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Quando Jesus virou as mesas
Por Mira Pimentel Reprodução Há uma cena do Evangelho que sempre me provoca. Não é Jesus multiplicando pães. Não é caminhando sobre as águas. Não é realizando milagres diante da multidão. É Jesus irritado. Sim, irritado. Aquele homem conhecido pela mansidão entrou no templo, viu a fé transformada em negócio, a espiritualidade reduzida a moeda de troca, e virou as mesas dos comerciantes. Não foi um gesto de ódio. Foi um gesto de indignação. A mensagem era simples: a casa de De

Jornal Daki
há 18 horas


A Era das Imagens que Mentem
Por Mira Pimentel Arte Jornal Daki com IA Vivemos um tempo perigoso. Não porque a mentira nasceu agora. A mentira sempre existiu. O que nasceu agora foi a velocidade dela. A capacidade tecnológica de fabricar emoções em massa. De construir realidades paralelas com poucos cliques e alguma inteligência artificial. Hoje uma fotografia já não é mais prova de nada. Um vídeo já não é mais garantia de verdade. Uma voz já não pertence necessariamente ao corpo que ouvimos. E talvez es

Jornal Daki
28 de mai.


O Evangelho Segundo os Mercadores
Por Mira Pimentel Arte: Jornal Daki com IA Houve um tempo em que eu sabia reconhecer um evangélico pela delicadeza. Não pela roupa. Não pelo grito. Não pela performance pública da fé. Era pelo jeito de tratar as pessoas. Quarenta anos atrás, um “crente” era alguém que carregava uma espécie de santificação silenciosa. Sem generalizar — porque golpistas existem em qualquer instituição, até dentro das famílias — havia entre muitos deles uma sinceridade difícil de encontrar hoje.

Jornal Daki
21 de mai.


O Filme do Mocinho
Por Mira Pimentel Arte: Jornal Daki com IA “Aqueles que gritavam contra o sistema…” No fim, talvez o sistema só tivesse trocado de gravata. E eis que surge o mocinho da pátria.Nem sei mais qual número ocupa na escadinha dos filhos do capitão — três, quatro, cinco? Pouco importa. No bolsonarismo familiar, parecem temporadas de uma série confusa onde os personagens vivem repetindo o mesmo roteiro: gritos, patriotismo performático e algum escândalo financeiro no intervalo comerc

Jornal Daki
14 de mai.


O Zorro, Ali Babá e os Heróis de Revista
Por Mira Pimentel Foto: reprodução O Rio de Janeiro acorda todos os dias parecendo um capítulo escrito por um roteirista cansado, irônico e apaixonado por plot twist. Quando a gente pensa que já viu de tudo, surge mais uma operação policial, mais um figurão levado para depor, mais uma mala, mais um áudio, mais um “não fui eu” com cara de “talvez eu tenha sido”. E no meio dessa novela tropical nasce uma figura curiosa: o tal do Zorro Garotinho. Não aquele do cavalo pre

Jornal Daki
7 de mai.


Ordem, Memória e a Nave
Por Mira Pimentel Jornal Daki com IA Há um momento curioso na vida pública do Rio de Janeiro em que certas palavras voltam a circular com elegância nos corredores do poder. “Ordem”, por exemplo. Ela chega bem vestida, com discurso alinhado, prometendo arrumar gavetas, limpar excessos, reorganizar o que por tanto tempo pareceu entregue ao improviso. É uma palavra bonita. Sedutora até. Mas o carioca — esse que já viu de tudo um pouco — aprendeu a desconfiar de palavras que cheg

Jornal Daki
30 de abr.


Entre a espada e a feijoada
Por Mira Pimentel Reprodução Hoje é dia de São Jorge.E o Rio acorda com fé, com festa… e com panela no fogo. Tem samba no ar, tem gente de branco, tem promessa sendo renovada e, claro, tem feijoada — farta, quente, compartilhada como abraço coletivo. O carioca sabe celebrar como poucos. Celebra com o corpo inteiro, com riso largo, com fé que dança. Mas hoje… eu quis ir um pouquinho além do prato. Porque São Jorge não é só o santo do cavalo e da espada. Ele é símbolo de corage

Jornal Daki
23 de abr.


