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Caso Vasques-Combat Armor expõe violência como 'only business'

Por Helcio Albano

Reprodução TV Globo
Reprodução TV Globo

"O fascismo é fascinante e deixa gente ignorante fascinada." Esse verso de Humberto Gessinger, atual, atualíssimo, em sua perfeita compressão descritiva do mal-estar civilizatório capitalista, nos ajuda a entender uma pá de coisa. Principalmente o fenômeno bozonarista no Brasil: violento, estúpido e corrupto.


Ontem (26.jun.23) extensa reportagem do Jornal Nacional mostrou uma história que beira o surrealismo: empresa estadunidense de blindados, Combat Armor, abre em 2019 uma filial brasileira, na Barra da Tijuca, sob o comando de um picareta procurado pela Interpol que, por intermédio de Dudu 03 Bananinha, consegue acesso ao então diretor da PRF, Silvinei Vasques.



Ato contínuo, Vasques, já munido de novas atribuições da PRF em portaria assinada por Moro, libera edital para compra de R$ 30 milhões em blindados da empresa. O governo Castro, já sob o garrote da famiglia, homologa compra de R$ 20 milhões dos nauseabundos caveirões, feita por Witzel, que só saem da favela rebocados devido a problemas mecânicos de fabricação.


Malogrado o golpe das blitze nas estradas, e confirmada a derrota do chefe Bozo, Vasques pede aposentadoria da PRF e ganha como prêmio o emprego de vice-presidente da Combat Armor. Impressionante. Violência desmedida, "bandido bom é bandido morto", são apenas business, meus amigos. Ou sadismo de almas sebosas.


Hoje (27) O Globo, em editorial histórico, afirmou que a política da "guerra às drogas" deu errado. E que é preciso mudar porque os prejuízos são muito pesados.


Pois é.


Plus


A guerra às drogas reduz 4,2 meses na expectativa de vida dos brasileiros e representa um custo de R$ 50 bilhões anuais, ou 0,77% do PIB, segundo estudo publicado na semana passada pelo Ipea.


(...)


“O proibicionismo, e em particular a guerra às drogas, é a forma mais eficiente de desperdiçar recursos públicos e sociais”, afirma a publicação.



Bônus

E segue:


O estudo do Ipea afirma que o grande número de homicídios afeta o consumo e a geração de renda não apenas das famílias das vítimas, mas de toda a sociedade. É preciso, segundo Cerqueira, deixar de lado visões preconcebidas e tabus para debater alternativas no enfrentamento às drogas, como noutros países...


(...)


Pela lei em vigor, é crime adquirir, guardar ou transportar droga, não importando a quantidade.


(...)


A formulação sem sentido tem uma série de implicações. Uma das principais: como a lei não estabelece a quantidade de droga que distingue o usuário do traficante, deixando a interpretação ao sabor das inclinações de policiais e juízes, as cadeias estão cheias de cidadãos flagrados com pequenas quantidades de droga que não deveriam estar ali, ao lado de homicidas, estupradores, pedófilos e outros criminosos, gerando gastos para o Estado e servindo de mão de obra barata para o crime.


Bônus-Track

No melhor estilo miliciano de estado, depois de formada a "sociedade" com a Combat Armor, a PRF deixava à disposição em frente à empresa uma viatura para fazer sua segurança.


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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.


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