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Sociedade se move e enquadra governo Nelson sobre estações

Por Helcio Albano

Aqui passaram milhares e onde nasceu o graffiti moderno do RJ/Foto: Reprodução
Aqui passaram milhares e onde nasceu o graffiti moderno do RJ/Foto: Reprodução

Em menos de uma semana a sociedade civil gonçalense se mexeu pra tirar a limpo que história é essa de demolição das estações de trem que ainda resistem de pé em São Gonçalo. A repercussão é tamanha que já chegou à Câmara de Vereadores na sessão de retorno do recesso ocorrida nesta terça (1).


Tudo começou no grupo do Facebook "Amigos de São Gonçalo e sua história", que levantou a informação rapidamente espalhada pelo WhatsApp, que pegou tração nesta Coluninha, no domingo; e que, depois, fez surgir no Instagram perfis que puxaram a discussão e a promoção da preservação do patrimônio, dentre eles o @amigospelaestacao, que já conta com mais de 420 seguidores e subindo.


E hoje, finalmente, o ex-vereador Marlos Costa, autor da lei de tombamento das estações, sancionada em 2009, entrou na briga e pediu esclarecimentos da demanda junto à prefeitura, usando a Lei de Acesso à Informação (LAI) para, entre outras coisas, conhecer o projeto e o planejamento da obra, estranhamente guardados a sete chaves, como já relatei aqui.



Com toda a pressão, o governo Nelson (PL) respondeu. Mesmo que numa mensagem cifrada usando, para isso, a secretária de Cultura, Julia Sobreira, que se fez fotografar, também nesta terça, na quadricentenária Capela da Luz, em Itaoca, com a seguinte legenda em post do Instagram: "Vamos juntos preservar a história de São Gonçalo e fortalecer essa herança cultural".


Ok. Mas estaria a secretaria disposta a repetir essa foto na Madama?


Plus

"O problema da preservação de um patrimônio histórico, depois de tombado, é o seu custo de manutenção em uma das secretarias (Cultura) que tem menor orçamento", disse-me uma vez um alto figurão da política que conhece das coisas.


Bônus

Seguindo essa lógica, se explica o crime continuado contra o patrimônio histórico em São Gonçalo, que há 50 anos vive processo de esvaziamento econômico crônico e sistêmico: optou-se pela anulação da identidade gonçalense através do esquecimento como projeto político e de gestão dos recursos escassos.



Bônus Track

Manter de pé as estações, dentro de um contexto de intervenção urbanística radical, criaria novas demandas para a Secretaria de Cultura para esses equipamentos, que precisariam ser ressignificados dentro desse novo contexto.


Não sei se a sociedade gonçalense que pagar pra "manter um lugar cheio de cracudo", como tuitou uma leitora.


É mais cômodo demolir as estações, levantar um paredão, e pedir para os grafiteiros desenharem no espaço as estações demolidas para fins de "fortalecer essa herança cultural", como disse a secretária.


Ai de ti, São Gonçalo!


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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.