Ciclos: A Sala de Aula da Vida
Por Mira Pimentel Nasci há 59 anos — e não foi apenas o tempo que passou por mim. Fui eu quem passei por ele, atravessando ciclos como quem percorre estações de um trem que nunca para. Na infância, aprendemos sem perceber. Absorvemos o mundo como terra fértil, sem filtro, sem defesa. Crescemos acreditando que os vínculos são eternos, que os afetos são absolutos, que a vida é uma linha reta. Mas não… a vida é curva, espiral, retorno e reinício. Com o tempo, os ciclos começam a

Jornal Daki
16 de abr.


A Ilusão de Entrar no Outro
Por Mira Pimentel Jornal Daki com IA Há um momento da vida em que a gente descobre que ninguém entra em ninguém. E não é por falta de vontade. É por limite. Eu cresci acreditando que a humanidade era uma extensão de mim. Que sentir era uma linguagem comum. Que bastava abrir a porta — e o outro pisaria no meu chão com o mesmo cuidado que eu pisaria no dele. Mas não. As pessoas entram…e ficam na sala. Não atravessam o corredor. Não chegam nos quartos onde a alma respira diferen

Jornal Daki
9 de abr.


Quinta-feira de Travessia
Por Mira Pimentel Imagem: Jornal Daki com IA Há uma travessia silenciosa acontecendo hoje. Quinta-feira. Véspera daquilo que o mundo chama de dor, mas que, no fundo, sempre foi revelação. Cristo ainda está na cruz. Não apenas naquela história antiga que muitos repetem…mas nas pequenas escolhas de todos os dias. Ele segue crucificado nas mentes endurecidas, no egoísmo que cresce como mato alto, na acumulação que sufoca o outro, na indiferença que passa apressada e não olha. A

Jornal Daki
2 de abr.


Quem Tirou Amora do Lugar?
Por Mira Pimentel Imagem: reprodução Caminhava pela orla numa dessas manhãs em que o vento parece conversar com a gente. O mar estava calmo, mas não silencioso. Havia um tipo de movimento ali — constante, profundo — que não pede licença para existir. Foi nesse vai e vem das ondas que Amora me veio. Não como lembrança solta. Mas como história. Dizem que Amora saiu. Mas quem diz isso talvez não tenha entendido direito. Amora não saiu. Amora foi deslocada. E essa diferença — que

Jornal Daki
26 de mar.


O Homem que Queria Voltar para Casa
Por Mira Pimentel Imagem gerada por IA Dizem que ele já vestiu farda. Mas não aquela que protege —aquela que honra. Dizem que vestiu…e não soube sustentar o peso. Na história que contam, meio baixa, meio atravessada, houve um tempo em que esse homem não entendeu o limite entre força e descontrole. E caiu. Não por acidente —mas por incapacidade de permanecer onde exige caráter. Depois disso, reinventou-se. Ou melhor…encenou-se. Criou para si uma imagem: forte,invencível,intocá

Jornal Daki
19 de mar.


8 de Março: Para que serve?
Por Mira Pimentel Gerado por IA Celebramos o Dia Internacional da Mulher . Houve flores, mensagens nas redes sociais, discursos bem ensaiados e fotografias de autoridades ao lado de mulheres sorridentes. Mas, no cotidiano das ruas, a realidade continua outra. A misoginia segue viva. A violência contra as mulheres cresce em proporções que já não cabem nas estatísticas frias dos relatórios. E então surge a pergunta inevitável: o que realmente mudou? Não quero que a defesa das m

Jornal Daki
12 de mar.


