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Donatela
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Foto: Arte Jornal Daki com IA Na esquina da rua onde fica a casa em que moro, um grupo de travestis se reúne quase todas as noites e vendem momentos de prazer a quem se interessar possa. Todas as vezes em que eu passava por ali, vindo das madrugadas na quadra do GRESU Porto da Pedra, cumprimentava as meninas com um cordial boa noite, que respondiam com alegria o cumprimento. Elas sempre estão alegres, esteja o céu de mal humor, grita

Jornal Daki
há 2 horas


Em homenagem aos ultrapassados
Por Mira Pimentel Foto: Jornal Daki com IA Há pessoas que, depois de uma certa idade, começam a ocupar na casa um lugar parecido com o dos objetos antigos. Estão ali. Entre móveis, alimentos, roupas, fotografias, anéis, livros e outras coisas que um dia tiveram uso frequente, mas que agora parecem existir mais como memória do que como presença. São os ultrapassados. Aqueles que já não são vistos. Ontem, porém, eu vi alguns deles. E vi uma coisa que talvez a pressa do mundo te

Jornal Daki
há 5 dias


Tati
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulino Freitas Foto: Jornal Daki com IA Poucas pessoas que passaram pela minha vida foram ou são tão altivas como Tati. Ele nunca ligou para convenções ou crendices. A opinião dos outros era vista, analisada e colocada, na nossa época, num arquivo morto da mente. Hoje deletadas, sem julgamento, do HD mental para nunca mais serem lembradas. As crenças, da mesma forma, estudadas e seguidos os ensinamentos de cunho lógico, independente do viés apresent

Jornal Daki
há 7 dias


O sonífero do cotidiano
Por Mira Pimentel Foto: Jornal Daki com IA A cada momento da vida existe uma lição. Uma lição deveras particular, dessas que não servem para ninguém além de nós mesmos. O problema é que quase nunca estamos acordados para percebê-la. Vivemos. Acordamos, trabalhamos, resolvemos problemas, pagamos contas, respondemos mensagens, fazemos planos, nos preocupamos com o amanhã e repetimos, no dia seguinte, quase tudo outra vez. E chamamos isso de vida. Talvez seja. Mas talvez seja ta

Jornal Daki
10 de set.


Família unida é família feliz
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Foto: Jornal Daki com IA Já falei aqui da família de Leleti e do apreço que tenho por ela. Na minha infância e inicio de juventude pude testemunhar as tardes de sábado e os almoços de domingo. Aos sábados, depois de fazer a feira e tomar aquela gelada com os amigos ali na praça do Gradim, Leleti subia o Morro da Salga assobiando um samba do bom e pensando nos ingredientes para preparar aquela moqueca de peixe para o almoço de domingo

Jornal Daki
9 de set.


QUEM TEM O DIREITO DE DIZER QUEM EU SOU?
Uma pergunta à Parada, aos movimentos e a todos nós Foto: Reprodução Há uma pergunta que começou a me incomodar. Não nasceu de uma rejeição à diversidade. Nasceu justamente do contrário: da tentativa de compreender até onde pode ir a liberdade humana quando a própria liberdade começa a ser organizada em categorias. Vivemos uma época extraordinária. Depois de séculos em que pessoas foram perseguidas, humilhadas, violentadas e obrigadas a esconder seus afetos, sua sexualidade e

Jornal Daki
3 de set.


Será correto viver corretamente?
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Foto: Jornal Daki com IA Nemerinho lutou pela vida desde o nascimento. Foram sete longos meses pensando no que encontraria aqui fora. O parto foi tão de repente que a mãe teve que se valer da caridade alheia para as fraldas e agasalhos. Nasceu com dificuldades para respirar, com o cordão umbilical enrolado no pescoço, não se sabe como se salvou. O Pronto Socorro Central foi o lugar mais visitado por ele durante toda a infância e p

Jornal Daki
2 de set.


O abismo nas telas
Por Mira Pimentel Foto: Jornal Daki com IA Tenho aprendido a ler o cotidiano pelos olhos das pessoas. Procuro nos rostos aqueles antigos espelhos que refletiam outros rostos. Procuro o encontro, a presença, a humanidade. Mas, cada vez mais, encontro telas. O celular, silenciosamente, deixou de ser ferramenta. Tornou-se protagonista. Está na palma das mãos, nas mesas, nas filas, nos encontros, nas famílias, nos silêncios. Está roubando minutos, horas, dias e talvez pedaç

Jornal Daki
27 de ago.


Maria de Lourdes
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Foto: Jornal Daki com IA Abraão era primogênito de uma família evangélica na zona rural de São Gonçalo. O pai, muito severo, não permitiu que os filhos frequentassem a escola regular. Só aprenderam a ler para ter os ensinamentos bíblicos e não podiam brincar e nem frequentar lugares que não comungassem com a religião deles. Abraão era obediente e fiel escudeiro do pai, embora não concordasse com algumas passagens bíblicas, vivia se

Jornal Daki
26 de ago.


Quando um grito não encontra ouvidos
Por Mira Pimentel Foto: Jornal Daki com IA Um adendo necessário. Antes de começar esta crônica, preciso fazer uma ressalva. Talvez muitos leitores deste jornal nunca tenham ouvido falar de Hugo. Sua história não ocupou as páginas dos grandes jornais, não ganhou manchetes, não se transformou em assunto nacional. Mas ela circulou, chegou a espaços de defesa e acolhimento da população LGBTQIA+ em Maricá e, de alguma maneira, chegou até mim. Não escrevo, portanto, como quem pre

Jornal Daki
20 de ago.


