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Caso Marielle: as provas colhidas pela investigação que reforçam a versão do delator

Dados de celulares, pedido de táxi, postagem em rede social e registros de placas indicam que o relato de Élcio de Queiroz aos investigadores seria verdadeiro


Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

A versão apresentada pelo ex-policial militar Élcio de Queiroz a investigadores em uma delação premiada sobre o assassinato de Marielle Franco é corroborada por diversas provas colhidas pelos investigadores. Os detalhes constam na decisão do juiz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, que decretou a prisão preventiva de Maxwell Simões Corrêa e foram revelados pelo site UOL, que teve acesso ao documento nesta terça (25).


O primeiro ponto citado que reforça a versão apresentada na delação de Queiroz diz respeito ao planejamento do assassinato.


Segundo o delator, Ronnie Lessa e Suel - como é conhecido o ex- bombeiro Maxwell Simões - teriam feito uma campana nos dias 1 e 2 de fevereiro para acompanhar e registrar a rotina da vereadora. Os registros de Estações Rádio-Base (ERB) mostram que os dois ex-militares estavam no local e no Cobalt usado no monitoramento e depois no crime.


O registro da placa do carro (feito por OCR - Optical Character Recognition, um sistema de reconhecimento de caracteres por imagens usado para identificar a circulação de veículos) também foi usado pelos investigadores para confirmar a delação de Élcio de Queiroz.


Élcio de Queiroz contou, ainda, que, ao dirigir o veículo que seguia Marielle e Anderson Gomes no dia do assassinato, ele teria ficado preocupado com a velocidade com que o carro da vereadora se deslocava. Ele temia que não fosse alcançar o veículo, mas foi tranquilizado por Lessa, que sabia exatamente para onde Marielle se deslocava. No Cobalt, conta Queiroz, Lessa afirmou que a vereadora iria em um bar cuja dona havia sido agraciada por uma medalha. Eles então acessaram o perfil da vereadora e confirmaram se tratar do Dida Bar.



Após a confirmação do destino, com o carro de Marielle ainda em deslocamento, foi que Lessa pediu para que as janelas fossem alinhadas e efetuou os disparos. Queiroz diz ter ouvido a rajada de tiros, além de ter sentido cápsulas caírem no seu pescoço, mas alega que não viu se os tiros atingiram a vereadora. Após os disparos, disse, as cápsulas foram descartadas em uma linha de trem.


O Cobalt usado no crime foi escondido no Méier, na casa da mãe de Lessa, e os envolvidos no crime pegaram um táxi do esconderijo para um bar. O táxi, disse Queiroz, foi solicitado por Denis Lessa, irmão de Ronnie. Sobre este ponto, duas provas colhidas pelos investigadores comprovam o relato da delação. Primeiro, um ofício à Cooperativa de Táxi confirmou o pedido do veículo em nome de Denis Lessa próximo ao horário citado por Queiroz. Depois, aponta o juiz, há registro do deslocamento do delator da casa no Méier para o bar também no horário citado.


Por fim, a delação aponta também que, no dia seguinte ao crime, Maxwell e Ronnie voltaram ao Méier com a missão de descaracterizar o veículo usado para o ataque. A intenção era trocar a placa e limpar os vestígios do Cobalt escondido na casa da mãe do ex-policial.


Novamente, os registros de Estações Rádio- Base (EBR) e imagens da placa (OCR) reforçam a delação. O carro que vai rumo ao Méier, segundo a polícia, é o Evoque de Ronnie Lessa. Há também um registro de ligação telefônica de Suel para Edilson Barbosa dos Santos, conhecido como Orelha, que seria, segundo Queiroz, o responsável pela troca da placa. A ligação foi feita 30 minutos após Lessa e Maxwell chegarem ao local que Queiroz aponta na delação.


*Com informações Carta Capital


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