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Historiador José Murilo de Carvalho é velado na Academia Brasileira de Letras

O imortal da ABL morreu vítima de complicações decorrentes da covid-19


Foto: Arquivo ABL
Foto: Arquivo ABL

Amigos e familiares se despedem, na manhã desta segunda (14), do historiador José Murilo de Carvalho, de 84 anos, que está sendo velado no Salão dos Poetas Românticos da da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Centro do Rio. O corpo do acadêmico será enterrado no Mausoléu da instituição, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul.


Imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele morreu vítima de complicações decorrentes da covid-19 na madrugada do último domingo (13). Ele estava internado no Hospital Samaritano, no Rio.


O escritor Ruy Castro, também membro da ABL, esteve presente no velório do companheiro de academia e falou sobre sua importância na história brasileira. Segundo ele, sem “Zé Murilo”, como era carinhosamente chamado, podemos não “entender o que vai acontecer” com o Brasil.


"Não é preciso falar mais da importância do José Murilo de Carvalho. O reconhecimento que ele tinha nacional e internacionalmente nas universidades e tudo, porque ele contribuiu para o nosso entendimento do Brasil e o que que nós fomos, o que que nós somos, o que nós seremos. O que me preocupa é que, sem ele, como vamos fazer para entender o que vai acontecer conosco. O Murilo não estava muito otimista em relação ao Brasil, mas com a presença dele, a gente, talvez, soubesse atravessar esse longo período de dificuldade", contou.



Ainda em seu relato, Castro assumiu a felicidade em poder ter conhecido uma personalidade tão importante pessoalmente e a grande oportunidade que teve em estar perto do historiador. “Do meu ponto de vista, literalmente falando, na bancada da academia, ele era o que eu mais via a minha direita, estava praticamente de frente para mim e eu não conhecia pessoalmente até entrar na academia, em março do ano passado, e ele era um dos motivos de fazer eu me orgulhar de fazer parte dessa casa e também de sentir inveja pelo conhecimento dele, pelo que tinha dentro da cabeça dele. Eu tive a felicidade de falar isso para ele, há pouco mais de três semanas, da inveja que eu tinha do que se passava dentro da cabeça dele”.


Irmã de José Murilo, Ana Emília de Carvalho falou sobre o legado deixado pelo irmão não só para a família, mas para todos os brasileiros por meio de suas obras.


"Ele me ajudou muito na parte de organização de histórias de família. Nós fizemos quatro livros de histórias familiares. O que eu tenho a dizer como irmã, e por toda a minha família, é que a gente vai sentir muitíssimo a falta dele. Como irmão, era uma pessoa íntegra, honesta e caridosa também, solidária, isso que ele vai deixar pra nós como família", expôs.


Ana Emília, emocionada na despedida, lamentou o pouco tempo que tiveram juntos devido às ocupações do historiador, mas reitera que Zé Murilo foi um "ótimo irmão". "Nem sempre, a vida tumultuada dele, permitia que ele pudesse estar na nossa companhia”, disse.



O filólogo e escritor Ricardo Cavaliere, também imortal da ABL, foi outro companheiro do historiador que foi até o velório para dar seu último adeus. Para ele, a perda do amigo foi inesperada e bastante dolorosa.


“Estamos todos muito sentidos, é uma perda grande para o Brasil, um grande historiador, intelectual de primeira linha. Foi um falecimento inesperado para todos nós, embora soubéssemos que ele já vinha com uma doença de certa gravidade, mas participava aqui das reuniões e tinha sempre uma voz ativa, portanto estamos todos muito consternados e esperamos agora que o tempo, como o remédio que conhecemos de sempre, venha aplacar esse sofrimento, não só da academia, como da família e dos amigos do Murilo”, relatou.


Questionado sobre a história do amigo, Cavaliere expôs que espera que Murilo seja “realmente imortal”, por meio de suas obras e das interpretações de suas ideias. “O Zé Murilo foi um dos maiores historiadores, um grande especialista em império e tem várias obras publicadas de grande valor para uma opinião muito autorizada de questões de historiografia do Brasil e portanto deixa uma lacuna mas fica aí a obra dele. E eu acho que a principal homenagem que nós podemos fazer ao Zé Murilo é continuar a leitura de sua obra e interpretação de suas ideias. E fazer com que ele, através de seus livros, sua produção intelectual seja realmente imortal”.


O presidente ainda falou sobre a trajetória acadêmica de seu companheiro immortal. “O Zé Murilo de Carvalho era o nosso grande historiador da história recente brasileira. Ele estudou apela cultura brasileira.


“Ele era um grande apaixonado pela história e a academia perdeu muito, mas a cultura brasileira perdeu muito mais”, relatou.


Suas influências na sociedade brasileira, estudou a influência dos militares do poder brasileiro, ele fez análises da situação atual da política brasileira, da atualidade, com base nesses estudos do passado desde o império, ele escreveu livros sobre essa transição do império para a república e todas as questões da república brasileira que não não foram concluídas”.



História


Nascido em Andrelândia, Minas Gerais, José Murilo de Carvalho é considerado um dos maiores historiadores e intelectuais brasileiros. Foi bacharel em sociologia e política pela UFMG, mestre em ciência política pela Universidade de Stanford, na Califórnia, onde defendeu tese sobre o Império Brasileiro.


Também atuou como professor e pesquisador visitante nas universidades de Oxford, Leiden, Stanford, Irvine, Londres, Notre Dame, no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, e na Fundação Ortega y Gasset, em Madrid. Foi professor emérito da UFRJ e pesquisador emérito do CNPq.


Eleito para a ABL em 2004, ocupava a cadeira nº 5. Escreveu 19 livros, entre eles “A Formação das Almas”, “A cidadania no Brasil”, e “Os bestializados”. Fazia parte também da Academia Brasileira de Ciências.


*Com informações O Dia


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