Vale o escrito
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Foto: Jornal Daki com IA A mesma frase que serve como afirmação de “honestidade” pela contravenção no jogo do bicho, também é atribuída ao destino. Só vale o que ele escreveu, o que se sonha nem sempre se realiza e o que se batalha a vida toda para conseguir foge das mãos feito água ou o vento que se sente, mas não se pode pegar. Agora, o que ele escreve não tem jeito. É feito palavra que não se cala diante da dor, ou que não se fala

Jornal Daki
19 de ago.


O super-herói, os cupins e a prateleira do supermercado
Por Mira Pimentel Foto: Jornal Daki com IA Confesso: estou diante de uma grande surpresa. Há momentos em que a política nos obriga a olhar novamente para aquilo que julgávamos conhecer e admitir que, talvez, ainda existam perguntas sem respostas. Existe um antigo ensinamento bíblico que atravessa os séculos: quando os justos governam, o povo se alegra; quando os maus dominam, o povo geme. Eu acrescentaria, por conta própria: quando um sábio governa, a máquina pública pode res

Jornal Daki
13 de ago.


Sonho sonhado
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Foto: Jornal Daki com IA Rogerio da Silva é compositor, escritor e poeta. Seus escritos, cheios de sentimento - e, para alguns, utópicos à realidade - nunca fizeram sucesso ou agradaram alguém. Pelo menos ninguém demonstrava interesse. Ouviam, elogiavam, algumas pessoas até pediam para tocar outra vez, outras pediam a letra, mas gravar e editar mesmo que é bom, ninguém. O compositor quer cantar e ficar olhando a reação das pessoas

Jornal Daki
13 de ago.


O jardim que ninguém vê
Por Mira Pimentel Foto: Jornal Daki com IA Existe uma tristeza silenciosa que mora nos jardins abandonados. Não falo apenas daqueles que ficam do lado de fora das casas. Refiro-me ao jardim invisível, aquele que cada um cultiva dentro de si. Ali florescem a serenidade, a coragem, a esperança e até o silêncio necessário para enfrentar os dias difíceis. Quem não cuida do próprio jardim acaba sem lugar para descansar os pés da alma. É impossível experimentar a beleza das flores

Jornal Daki
6 de ago.


Conceição
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Foto: Jornal Daki com IA Conceição mora na esquina da rua que sobe para a rua de cima, partindo da rua de baixo, passando pela rua do meio. Na rua do meio morava Gilberto. Este brincava com todos os vizinhos, especialmente com a mãe de Conceição, Dona Menina, conhecida por toda a vizinhança, pegava restos de comida nas casas para dar aos poucos que criava. Todas as vezes que D. Menina passava Gilberto cantava: “D. menina mulher de

Jornal Daki
5 de ago.


Prevenir é melhor
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Foto: Jornal Daki com IA Jorge Rapá é meu amigo de infância. Gostava de pipas, balões, e todo tipo de brincadeiras de uma época sem computador, onde se inventava o que fazer. Fazíamos muita peraltice, como jogar pedras no cajaeiro da casa de d. Helena, pegar verduras na horta de seu Alziro e mais um monte de coisas que de vez em quando a vara de goiabeira cantava em nossas pernas. Assim fomos crescendo e quando a adolescência chegou

Jornal Daki
30 de jul.


A luz que permanece
Por Mira Pimentel Arte Jornal Daki com IA Há pessoas que passam pela Terra ocupando um espaço. Outras, porém, tornam-se espaço dentro de nós. Ao saber do documentário sobre Preta Gil, pensei menos na artista e mais na mulher. Na mulher que escolheu viver sem pedir licença, que fez do próprio corpo uma bandeira de aceitação, da própria voz um abrigo para quem nunca se sentiu pertencente e do amor uma insistência, mesmo quando o amor lhe devolveu espinhos. Sua existência parece

Jornal Daki
23 de jul.


Valcyr, o andarilho
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas ] Arte Jornal Daki com IA Alguns dizem que “o inferno é aqui. ” Outros, que, “aqui se faz, aqui se paga”. Pessoas mais amargas e vingativas sentenciam: “ninguém morre me devendo. ” Sei não. Tem pessoas que trapaceiam a vida toda e morrem de velhice, sem nunca terem pago nem os mais inocentes dos erros, que dirá os graúdos. Outros só porque pegou uma laranja no pomar do vizinho, passa a eternidade queimando na churrasqueira do “cão”

Jornal Daki
22 de jul.


O Vazio Também Vota
Por Mira Pimentel Arte Jornal Daki com IA Hoje sentei diante da folha em branco e, pela primeira vez em muito tempo, não encontrei um assunto. O vazio existencial pediu licença para entrar. Mas talvez esse seja justamente o assunto. Vivemos um tempo em que os acontecimentos são tão intensos que já não conseguimos distingui-los da propaganda. A verdade passou a disputar espaço com versões cuidadosamente embaladas para agradar torcidas. Ontem, confirmou-se mais um capítulo da

Jornal Daki
16 de jul.


Joana e Maria
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Foto: reprodução Joana era solteira e sozinha no mundo. Mesmo tendo a beleza, contra seu gosto, como inseparável companhia, vivia só. Não queria ninguém junto dela, nem amigos, nem amores. O único que tinha sua atenção durante vinte e quatro horas por dia era Espiridião, um gato preto de olhos verdes que passava a maior parte do tempo, quando ela não estava em casa, deitado no sofá, uma hora de patas para cima, outra hora de cabeça p

Jornal Daki
15 de jul.
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