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Vai, otário! Prefeitura cancela show de sertanejo, mas vai ter que pagar cachê integral. Entenda

Artistas, que já receberam metade do valor, irão receber mais 50% de multa contratual


Por Cláudio Figueiras

Gusttavo Lima/Foto: Divulgação
Gusttavo Lima/Foto: Divulgação

O fiofó da Anitta tem poder; tem poder o fiofó da Anitta. O prefeito da cidadde mineira de Conceição de Mato Dentro, Zé Fernando (MDB) gravou um vídeo neste sábado (28) anunciando que os shows milionários dos sertanejos bolsonaristas Gusttavo LIma e Bruno e Marrone estão cancelados.


A prefeitura, porém, terá que pagar o valor integral do cachê dos músicos como reza o contrato celcebrado com a equipe de produção dos artistas. As informações são do jornal O Tempo.


O valor cobrado por Gusttavo LIma foi de R$ 1,2 milhão. Já a dupla Bruno e Marrone cobrou R$ 520 mil para a apresentação que ocorreria na 30ª Cavalgada do Jubileu do Senhor Bom Jesus Do Matozinhos, em junho. Todos já receberam metade do cachê.


Como os shows foram cancelados, a prefeitura terá que pagar uma multa de 50% do valor cobrado em contrato. Fazendo com que, na prática, seja pago a totalidade dos cachês. A emenda saiu pior que o soneto.


A reviravolta se deu dias depois do cantor Zé Neto, da dupla com Cristiano, gerar polêmica ao criticar a cantora Anitta por ela supostamente usar a Lei Rouanet. "Aqui ninguém precisa de lei Rouanet não. Aqui os artistas são pagos diretamente pelo povo, não precisa de tatuagem no toba para aparecer, não", disse o sertanejo se referindo ao fiofó da Anitta.



No dia seguinte a imprensa repercutiu a fala do sertanejo num show na cidade de Sorriso, Mato Grosso, e descobriu que a prefeitura pagou à dupla R$ 400 mil para apresentação, gerando um processo de investigação coletiva sobre os cachês milionários pagos por municípios pequenos a artistas sertanejos. A prática, muito comum no Brasil, pode esconder um grande esquema de lavagem de dinheiro e corrupção.


Gusttavo Lima, o "Embaixador" é o campeão dessas contratações. Em Roraima, o Ministério Público já abriu investigação para saber em que circunstância foram pagos a ele R$ 800 mil de São Luiz, uma cidade de apenas 8 mil habitantes. Em Magé (RJ), o cantor abocanhou mais R$ 1 milhão, tudo sem licitação.


O dinheiro que pagou o cachê de Lima, em Conceição de Mato Dentro, vem de um fundo de compensação da mineração (CFEM) que só pode ser usado em saúde, educação e infraestrutura.


O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou uma Notícia de Fato sobre a contratação milionária de um show de Gusttavo Lima e de outros artistas pela Prefeitura de Conceição do Mato Dentro. O procedimento verifica se há elementos para iniciar uma investigação de fato.

 

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