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Conceito do preconceito - por Rofa Araújo


Foto: Nadia Bormotova/Getty Images
Foto: Nadia Bormotova/Getty Images

O mundo vive, desde a sua criação, um processo de discriminação onde tudo é motivo para colocar alguém ou algo à parte em detrimento dos demais ao redor.


A raça é tratada de uma forma se for branca e de outra caso seja negra, “pele vermelha” dos indígenas, “pela amarela” da asiática etc. Como se a cor da pele externa é que definisse o melhor ou pior de uma pessoa. O que está por dentro, o mais importante, parece não ser levado tão em conta como deveria.

Esse “pré-conceito” acontece porque o ser humano tem a mania de avaliar o outro pela embalagem, ou seja, pelo exterior. A roupa, a conta bancária, o carro... ao medir somente isso, o erro é fatal pelo prejulgamento efetuado. Um “conceito” que é estabelecido por gente que taxa, carimba, uma pessoa pelo que ela acha que é ou “quer que seja” por interesse unicamente pessoal.

A Bíblia já nos advertia sobre isso quando afirma que “pois para com Deus não há acepção de pessoas” (Rm 2.11) e, ainda, o que acontece com quem pratica essa discriminação: “Mas se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo por isso condenados pela lei como transgressores” (Tg 1.9).

Julgar pela cor da pele que alguém negro tem um caráter e coração tão negro como ele mesmo não é nada correto, pois esta pode é ter um exterior de pele negra e por dentro ser branco de valores, enquanto quem tem pele alva como a neve pode ser mais manchada de preto do que de outra pessoa.

É simplesmente uma vergonha tratar o outro de forma discriminatória somente pela cor. Afinal de contas, um quadro que está em branco pode sempre estar presente na vida de todos, mas será valorizado e admirado pelas cores multiformes que pintam, dando formas únicas a uma obra de arte chamado MUNDO.

Se os “pintores” abusam de uma determinada tinta de certa cor, pode borrar, fazendo gritar o que pensa em mostrar. Assim, a vida expõe numa imensa galeria, aqueles que se misturam, saudavelmente, sendo mais que possível essa diversidade de matizes.

O preconceito está de tal forma enraizada na mente de todos que, ao avistar um casal onde ele ou ela é negro e outro branco, não falará o comentário ou mesmo o pensamento “O que será ele/ela viu nele/nela? Aposto que tem algum interesse!”. Um julgamento para lá de precipitado da mesma maneira quando “não gostamos de graça” de alguém e, ao conhecer mais tarde, dizemos “Mas fulano é tão legal!”.


Perdemos tempo demais com nossos conceitos sem o menor fundamento e não damos oportunidade nem a nós mesmos de conhecer este outro que, mesmo ao nosso lado, encontra-se mais distante do que nunca.




Viver no mundo é respeitar mesmo sem aceitar totalmente; é misturar-se mesmo que não aprove a combinação de cores; é ajudar não se importando o quanto diferente o outro lhe parece.


Se o mandamento de Jesus Cristo foi “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, como e o quanto temos amado quem está ao nosso redor? Temos demonstrado rejeição ou discriminação ao nos aproximar, escolher ou comentar sobre alguém bem diferente da gente? “Pagamos para ver” depois o que acontece ou “pagamos para não ver” por que não queremos arriscar ou mesmo correr o risco de ser rejeitado ou não aceito por pessoas que mais parecem da idade das cavernas?


O Deus que nos criou deu o exemplo que ele mesmo não prefere filho nenhum. Trata a todos igualitariamente, sem diferença. E olha que, por ser o Pai e criador, conhece bem a todos...


No final das contas, ser preconceituoso não faz bem nenhuma das partes. Nem a quem pratica a ação e nem quem a recebe. Quem não sabe viver e conviver com diversidades não sabe relacionar-se na coletividade. Onde tem de ser humano, ali tem diferença.


Ninguém é melhor que ninguém. As oportunidades podem não ser as mesmas para todas as pessoas, mas a força de vontade pode mover um ser a vencer. E se o conceito do preconceito não estiver bem entendido, a discriminação irá aparecer e prejudicará, e muito, a alguém nada tem a ver com a história.


Vamos viver em paz. Em paz com nossa mente e coração, livres de qualquer ranço que se arrasta por gerações que diziam ser melhores que as demais.


Só existe uma coisa que é igual em todo mundo: a sua diferença. E como temos convivido com essa diferença? Querendo que o outro seja igual ao jeito que pensamos e agimos ou analisando o que acontece e, pelo menos, respeitando essas diferenças e não sendo indiferente a tudo isso?

Vamos pensar mais antes de agir. Pelo menos umas dez vezes. Assim, não agiremos pela emoção que carrega “pré-conceitos” sem o menor cabimento e sem razões.

 

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Rofa Araujo é jornalista, escritor (cronista, contista e poeta), mestre em Estudos Literários (UERJ), professor, palestrante, filósofo e teólogo.