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Poesia, indignação e resistência: por um currículo que seja emancipador

Por Hélida Gmeiner

O poeta Emicida/Foto: Divulgação
O poeta Emicida/Foto: Divulgação

Em tempos de reconstrução da cidadania e da dignidade do povo brasileiro, um artista brilhante e preciso, deveria ser parte essencial dos currículos da educação, básica e pública, especialmente. Um artista que enxerga e obriga a enxergar as desigualdades e os preconceitos, questionando e denunciando as estruturas do Estado brasileiro.


Nem tanto Leandro Roque de Oliveira, já que muito mais Emicida, músico rapper que se envolveu recentemente na campanha nacional do Governo Federal pela vacinação, dando exemplo da sua consciência.


O rapper esbofeteia violentamente a cara da elite escravocrata brasileira, mas faz isso usando muito mais que luvas de pelica, como se dizia nos tempos de minha mãe. Usa a rima preciosa e uma ampla reflexão social, racial, ambiental. Seus temas sempre primam pelo empoderamento das classes populares.



Sua rima, de linguagem riquíssima. Rebuscada e farpada, tem potencial para colocar em ebulição as consciências de jovens da periferia, ao mesmo tempo que lhes impõe ampliação linguística. Empodera, instrumentaliza e gera auto valorização. Seja quando questiona religiões que são fonte de enriquecimento de pastores, que exploram a fé como em Hoje Cedo:


"A sociedade vende Jesus, por que não ia vender rap?

O mundo vai se ocupar com seu cifrão. Dizendo que a miséria é quem carecia de atenção"


Ou quando alfineta o capitalismo individualista e competitivo, não sustentável com os versos de Passarinhos:


"Competição em vão que ninguém vence. Pense num formigueiro, vai mal quando pessoas viram coisas, cabeças viram degraus".


Ou ainda, quando denuncia a morte de jovens negros e periféricos pelo estado e a exploração deturpada desse extermínio como reforço racista escravocrata em Boa Esperança:


"Vence o Datena, com luto e audiência

Cura baixa escolaridade com auto de resistência, pois na era cyber, 'cês vai ler os livro que roubou nosso passado, igual Alzheimer",


tratando inclusive da invisibilidade histórica do negro no Brasil.


Trouxe apenas três exemplos de uma riquíssima obra do Rapper. Como uma provocação para um mergulho, ao mesmo tempo desconcertante e empolgante. Mas advirto, é uma experiência transformadora!


Que obras assim, periféricas e conscientes sejam incluídas no currículo educacional brasileiro de fato, um novo currículo nascido e comprometido com um Brasil que o Brasil não quer, mas precisa…


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Hélida Gmeiner Matta é professora da Educação Básica da rede pública. Pedagoga, Especialista em alfabetização dos alunos das classes populares, Mestre em Educação em Processos Formativos e Desigualdades Sociais e membra do Coletivo ELA – Educação Liberdade para Aprender.


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