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Você viu, mais uma violência contra as escolas?

Por Graciane Volotão

 Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Todos os dias recebemos agressões físicas, psicológicas e somos violentamente precarizadas e precarizados na educação pública. Por que será que a sociedade não está vendo isso? Até quando ficaremos suportando tantas formas de violências? Você deve ter iniciado este texto pensando que era mais um caso de ataque às escolas, ferindo estudantes e funcionários, pois você não estava enganada e nem enganado.


Sim, mais um ataque às escolas públicas foi realizado pelo governador Claudio Castro que apresentou em seu twitter que pagaria o piso nacional para os profissionais da educação. O que causou em nós uma temporária alegria, pois acreditávamos que o governador Cláudio Castro estaria finalmente aceitando a cumprir a lei do piso com a declaração de que "nenhum profissional receberia abaixo do piso nacional". Infelizmente isso não foi uma verdade. Foi um caso típico de quem faz manobras para iludir seus eleitores e seguidores nas redes sociais.



O que gerou euforia na categoria, pareceu mais uma tentativa de impedir a greve que estava anunciada a partir da assembleia marcada previamente para acontecer no dia 11/05. A iniciativa nos pareceu ter sido para desmobilizar os profissionais da educação.


Denunciamos diversas vezes aqui, as condições perversas que somos tratados e tratadas pelos governos. O governador Cláudio Castro não cumpre a lei e a situação dos profissionais da educação além de ser precária também sofre com o menor salário dos estados brasileiros.

A correção do piso nacional pela portaria interministerial se dá legalmente, é constitucional, direito dos profissionais e trata-se de piso inicial, ou seja, não é teto ou valor máximo. Isso quer dizer que nenhum profissional deve receber menos que o previsto. A dissimulação se dá a partir da concepção de que ao pagar a proporcionalidade do salário de 40 horas para quem está enquadrado na tabela do plano de carreira abaixo do que está na lei, daria o status ao governo estadual do cumprimento, o que não é verdade.


Os servidores da educação têm garantido os seus planos de cargos e salários em que as alterações no primeiro nível de enquadramento devem escalonar para os demais níveis. Assim, com essa medida o governo do Cláudio Castro ignora essa regra e dissimula um discurso de cumprimento da lei. Prejudicando os profissionais que estão anos se dedicando ao serviço público.


Tem sido assim, escolher a educação para trabalhar é uma ato de coragem, exige de cada uma e cada um de nós, lutas diárias, seja para ensinar os estudantes, para cuidar dos que estão abandonados pela família, ou pelos que estão abandonados pelo poder público, também lutamos para que vejam que os telhados e prédios estão danificados, que as crianças estão sem merenda, que os kits escolares comprados com verbas públicas e superfaturados não chegaram, que precisamos que tenham psicólogo, assistentes sociais, lugares para encaminhar estudantes em risco e para denunciar o que nos coloca em risco. Como se não bastasse, ainda temos que lutar pela dignidade dos nossos salários. Que diga de passagem é lei desde 2008!


Sigamos, unidas e unidas! Greve é a nossa última opção para chamar a sua atenção e para que você veja: Mais um ataque contra as escolas.


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Graciane Volotão é Pedagoga, professora supervisora educacional, servidora pública e doutoranda em educação na UFF e membra do Coletivo ELA – Educação Liberdade para Aprender e colaboradora da Coluna “Daki da Educação”, publicada às sextas.