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A poesia vive no Teatro Armazém - por Mário Lima Jr.


Foto: Mário Lima Jr.
Foto: Mário Lima Jr.

Em noite de sarau no Teatro Armazém, em São Gonçalo, a beleza da arte venceu com folga a crueldade do cotidiano.


Romulo Narducci, poeta e apresentador do sarau “Viva a poesia viva”, iniciou o evento cumprimentando o público emocionado, afinal, a pandemia atrasou projetos culturais no mundo inteiro. Depois da rápida abertura, o primeiro artista foi convidado ao palco. A partir de então, cada poeta, músico, ator ou dançarino, do seu jeito, pegou a plateia pelos ombros, deu uma sacudida e disse “Vai, agora, construir um lugar melhor pra gente viver”.


Rodrigo Santos, primeiro a declamar, destacou a cidade de São Gonçalo na sua apresentação e a importância da arte na vida individual e coletiva, mesmo quando não percebemos esse valor. O sentimento, que nem sempre é positivo, marcou presença nas apresentações seguintes. Expressar o que sentimos nos mantém vivos, diz a ciência. O isolamento antecipa a morte. E o que os artistas no Teatro Armazém fizeram pelo público presente foi expor sentimentos que não verbalizamos, adiando o fim através da esperança.



Entre um poeta e outro, o palco teve apresentações de dança da escola Cenarte Dimensões, que surpreenderam este humilde ignorante pelo seguinte motivo: tanto quanto a poesia e a música, a dança pode expressar, muito bem, o estado de espírito brasileiro, em que a violência nos oprime e assassinatos horríveis, e chacinas, são praticados por quem deveria proteger a população. Mas, ao expressar a dor, expondo o mal sem pudor algum, toda forma de arte presente no Armazém deixou o público mais leve, com a certeza de que não está só no mundo, pronto para lutar contra as injustiças e tornar a vida mais bonita.


Se houve um ponto alto na noite, caso você faça questão de um, foi a declamação da poeta Suellen Ferreira. Porque antes de crescer no palco com sua poesia, a jovem ficou tímida, demorou a se aproximar do microfone, e o público aplaudiu forte pelo valor da inocência que muitos perdem ao longo do caminho. No final os aplausos foram tão intensos quanto no início, dessa vez pelo trabalho poético de Suellen.


Muitos outros artistas maravilhosos estiveram presentes. Inclusive Rheinaldo Baso, homenageado deste ano do Prêmio Cidadania Cultural, promovido pelo Festival Literário de São Gonçalo. Sobre Rheinaldo e sua performance, se a arte é a expressão do sentimento humano, o próprio Rheinaldo é aquilo que sentimos por inteiro, de repente vivo e de pé, sem intermediários ou vícios de manifestação. É preciso que você esteja vivo também e presente no Teatro Armazém para testemunhar.

 

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Mário Lima Jr. é escritor.



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