consciência Negra, a população de alguns bairros de Maricá e São Gonçalo fez bloqueios na Rodovia Amaral Peixoto para protestar por conta da demora para que a luz voltasse.


A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro convocou para a próxima terça-feira (28) uma audiência pública com representantes do poder público e os presidentes da Light e da Enel.

Os clientes da Enel foram os mais afetados, tendo em conta que a rede elétrica de Niterói e São Gonçalo foi a mais afetada.


Na última quinta-feira (23), o Ministério Público ajuizou ação civil pública e questionou por que razão a Enel "não se preparou corretamente para o evento climático previsto, causando transtornos para milhares de moradores", apesar de todos os avisos das Defesas Civil municipais e de órgãos de monitoramento do tempo.



"A empresa [Enel] tem até 24 horas, a partir da notificação, para cumprir a ordem, sob pena de multa de R$ 20 mil por cada consumidor lesado. Ultrapassado esse período, o valor será dobrado para R$ 40 mil por cliente e por cada dia de descumprimento da decisão", informou o MP-RJ.


Mais cedo, um ato em frente à sede da Enel de Niterói reuniu parlamentares como o vereador Paulo Eduardo Gomes e o deputado estadual Flávio Serafini, ambos do Psol. Gomes afirmou que é preciso uma mobilização de instâncias do poder público, inclusive em âmbito nacional, para apurar os últimos acontecimentos e responsabilizar as concessionárias.


"Os consumidores estão sendo flagrantemente atingidos. As redes sociais estão entupidas de reclamações. Como cidadão de Niterói, fiquei sem energia em casa até a tarde de segunda-feira. Ontem, houve vários picos de energia e acho que tive a perda de pelo menos um aparelho. Temos que nos mobilizar urgentemente", disse o vereador.

Balanço


Até a terça-feira (21), cerca de 12 mil imóveis estavam sem energia elétrica em Petrópolis, a Prefeitura chegou a montar um gabinete de crise para tentar restabelecer a energia junto com a Enel. Estima-se que na terça ainda havia cerca de 100 mil famílias dos municípios de Niterói e São Gonçalo sem luz em suas casas.


As quedas constantes e a deficiência no fornecimento de energia fora de períodos de eventos climáticos também é uma preocupação em algumas comunidades do Rio. No sábado (18), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) se reuniu com moradores do Fallet e Fogueteiro, na região central do Rio.


A reunião teve como pauta central a falta de luz na comunidade e entorno, em algumas localidades já chega a quase uma semana no escuro. Entre as ações futuras, a comissão criada a partir da reunião fará um levantamento de famílias para inclusão na tarifa social e cobrança imediata do reestabelecimento de energia.


A Light estima que mais de 900 mil famílias ainda podem ser incluídas na tarifa social, benefício concedido pelo governo federal. Atualmente, o estado do Rio inteiro tem 1,4 milhão de unidades consumidoras (residências) de energia elétrica com o benefício.


"A Light já veio aqui, falou que ia nos colocar como tarifa social, mas as contas começaram a chegar com valor de mais de R$ 1 mil. Todo mundo quer pagar conta, ninguém quer ficar na irregularidade, mas tem que ser justo para nós. Já chegamos a ficar três semanas sem luz, só vieram consertar porque arrecadamos dinheiro para eles virem", reclama a moradora Leandra Neris da Silva.


"Queremos que nossos governantes e os responsáveis por esses serviços venham aqui e tomem providências. Água e luz são nossos direitos. Estamos sem luz e não é a primeira vez, é frequente. Já ficamos dois meses sem luz, pouco tempo atrás já ficamos uma semana sem luz. Quem vai resolver?", questiona Ana Paula, também moradora da comunidade.



El Niño


A Enel informou em comunicado no último domingo (19) que colocou em ação um "forte esquema para agilizar o atendimento após os danos causados pelas chuvas". O Operador da Enel Rio, José Luis Salas, disse que a companhia acompanha as mudanças deste ano, com chuvas acima da média e fortes ventos.


"Com o impacto do El Niño [fenômeno climática que aumenta a média das temperaturas e provoca chuvas acima do esperado para a época], esperamos mais tempestades associadas a rajadas de ventos e raios, como a que tivemos ontem”, alerta José Luis.


Segundo ele, já foram registradas esse ano cerca de 23.116 ocorrências de vegetação sobre a rede (janeiro a setembro), 19% mais que no mesmo período do ano passado. "São árvores e galhos que caem sobre os cabos e geram muita destruição, muitas vezes demandando até a reconstrução de trechos de rede", diz a Enel.


*Com informações Brasil de Fato


Entre no nosso grupo de WhatsApp AQUI

Entre no nosso canal do Telegram AQUI

 

Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua.