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O sonífero do cotidiano
Por Mira Pimentel Foto: Jornal Daki com IA A cada momento da vida existe uma lição. Uma lição deveras particular, dessas que não servem para ninguém além de nós mesmos. O problema é que quase nunca estamos acordados para percebê-la. Vivemos. Acordamos, trabalhamos, resolvemos problemas, pagamos contas, respondemos mensagens, fazemos planos, nos preocupamos com o amanhã e repetimos, no dia seguinte, quase tudo outra vez. E chamamos isso de vida. Talvez seja. Mas talvez seja ta

Jornal Daki
há 1 hora


O abismo nas telas
Por Mira Pimentel Foto: Jornal Daki com IA Tenho aprendido a ler o cotidiano pelos olhos das pessoas. Procuro nos rostos aqueles antigos espelhos que refletiam outros rostos. Procuro o encontro, a presença, a humanidade. Mas, cada vez mais, encontro telas. O celular, silenciosamente, deixou de ser ferramenta. Tornou-se protagonista. Está na palma das mãos, nas mesas, nas filas, nos encontros, nas famílias, nos silêncios. Está roubando minutos, horas, dias e talvez pedaç

Jornal Daki
27 de ago.


Quando um grito não encontra ouvidos
Por Mira Pimentel Foto: Jornal Daki com IA Um adendo necessário. Antes de começar esta crônica, preciso fazer uma ressalva. Talvez muitos leitores deste jornal nunca tenham ouvido falar de Hugo. Sua história não ocupou as páginas dos grandes jornais, não ganhou manchetes, não se transformou em assunto nacional. Mas ela circulou, chegou a espaços de defesa e acolhimento da população LGBTQIA+ em Maricá e, de alguma maneira, chegou até mim. Não escrevo, portanto, como quem pre

Jornal Daki
20 de ago.


O super-herói, os cupins e a prateleira do supermercado
Por Mira Pimentel Foto: Jornal Daki com IA Confesso: estou diante de uma grande surpresa. Há momentos em que a política nos obriga a olhar novamente para aquilo que julgávamos conhecer e admitir que, talvez, ainda existam perguntas sem respostas. Existe um antigo ensinamento bíblico que atravessa os séculos: quando os justos governam, o povo se alegra; quando os maus dominam, o povo geme. Eu acrescentaria, por conta própria: quando um sábio governa, a máquina pública pode res

Jornal Daki
13 de ago.


O jardim que ninguém vê
Por Mira Pimentel Foto: Jornal Daki com IA Existe uma tristeza silenciosa que mora nos jardins abandonados. Não falo apenas daqueles que ficam do lado de fora das casas. Refiro-me ao jardim invisível, aquele que cada um cultiva dentro de si. Ali florescem a serenidade, a coragem, a esperança e até o silêncio necessário para enfrentar os dias difíceis. Quem não cuida do próprio jardim acaba sem lugar para descansar os pés da alma. É impossível experimentar a beleza das flores

Jornal Daki
6 de ago.


Retrato ao Luar... e à Luz do Dia
Por Mira Pimentel Foto: Jornal Daki com IA Comecei o dia com Cecília Meireles. Abri Retrato ao Luar e, como acontece com os grandes poetas, não encontrei apenas versos. Encontrei um espelho. "Meus olhos ficam nesse parque..." Fechei o livro por alguns instantes e deixei os olhos passearem pelo parque da vida real. Não havia luar. Havia filas, preços, contas e gente fazendo contas para sobreviver. A poesia permanece. A realidade também. Talvez por isso Cecília continue tão a

Jornal Daki
30 de jul.


A luz que permanece
Por Mira Pimentel Arte Jornal Daki com IA Há pessoas que passam pela Terra ocupando um espaço. Outras, porém, tornam-se espaço dentro de nós. Ao saber do documentário sobre Preta Gil, pensei menos na artista e mais na mulher. Na mulher que escolheu viver sem pedir licença, que fez do próprio corpo uma bandeira de aceitação, da própria voz um abrigo para quem nunca se sentiu pertencente e do amor uma insistência, mesmo quando o amor lhe devolveu espinhos. Sua existência parece

Jornal Daki
23 de jul.


