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Sistema de reconhecimento facial da polícia confunde servidora pública com foragida da justiça

Caso aconteceu em abril deste ano quando Daiane de Souza Mello participava da Conferência Estadual de Igualdade Racial, no Centro do Rio

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução


Uma servidora pública foi confundida com uma foragida da justiça pelo sistema de reconhecimento facial do monitoramento urbano utilizado pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. A foto de Daiane de Souza Mello, de 35 anos, apareceu no sistema e ela foi abordada por agentes do Segurança Presente.


O caso aconteceu em abril deste ano, enquanto Daiane participava da Conferência Estadual de Igualdade Racial, no Liceu de Artes, no Centro do Rio.



"Eu me senti invadida, insegura e desamparada. Tive medo, crise de ansiedade e fiquei um tanto desmotivada por sofrer racismo em meio ao trabalho de combate ao racismo. Deu uma sensação de não adiantar todo o esforço do que a gente desenvolve pessoalmente na vida pra ascender ou na política pública para garantir direitos, no fim, uma pessoa negra no Brasil está sempre posta em condição de risco, vulnerabilidade e violações", desabafou a vítima.



Daiane estava no evento participando como representante governamental do município de Nova Iguaçu, onde atua como coordenadora de Promoção de Igualdade Racial. Segundo ela, o evento foi "pensado para construir políticas públicas de combate ao racismo e promoção da equidade".


"Lá, neste espaço, tamanha contradição. Com a vestimenta do evento e crachá, fui abordada dentro do Liceu de Artes, sendo confundida com uma suspeita. Três homens, agentes de Segurança Presente me abordaram, inicialmente me rondando e cercando, olhando meu rosto e crachá por bastante tempo e comparando com as imagens do telefone que portavam em mãos", explicou.


A servidora, inicialmente, foi chamada pelo nome da foragida. Ao afirmar que não era a pessoa procurada, continuou sendo cercada pelos agentes. Momentos depois, aconteceu a abordagem. Os policiais explicaram que Daiane havia sido reconhecida pelo sistema de monitoramento urbano.


"Eles explicaram que até estavam vendo que não era eu, mas que iam precisar que apresentasse meu documento de identificação. Ou seja, pelo que entendi o protocolo nos expõe de todo modo, porque mesmo verificando que não era eu, eles tinham que me abordar e me fazer passar por esse transtorno, constrangimento e o susto", disse.


Constrangida, a vítima tentou argumentar que o sistema utilizado pela polícia era falho.


"Já foi comprovado que não reconhece corpos negros adequadamente é que é um sistema racista produzido por pessoas brancas. Argumentei que a polícia só se engana com corpos negros e que eu ia reivindicar os meus direitos".


A abordagem foi encerrada após os agentes perceberem que o reconhecimento facial havia confundido as duas mulheres. Depois do susto, Daiane relatou que só pensou em como seria caso a abordagem tivesse acontecido em outro lugar.


"Só consigo pensar como teria sido se estivesse na rua, sozinha, sem documento ou sem saber reivindicar os meus direitos, sendo leiga".


O caso também está sendo acompanhado pela Defensoria Pública do Estado, que está sendo responsável juridicamente pelo caso.


Procurada, a Superintendência do Segurança Presente informou que a abordagem realizada, no dia 30 de abril, por agentes do Centro Presente, ocorreu dentro dos protocolos estabelecidos pelo programa e com as preocupações do policiamento de proximidade, que visam ser rápidos e evitar qualquer constrangimento à população.


"Na abordagem em questão, a equipe recebeu o alerta do sistema de Reconhecimento Facial e ao localizar a pessoa, pediu um documento para a identificação, o que é necessário para imediatamente sanar a dúvida. Uma vez apresentado o documento, foi feita a consulta, o que levou menos de dois minutos para encerrar a ocorrência. A superintendência ressalta que o Segurança Presente atua com conceitos de policiamento de proximidade e com respeito aos direitos individuais e e dentro dos Direitos Humanos", diz a nota.


A Polícia Civil informou que o caso foi registrado na Delegacia de Combate aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e a investigação está em andamento.


*Com informações O Dia


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