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Casos de Covid explodem no Japão enquanto Brasil sinaliza 'liberou geral' com ameaça Delta

Mesmo com mundo em alerta, semana no Brasil foi marcada por anúncios de relaxamento das medidas sanitárias

Paes afirmou que começaria a levantar as restrições em setembro/Foto: André Borges/AFP
Paes afirmou que começaria a levantar as restrições em setembro/Foto: André Borges/AFP

De Brasil de Fato - Embora venha registrando queda no ritmo de crescimento dos óbitos por covid-19 há quase dois meses, o Brasil encerra o mês de julho com mais mortes do que o que foi observado nos meses mais críticos do ano passado. Ainda assim, o relaxamento das medidas de prevenção é o foco atual das decisões governamentais.


Na semana que se encerra neste sábado (31), dois anúncios preocupantes foram feitos. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), informou que a partir de 17 de agosto vai suspender todas as medidas de restrição ao horário de funcionamento das atividades econômicas.



Já na cidade do Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PSD) disse que vai derrubar a obrigação do uso de máscara a partir de novembro. Além disso, a partir de setembro e em etapas, haverá liberação de público vacinado em estádios, casas de shows e boates.

As informações foram divulgadas no mesmo período em que o mundo todo reforça os alertas sobre uma nova onda de crescimento de casos, impulsionada justamente por determinações de abrandamento da quarentena e pela variante Delta, comprovadamente mais infecciosa.


No Japão, a capital Tóquio informou que teve recorde de casos por dois dias seguidos, na terça e na quarta-feira. A cidade é sede dos Jogos Olímpicos, que deveriam ter ocorrido no ano passado, mas foram adiadas por causa da pandemia.



Dos Estados Unidos vem outro alerta, a autoridade sanitária passou a recomendar novamente o uso de máscara em ambientes fechados mesmo para quem tem as duas doses da vacina. A justificativa é a presença cada vez maior da nova cepa no país.

Na quarta-feira (28), a diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) Carissa Etienne afirmou, "A covid-19 continua a ter um papel devastador" no continente. Na semana passada, houve o registro 1,26 milhão de casos e mais de 28 mil mortes.


Segundo a plataforma Our World in Data, o Brasil tem hoje menos de 20% da população totalmente imunizada. O índice é superior ao registro global. Ainda de acordo com a iniciativa, menos de 15% da humanidade teve acesso à vacina até agora.



São índices que não permitem o fim das medidas de isolamento com segurança, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Há meses a entidade esclarece que só será possível controle da pandemia com mais de 70% de vacinação, no mínimo.


Além disso, mesmo que esteja um pouco menos lento que o mundo na imunização, o Brasil segue atrás de nações que já estão mais avançadas e que agora estudam voltar atrás no liberou geral.



A médica emergencista Tainá Vaz, da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, considera os anúncios de Dória e Paes "precoces". Em conversa no podcast A covid-19 na Semana, ela pontua que a pandemia não acabou e que a variante Delta é perigosa.

"A imunização completa ocorre a partir das duas doses da vacina, com o período estipulado pelos laboratórios. Nós temos um ínfimo número de pessoas vacinadas e a maior parte das pessoas que estão circulando, não têm a vacinação completa", explica Tainá.


Ainda de acordo com a médica "definitivamente" há outras coisas que o poder público deveria ter outros objetivos neste momento. "Deveríamos estar acelerando a vacinação para tentar desacelerar a expansão da variante Delta", afirma.



Outras ações, já conhecidas, também estão na lista do que deveria ser prioridade: distanciamento social, restrição de circulação de pessoas e uso de máscara. Para ela a abertura e o relaxamento de medidas vão "na contramão do que deveria ser feito".


Negacionismo mortal

A semana também trouxe mais um elemento de preocupação em relação à vacinação. O governo dos Estados Unidos afirmou que o país vem observando uma "pandemia entre os não vacinados", com números crescentes.


Por parte da OMS, os alertas sobre os riscos altíssimos que a vacinação insuficiente traz ocorrem desde o início do ano. Na conta desse problema estão o negacionismo e a recusa em se vacinar em parte da população, mas também a desigualdade na garantia de imunizantes, que impacta principalmente nações com menor poder econômico.



Ao mesmo tempo, as manifestações de desconfiança sobre o imunizante continuam a fazer parte do discurso de influenciadores importantes. Nas Olimpíadas, por exemplo, o nadador estadunidense Michael Andrew declarou que não se vacinou por temer os efeitos do imunizante no organismo.


Aqui no Brasil, o ator global Juliano Cazarré causou polêmica ao dizer que não iria se vacinar, porque já pegou a covid-19, e portanto está imunizado, afirmação absolutamente rejeitada pela ciência e comprovadamente falsa.



Os casos movimentaram as redes sociais e as reações se dividiram entre apoio a repúdio. Para Tainá Vaz, o negacionismo e as teorias da conspiração são extremamente perigosas, "É muito triste que personalidades públicas continuem propagando inverdades e mentiras", afirma a médica.




"Acaba que pessoas leigas se sentem tocadas por aquela informação e isso inibe a vacinação. Os efeitos colaterais da vacina são esperados e os mais graves são minoria. As vacinas são seguras. Essa é a única forma que a gente tem para deter a doença", finaliza ela.

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