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'The Wall' não rolou, mas quem é Mulher da Parada não desanima

Mulheres do coletivo gonçalense não vencem jogo no Domingão do Huck, mas esperam vencer na vaquinha virtual


Por Felipe Rebello

Dannyela e Letícia: guerreiras/Foto: Divulgação TV Globo
Dannyela e Letícia: guerreiras/Foto: Divulgação TV Globo

Nesse domingo (06/02) Letícia Firmino da Hora e Dannyela Euzébio representaram o coletivo gonçalense Mulheres da Parada no quadro “The Wall”, do Domingão do Huck na TV Globo.


O objetivo da dupla era vencer o jogo e garantir o prêmio de até R$ 1 milhão para manter e ampliar o projeto social desenvolvido na localidade de Parada São Jorge, no bairro Sacramento, que inclui distribuição de cestas básicas, um mercadinho solidário e horta orgânica comunitária, além de ações com foco no empoderamento das mulheres da comunidade.


Não rolou. Mas quem disse que a turma desanima?



Pelo contrário. Dannyela e Letícia deram tudo de si e reconhecem que a exposição nacional num dos programas mas assistidos na TV brasileira pode abrir portas e oportunidades de sobrevivência e expansão de uma iniciativa que atinge diretamente centenas de pessoas que têm no projeto sua única fonte de alimentação diária.


Não foi tão bom o programa, mas contamos com a ajuda de vocês. Chegamos até aqui com a ajuda de vocês, com as doações de vocês. No programa perdemos, mas o que vamos levar é experiência, o espaço que ocupamos com a nossa participação. Que o projeto agora ganhe mais visibilidade e que a gente consiga se unir com mais pessoas”, disse Dannyela na página do projeto do Facebook.


Por isso o coletivo Mulheres da Parada lançou na internet uma vaquinha virtual para que as pessoas possam ajudar o projeto através de doações que podem ser feitas no link: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-as-mulheres-da-parada.


Bom, gente, não rolou. Nós zeramos na parede. Nós agora das Mulheres da Parada só podemos contar com vocês. Eu acredito que pessoas do bem se conectam e estamos aí contando com o apoio de vocês. Façam sua doação, cada valor vale”, pediu Letícia da Hora.


Aliás, o sobrenome dela é familiar? Pois então. Ela é mulher do ator Leandro Firmino da Hora, eternizado no cinema com o filme Cidade de Deus (2002).



História

Tudo começou em Março de 2020, um dos momentos mais trágicos da pandemia que, além de mortes, trazia fome e desespero para as comunidades carentes do Brasil. Letícia Firmino da Hora, observando este cenário trágico se abater sobre sua comunidade, resolveu arregaçar as mangas e utilizar sua influência e contados para reverter essa situação calamitosa.


Letícia conseguiu organizar mutirões de arrecadação e distribuição de cestas básicas para famílias da comunidade gonçalense de Parada São Jorge. Rapidamente o movimento passou a ganhar simpatizantes, agregar voluntários e expandir os beneficiados.


Com a escalada vieram outros projetos, como o mercadinho solidário, com uma rede de suprimentos sustentável para essas famílias e as “agroflorestas” que transformam terrenos baldios em hortas orgânicas comunitárias. Além disso o projeto desenvolve ações com foco no empoderamento das mulheres da comunidade com a iniciativa “Donas da Parada” onde são oferecidos cursos profissionalizantes e workshops gratuitos.


A gente virou uma rede de apoio, não tem só que ela aquela questão da assistência em relação à comida para as famílias. Lógico, nosso foco ainda é esse: manter as famílias com as cestas básicas e tudo mais. Mas viramos também uma rede de apoio para mulheres que sofrem violência, porque muitas vezes a mulher da periferia não tem como ir à delegacia denunciar o que está acontecendo, portanto começamos a detectar muitos casos de mulheres que sofrem alienação parental e até violências físicas mesmo", disse Thais Nascimento, coordenadora do Mulheres da Parada Advocacy, setor voltado para políticas públicas e direitos básicos.



O movimento rapidamente se expandiu, ganhou força e se tornou uma ONG, atraindo atenção de artistas e políticos da região.


A página @mulheresdaparada no Instagram já conta com mais de 4 mil seguidores, dentre estes, figuras de peso como as atrizes Shirley Cruz e Simone Spoladore que se tornaram madrinhas da causa. Mas ainda faltava mais um degrau para as Mulheres da Parada: fazer com que o Brasil conhecesse sua história. Isso foi conseguido.


Edição: Helcio Albano.

 

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Felipe Rebello é professor de História e psicopedagogo.







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