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Mentir é feio - por Dimas Gadelha


Reprodução Internet
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“Mentir é feio, menino”. Quem nunca ouviu essa frase na infância, da mãe, vó ou da tia da escola, não é mesmo? Nós, que pertencemos à civilização cristã ocidental, temos uma relação ético-moral e religiosa muito profunda com a mentira. A figura do Diabo, como antítese de Deus, é considerada como o “pai da Mentira”, a representação de tudo que é falso e desprezível. Na literatura, quem não conhece a história de Pinóquio?



No ordenamento jurídico anglo-saxão, protestante, o crime de perjúrio (aquela mentira que se conta em juízo pra se safar do castigo) é considerado socialmente um dos mais vergonhosos e passível das penas mais severas, sobretudo nos EUA. Foi o perjúrio que quase pegou o Bill Clinton, lembra? Ele se safou do impeachment, mas sua reputação foi pras cucuias para sempre. Tendo como punição definitiva não ter conseguido eleger seu sucessor, Al Gore, em 2000.



A mentira, como sabemos, tem perna curta. Mas, até ser descoberta, pode causar muitos estragos, que talvez jamais sejam sanados. Vivemos uma epidemia da mentira no Brasil que está nos fazendo muito mal. Institucionalizada até. Nos 1.000 dias de governo Bolsonaro, por exemplo, levantamento de agências de checagem fez uma compilação de 3.989 afirmações mentirosas saídas da boca do presidente. Quase quatro por dia. Feitas com a cara de pau daqueles que já perderam toda a vergonha.



É a mentira como método. Uns até afirmam que feito como estratagema para tirar a atenção dos brasileiros das catástrofes de condução da economia e da pandemia da Covid-19, que chegou oficialmente aos 600 mil mortos nesta sexta (08/10). Uma tragédia de dimensões que ainda não mensuramos completamente.


A realidade não é um mero jogo de narrativas para que um lado ou outro possa se apropriar da verdade. E muito menos isso deve ser o modus operandi da política. Mentir sempre foi e será feio.

Dimas Gadelha é médico sanitarista, secretário de Gestão e Metas de Maricá e ex-secretário de Saúde de São Gonçalo.



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