Marielle Vive
Por Mira Pimentel Gerada por IA Em um país acostumado a silenciar mulheres — especialmente mulheres negras, periféricas, dissidentes — Marielle Franco não foi apenas um nome. Foi ruptura. Nascida na favela da Maré, socióloga, mãe, mulher negra, eleita vereadora no Rio de Janeiro, ela transformou o espaço institucional em território de denúncia. Falava de igualdade racial, de direitos humanos, de dignidade para mulheres, para a população LGBTQIAPN+, para moradores de favela —

Jornal Daki
26 de fev.


O Último Lugar que Não Diminui Ninguém
Por Mira Pimentel Gerada por IA O Carnaval é o maior espetáculo popular do planeta. E ele tem sotaque brasileiro, suor carioca e brilho de avenida. O Carnaval do Rio de Janeiro não é apenas festa. É indústria criativa. É resistência cultural. É tambor que pulsa identidade. Em 2026, foi considerado um dos maiores da história do Brasil. Estimativa de R$ 18,6 bilhões movimentados na economia. Fluxo recorde de turistas nas principais cidades. Hotéis lotados. Ambulantes sorrindo.

Jornal Daki
19 de fev.


O novo Navio Negreiro
Por Mira Pimentel Arte original por Raquel Batista/Via RioOnWatch Castro Alves ainda grita. E quem pensa que ele silenciou, não escuta o tempo. Seu brado atravessa séculos, ecoando agora nas ruas quentes do Rio, onde a liberdade continua sendo promessa e a justiça, um ensaio em construção. Mudaram os navios, mas a travessia continua. Antes, corpos acorrentados cruzavam oceanos. Hoje, multidões atravessam a vida presas a um sistema financeiro que escraviza sem correntes, mas c

Jornal Daki
12 de fev.


Quando Kafka Gritou — e Ainda Grita
Por Mira Pimentel Gerado por IA Quando A Metamorfose foi lançada, no início do século XX, o mundo ainda tentava compreender o impacto daquela imagem brutal: um homem que acorda transformado em inseto. O choque não estava apenas na estranheza da cena, mas na revelação silenciosa que ela carregava. Algo estava errado no modo como a sociedade passava a enxergar o indivíduo. Críticos se dividiram. Alguns viram ali uma obra sombria demais. Outros perceberam um retrato antecipado d

Jornal Daki
5 de fev.


Quando o céu não escolhe lados
Por Mira Pimentel Foto: reprodução Correu a notícia de que um raio atingiu fiéis em Brasília. Não um raio bíblico, desses que escolhem culpados, mas um raio comum — desses que lembram que o céu não faz campanha. Ainda assim, houve quem visse sinal. E talvez seja mesmo. Não de punição divina, mas de confusão humana. Chamo-os de irmãos — irmãos equivocados. Gente lavada não pela chuva, mas por discursos. Discursos que misturam fé com planilha, oração com rachadinha, esperança c

Jornal Daki
29 de jan.


Um Quilo de Feijão (ou Sobre o Que Restou do Caráter)
Por Mira Pimentel Arte: Jornal Daki Ainda está escuro quando eles saem. O dia nem abriu os olhos e já exige tudo: tempo, corpo, obediência, silêncio. Há quem venda a força física, há quem alugue a própria consciência, há quem entregue a vida prazerosa em parcelas longas , tudo em troca do essencial. Às vezes, apenas de um quilo de feijão. As pessoas comuns carregam histórias distintas, mas dividem o mesmo peso. Nem todos têm o mesmo caráter, nem a mesma coragem. Alguns ainda

Jornal Daki
22 de jan.


RJ-104: quando o trânsito para, a cidade sangra
Por Mira Pimentel Arte Jornal Daki a partir de foto de Fabiano Rocha / Agência O Globo A RJ-104 não é apenas uma rodovia. Ela é o pulso diário de São Gonçalo. Por ela passam trabalhadores, estudantes, mães, idosos, sonhos apressados e cansaços antigos. E é justamente quando esse pulso falha quando o trânsito trava que a cidade adoece. Na bifurcação de Manilha, o cenário se repete como um ritual conhecido: paradas constantes, congestionamentos longos, carros imóveis. E onde

Jornal Daki
15 de jan.
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