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TRE transfere urnas do Salgueiro para shopping devido ao domínio do tráfico; transporte é problema

Complexo do Salgueiro, sob domínio do Comando Vermelho, teve três seções eleitorais remanejadas para o São Gonçalo Shopping; medida afeta 188 mil eleitores em todo o estado


Foto: reprodução
Foto: reprodução

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) anunciou, nesta segunda-feira (3), a transferência de 66 locais de votação em 20 municípios fluminenses, incluindo três pontos no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, em razão da violência. A decisão, publicada em edital, tem como objetivo garantir a segurança dos eleitores durante as eleições deste ano.


Os três locais de votação que funcionavam dentro do complexo do Salgueiro — área dominada pelo Comando Vermelho — foram remanejados para o São Gonçalo Shopping, no bairro Boa Vista. Lojas do centro de compras estão sendo adaptadas para funcionar como seções eleitorais.


Além de São Gonçalo, as mudanças atingem Niterói, Itaboraí, Itaguaí, Nova Iguaçu, Nilópolis, São João de Meriti, Japeri, Cabo Frio, Araruama, Campos dos Goytacazes, Itaperuna, Resende, Volta Redonda e a capital fluminense.


O número de municípios afetados é 13% maior do que o registrado nas eleições de 2024, segundo o TRE.


Ao todo, aproximadamente 188 mil eleitores terão que consultar o novo local de votação. A verificação pode ser feita no site do TRE-RJ, utilizando o número do CPF ou do título de eleitor.


A medida é resultado de uma força-tarefa que reúne informações de inteligência das polícias Militar, Civil e Federal, além do Ministério Público e do Poder Judiciário.


O presidente do TRE-RJ, desembargador Cláudio de Mello Tavares, afirmou que a Corte tem atuado para assegurar que o eleitor possa votar sem constrangimento ou medo.


"Há locais de votação que estão totalmente tomados pelo crime organizado. O TRE está transferindo aqueles locais para que o eleitor possa votar com tranquilidade", declarou.


Transporte

A transferência das seções eleitorais do Complexo do Salgueiro para o São Gonçalo Shopping, embora necessária para garantir a segurança dos eleitores, cria um efeito colateral preocupante: a oportunidade para a atuação de grupos criminosos no dia da votação.


A distância de cerca de 5 km entre os bairros exige transporte motorizado. É nesse vazio deixado pela ausência de uma solução oficial de mobilidade que a coação encontra espaço. Criminosos podem oferecer transporte "gratuito" em vans ou carros para levar eleitores até a nova seção, mas com a condição implícita ou explícita de que votem em determinado candidato. A prática, embora disfarçada de "favor", configura compra de votos e coação.


Sem uma comunicação clara sobre linhas especiais ou gratuidade nas passagens, o eleitor fica vulnerável. Quem não puder pagar a passagem pode aceitar a "carona" criminosa como única alternativa — ou simplesmente deixar de votar. Em ambos os casos, a abstenção cresce e o resultado eleitoral se distorce.


A medida judicial, ao transferir o problema da violência para o bolso do eleitor, acaba favorecendo exatamente aqueles que a Justiça Eleitoral busca combater: os grupos que lucram com a intimidação e o controle do voto.


"Sem transporte público gratuito e sem fiscalização efetiva, a mudança de local pode significar menos segurança, e não mais. O tiro pode sair pela culatra", disse sob reserva ao Daki um um fiscal do TRE que atua em São Gonçalo.


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