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Presos retornam e dão justificativas: 'trânsito intenso' e 'sem dinheiro para a passagem'

VEP irá analisar caso a caso e decidirá se detentos perderão benefícios ou serão punidos


Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil



De 20 minutos a três dias de atraso. Seis detentos beneficiados com a Visita Periódica ao Lar (VPL) no fim do ano, que deveriam retornar ao presídio às 22h do dia 30 de dezembro, não conseguiram chegar a tempo. Dois deles tocaram a campainha de suas unidades com 20 minutos de atraso pelo mesmo motivo: trânsito intenso na Avenida Brasil, principal via de acesso às cadeias de Gericinó, em Bangu.


Ambos eram primários, ou seja, foram presos pela primeira vez, e ganharam a chance de entrar na lista do "saidão" de Natal. Também cumpriam pena no regime semiaberto e tinham em suas fichas comportamento considerado bom. R, por exemplo, vinha de Itaocara, no noroeste do estado. A casa da família fica a cerca de 300 quilômetros do Instituto Penal Plácido Sá Carvalho. Já C. era oriundo de Queimados, na Baixada Fluminense.



Os seis presos pediram que fossem aceitos de volta. Como se apresentaram espontaneamente, caberá à Justiça decidir se eles perderão ou não perder os benefícios por não respeitarem o prazo determinado. R. cumpre pena por tráfico de drogas e, dos seis anos de condenação, resta-lhe a metade para cumprir. Como os demais, ele teme perder tudo que conquistou por conta de não ter chegado na hora. Atrasos motivados pelo trânsito intenso é o mais comum. Há três na mesma situação. Todos, comprovadamente, moram longe dos presídios onde cumprem a pena.


Também há o caso de um preso que alegou não ter tido dinheiro da passagem para retornar. Com residência em Campos dos Goytacazes, V. apresentou como justificativa por chegar dois dias depois do estipulado ao presídio, ter precisado pedir à família que pagasse sua condução. V. foi condenado a 15 anos por roubo e sua pena remanescente é de cinco anos e nove meses. Outro condenado por roubo, L já cumpriu quase 12 anos dos 31 anos de pena.



Ele alegou que se sentiu mal e ficou internado na UPA de São Gonçalo, só tendo condições de chegar ao presídio no dia 3 de janeiro, ou seja, três dias de atraso. Houve o caso de um preso entregue pela própria mãe, para não perder benefícios. Os seis presos estão isolados aguardando a decisão do juízo da Vara de Execuções Penais (VEP).



A fuga de 253 dos 1.785 presos beneficiados pela VPL, autorizados pela Justiça fluminense, fez com que a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) desse início à recaptura de detentos. Do total de apenados que saíram da cadeia às 6h do dia 24 de dezembro e retornaram em 30 do mês passado, conforme determinado pela Justiça, 57 eram de alta periculosidade e 3 considerados de altíssima. As informações constam no relatório de informações enviado pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) ao deputado Márcio Gualberto (PL), presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O documento com as resposta da Seap foram entregues na sexta-feira (05). Há dois dias, a Casa havia requisitado as respostas à Seap sobre os apenados que deixaram a cadeia para o chamado "saidão" de Natal.


Entre os fugitivos, a maioria é da facção Comando Vermelho (CV), com 143 evadidos, seguido de 42 considerados neutros — os que não pertencem à facção alguma —, 42 do Terceiro Comando Puro (TCP) e 25 dos Amigos dos Amigos (ADA).


Entre os de altíssimo grau de periculosidade estão: Paulo Sério Gomes da Silva, o Bin Laden; Saulo Cristiano Oliveira Dias, o SL; e William da Silva. Os dois primeiros comandaram o tráfico da favela Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul, e o Morro do Chapadão, em Costa Barros, na Zona Norte. Há cinco mulheres no grupo de foragidas, sendo duas de alta periculosidade.


*Com informações Extra


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