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Dia Nacional da Visibilidade Lésbica completa 25 anos e desafios persistem

Segundo ativista, violência se perpetua e cresce com o conservadorismo; "ainda estamos no processo de sermos visíveis"

Luta por direitos e políticas públicas: Lésbicas ainda enfrentam cotidiano de violência e invisibilidade - José Cruz©/Agência Brasil
Luta por direitos e políticas públicas: Lésbicas ainda enfrentam cotidiano de violência e invisibilidade - José Cruz©/Agência Brasil

De Brasil de Fato - Vinte e cinco anos depois do evento que daria origem à data, o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica (29 de agosto) segue a representação de lutas ainda antigas, mas que perduram no cotidiano. Entre elas está o combate à violência, à lesbofobia e ao lesbocídio, retratos de uma realidade que não mudou muito nas últimas duas décadas.


Segundo levantamento da Gênero e Número, empresa social dedicada ao jornalismo orientado por dados, uma média de seis mulheres lésbicas sofreram estupro a cada dia, no ano de 2017. O total de casos registrados superou 2,3 mil. Em mais de 60% dos crimes, não era a primeira vez que as vítimas sofriam a violência.



O Dossiê Lesbocídio no Brasil, criado por pesquisadoras do Núcleo de Inclusão Social (NIS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta crescimento da violência.

Dos 180 homicídios cometidos por preconceito de gênero contra lésbicas e registrados entre 2000 e 2017, 126 ocorreram somente entre 2014 e 2017.


Em entrevista ao programa Central do Brasil, a ativista Cinthia Abreu lamentou os números. "Aqui no Brasil, nós ainda estamos no processo de sermos visíveis", disse.



Cinthia integra a Marcha Mundial das Mulheres, a Marcha das Mulheres Negras e o Seminário Nacional de Lésbicas e Bissexuais. Ela ressalta que a lesbofobia é crescente no país.


"Isso acaba, muitas vezes e efetivamente, em agressão física. Mas ela não se dá apenas fisicamente. Ela se dá verbalmente, também se dá quando as mulheres lésbicas acabam se suicidando por conta do preconceito", alerta.



Ela conta ainda que o avanço do conservadorismo no Brasil coloca as lésbicas na linha de frente dos ataque aos direitos. "Antes, a gente estava falando de direitos, agora a gente está falando de vida. Isso a gente sente nas ruas, com xingamentos, com palavras grosseiras. Nos amedronta".


História

Em 29 de agosto de 1996, foi realizado no Brasil 1º Seminário Nacional de Lésbicas, que discutiu temas como a organização coletiva, saúde e visibilidade. Além de ter sido marco para criação do Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, o evento se firmou nos anos seguintes como palco de debate.



De lá, saíram discussões e reflexões importantes para a "busca por direitos e dignidade, pela livre expressão das sexualidades e pela diversidade de orientação sexual e identidade de gênero".


Até 2014 foram realizados sete encontros. Além da cidade do Rio de Janeiro, que recebeu a primeira edição, também foram realizados seminários em Salvador (BA), Betim (MG), Aquiráz (CE), São Paulo(SP), Recife (PE), Porto Velho (RO) e Porto Alegre(RS).