O Vazio Também Vota
Por Mira Pimentel Arte Jornal Daki com IA Hoje sentei diante da folha em branco e, pela primeira vez em muito tempo, não encontrei um assunto. O vazio existencial pediu licença para entrar. Mas talvez esse seja justamente o assunto. Vivemos um tempo em que os acontecimentos são tão intensos que já não conseguimos distingui-los da propaganda. A verdade passou a disputar espaço com versões cuidadosamente embaladas para agradar torcidas. Ontem, confirmou-se mais um capítulo da

Jornal Daki
16 de jul.


Depois da Copa
Por Mira Pimentel Arte Jornal Daki com IA Durante alguns dias fomos um só coração. Milhões de brasileiros pararam diante da televisão. Abraçaram desconhecidos, sofreram juntos, comemoraram juntos. Não perguntamos em quem o outro votou. Não importava sua religião, sua profissão, sua renda ou a cidade onde morava. Éramos apenas uma torcida. A Copa terminou. Mas seria um desperdício deixar morrer essa capacidade tão bonita de desejar, em uníssono, a vitória de alguma coisa. Ag

Jornal Daki
9 de jul.


A política dos abraços
Por Mira Pimentel Arte: Jornal Daki com IA Há quem diga que a vida é feita de grandes acontecimentos. Eu desconfio que ela seja feita, sobretudo, de pessoas. São elas que dão contorno aos nossos dias. São as amizades que chegam sem pedir licença, os afetos que permanecem quando o mundo parece desabar, os encontros improváveis que nos lembram que ainda vale a pena acreditar na humanidade. Nenhum patrimônio é mais valioso do que uma mão que nos alcança antes da queda. Vivemos n

Jornal Daki
2 de jul.


Não Há Mais Daqueles Dias
Por Mira Pimentel Arte Jornal Daki com IA Há poemas que envelhecem conosco. Não porque fiquem antigos, mas porque passam a nos compreender melhor do que nós mesmos. Foi essa sensação que tive ao reler "Não Há Mais Daqueles Dias Extensos", de Cecília Meireles. A pergunta que o poema me deixou não é literária. É profundamente humana. Quando foi a última vez que você esperou um entardecer sem olhar para o relógio? Quando acompanhou, sem pressa, o amadurecimento de uma fruta no q

Jornal Daki
25 de jun.


Quando a Política Esquece o Povo
Mira Pimentel Foto: reprodução / Arte: Jornal Daki Há momentos em que a política deixa de ser um instrumento de construção e passa a ocupar o espaço da discórdia permanente. O Brasil vive um desses momentos. Enquanto milhões de brasileiros acordam preocupados com o preço dos alimentos, com o emprego, com a qualidade da saúde pública, da educação e da segurança, parte da classe política continua alimentando uma guerra que parece não ter fim. As recentes movimentações da famíli

Jornal Daki
18 de jun.


O Dia dos Namorados e o Eleitor Carioca
Por Mira Pimentel Arte: Jornal Daki com IA Chegou mais um Dia dos Namorados. As vitrines estão cheias de corações vermelhos, promoções de jantares românticos e promessas de amor eterno. As redes sociais se enchem de declarações apaixonadas, fotografias cuidadosamente escolhidas e frases que garantem que, desta vez, será para sempre. Enquanto isso, do lado de fora das floriculturas, a gasolina continua subindo. O saco de cimento continua mais caro. O aluguel aperta. O superm

Jornal Daki
11 de jun.


