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Menina morta pelo pai em Niterói sofria tortura, diz delegado

Lesão na coluna cervical pode ter provocado morte de A.A.R.D, de 8 anos que foi espancada pelo pai, preso por homicídio qualificado


Ilias Olachegoun Adeniyi Adjafo, de 30 anos, já tinha anotação por lesão corporal contra mãe da criança - Foto: Reprodução
Ilias Olachegoun Adeniyi Adjafo, de 30 anos, já tinha anotação por lesão corporal contra mãe da criança - Foto: Reprodução

As investigações da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) apontaram que a menina de 8 anos morta pelo próprio pai vinha sofrendo tortura. O crime aconteceu na noite desta segunda (11), no bairro São Lourenço, em Niterói, quando A.A.R.D foi espancada dentro da casa em que moravam, na comunidade do Boa Vista. Natural do Benin, na África, Ilias Olachegoun Adeniyi Adjafo, 30, foi preso em flagrante. 


De acordo com a Polícia Civil, o exame do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a menina apresentava inúmeras lesões nas costas, tórax, braços e face, provocadas por ação contundente. Durante a perícia no local do crime, um cinto que teria sido usado nas agressões foi apreendido. O delegado Willians Batista afirmou que as lesões encontradas no corpo de A.A não ocorreram apenas na segunda-feira, o que indica que ela era vítima de tortura. 



"Ele, claramente, agrediu a filha diversas vezes. Eu, particularmente, posso dizer que em dez anos, muitos deles trabalhando com homicídio, eu nunca tinha visto aquela intensidade de lesões. Lesões espalhadas pelo corpo inteiro dela, lesões que, após conversar hoje com o perito legista, a gente consegue afirmar que não foram ocorridas apenas do dia de ontem, tinham lesões que chama de idades diferentes, o que indica que ela já vinha sofrendo esse tipo de tortura. Esse é o nome, não é correção, não é lesão, não é exagero, é tortura mesmo o que vinha acontecendo", afirmou o titular da DHNSG. 


Ainda segundo Batista, a suspeita é de que uma lesão na coluna cervical causou a morte. "O que aconteceu não foi uma correção, que já seria equivocado, um erro, o que aconteceu foi uma prática de tortura. É o que mostra, sobretudo, o elemente principal desse caso, que é o laudo do IML. Após essa conversa preliminar com o médico legista, foi ainda mais constatado a intensidade dessas lesões. Também foi apurado que, até o presente momento, alguns exames ainda precisam ser feitos, mas a suspeita é de que ela tenha morrido em decorrência de uma lesão na coluna cervical". 



Na delegacia, Ilias não confessou o crime, não respondeu perguntas e decidiu ficar em silêncio durante o depoimento, mas se emocionou algumas vezes. Além dele, quatro testemunhas já foram ouvidas, sendo dois médicos do Samu. Um dos profissionais relatou que o pai teria dito que havia "batido um pouco" na filha. Uma outra pessoa contou que as agressões teriam ocorrido como forma de corrigir o comportamento da criança, porque ela teria furtado algo na escola, segundo uma professora. O inquérito ainda não foi concluído e a delegacia também vai investigar uma suposta perda de peso que a menina vinha sofrendo.


Segundo o delegado, todos que faziam parte do cotidiano de pai e filha, como funcionários da escola, vizinhos e familiares, serão ouvidos na especializada. O acusado foi autuado por homicídio qualificado por motivo fútil, praticado por meio de tortura e por a vítima ser filha dele. A.A era brasileira e morava há seis meses com Ilias no Boa Vista. Apesar de não haver relatos anteriores de violência, o homem já tinha uma anotação criminal por lesão corporal contra a ex-companheira, em 2015. Na ocasião, a menina tinha dois meses e estava no colo da mãe, no momento em que ela foi agredida.


*Com informações O Dia


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