Quando Jesus virou as mesas
Por Mira Pimentel Reprodução Há uma cena do Evangelho que sempre me provoca. Não é Jesus multiplicando pães. Não é caminhando sobre as águas. Não é realizando milagres diante da multidão. É Jesus irritado. Sim, irritado. Aquele homem conhecido pela mansidão entrou no templo, viu a fé transformada em negócio, a espiritualidade reduzida a moeda de troca, e virou as mesas dos comerciantes. Não foi um gesto de ódio. Foi um gesto de indignação. A mensagem era simples: a casa de De

Jornal Daki
4 de jun.


A Era das Imagens que Mentem
Por Mira Pimentel Arte Jornal Daki com IA Vivemos um tempo perigoso. Não porque a mentira nasceu agora. A mentira sempre existiu. O que nasceu agora foi a velocidade dela. A capacidade tecnológica de fabricar emoções em massa. De construir realidades paralelas com poucos cliques e alguma inteligência artificial. Hoje uma fotografia já não é mais prova de nada. Um vídeo já não é mais garantia de verdade. Uma voz já não pertence necessariamente ao corpo que ouvimos. E talvez es

Jornal Daki
28 de mai.


O Evangelho Segundo os Mercadores
Por Mira Pimentel Arte: Jornal Daki com IA Houve um tempo em que eu sabia reconhecer um evangélico pela delicadeza. Não pela roupa. Não pelo grito. Não pela performance pública da fé. Era pelo jeito de tratar as pessoas. Quarenta anos atrás, um “crente” era alguém que carregava uma espécie de santificação silenciosa. Sem generalizar — porque golpistas existem em qualquer instituição, até dentro das famílias — havia entre muitos deles uma sinceridade difícil de encontrar hoje.

Jornal Daki
21 de mai.


O Filme do Mocinho
Por Mira Pimentel Arte: Jornal Daki com IA “Aqueles que gritavam contra o sistema…” No fim, talvez o sistema só tivesse trocado de gravata. E eis que surge o mocinho da pátria.Nem sei mais qual número ocupa na escadinha dos filhos do capitão — três, quatro, cinco? Pouco importa. No bolsonarismo familiar, parecem temporadas de uma série confusa onde os personagens vivem repetindo o mesmo roteiro: gritos, patriotismo performático e algum escândalo financeiro no intervalo comerc

Jornal Daki
14 de mai.


O Zorro, Ali Babá e os Heróis de Revista
Por Mira Pimentel Foto: reprodução O Rio de Janeiro acorda todos os dias parecendo um capítulo escrito por um roteirista cansado, irônico e apaixonado por plot twist. Quando a gente pensa que já viu de tudo, surge mais uma operação policial, mais um figurão levado para depor, mais uma mala, mais um áudio, mais um “não fui eu” com cara de “talvez eu tenha sido”. E no meio dessa novela tropical nasce uma figura curiosa: o tal do Zorro Garotinho. Não aquele do cavalo pre

Jornal Daki
7 de mai.


Ordem, Memória e a Nave
Por Mira Pimentel Jornal Daki com IA Há um momento curioso na vida pública do Rio de Janeiro em que certas palavras voltam a circular com elegância nos corredores do poder. “Ordem”, por exemplo. Ela chega bem vestida, com discurso alinhado, prometendo arrumar gavetas, limpar excessos, reorganizar o que por tanto tempo pareceu entregue ao improviso. É uma palavra bonita. Sedutora até. Mas o carioca — esse que já viu de tudo um pouco — aprendeu a desconfiar de palavras que cheg

Jornal Daki
30 de abr.


Entre a espada e a feijoada
Por Mira Pimentel Reprodução Hoje é dia de São Jorge.E o Rio acorda com fé, com festa… e com panela no fogo. Tem samba no ar, tem gente de branco, tem promessa sendo renovada e, claro, tem feijoada — farta, quente, compartilhada como abraço coletivo. O carioca sabe celebrar como poucos. Celebra com o corpo inteiro, com riso largo, com fé que dança. Mas hoje… eu quis ir um pouquinho além do prato. Porque São Jorge não é só o santo do cavalo e da espada. Ele é símbolo de corage

Jornal Daki
23 de abr.
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