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Quando a Política Esquece o Povo
Mira Pimentel Foto: reprodução / Arte: Jornal Daki Há momentos em que a política deixa de ser um instrumento de construção e passa a ocupar o espaço da discórdia permanente. O Brasil vive um desses momentos. Enquanto milhões de brasileiros acordam preocupados com o preço dos alimentos, com o emprego, com a qualidade da saúde pública, da educação e da segurança, parte da classe política continua alimentando uma guerra que parece não ter fim. As recentes movimentações da famíli

Jornal Daki
há 3 dias


Viola de tantos eus
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Arte: Jornal Daki com IA A música entrou cedo na minha vida. Minha avó gostava das cantorias de Clementina e as vezes arriscava uns passinhos de jongo na cozinha. Eu não entendia direito aquelas melodias, mas gostava. Meu pai perturbava o silêncio dominical, tocando um enorme reco-reco. Fora do ritmo, mas pelo menos o repertório era bom. Pela minha pouca idade e por querer ser igual aos diferentes, ouvia rock e um MPB mais rebuscado.

Jornal Daki
há 4 dias


O Dia dos Namorados e o Eleitor Carioca
Por Mira Pimentel Arte: Jornal Daki com IA Chegou mais um Dia dos Namorados. As vitrines estão cheias de corações vermelhos, promoções de jantares românticos e promessas de amor eterno. As redes sociais se enchem de declarações apaixonadas, fotografias cuidadosamente escolhidas e frases que garantem que, desta vez, será para sempre. Enquanto isso, do lado de fora das floriculturas, a gasolina continua subindo. O saco de cimento continua mais caro. O aluguel aperta. O superm

Jornal Daki
11 de jun.


Enredos da vida
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Arte: Jornal Daki com IA Para quem convive numa quadra de escola de samba, tudo vira samba. A vida lá nos presenteia com encontros e histórias tão diferentes e inimagináveis que você não consegue sair de lá. É como se você vivesse num mundo diferente todas as vezes que você chega lá. O consagrado escritor Gonçalense Erick Bernardes, em seu livro CAMBADA, nos conta a história dos bairros e lugarejos da cidade. Numa das crônicas, nos

Jornal Daki
10 de jun.


Quando Jesus virou as mesas
Por Mira Pimentel Reprodução Há uma cena do Evangelho que sempre me provoca. Não é Jesus multiplicando pães. Não é caminhando sobre as águas. Não é realizando milagres diante da multidão. É Jesus irritado. Sim, irritado. Aquele homem conhecido pela mansidão entrou no templo, viu a fé transformada em negócio, a espiritualidade reduzida a moeda de troca, e virou as mesas dos comerciantes. Não foi um gesto de ódio. Foi um gesto de indignação. A mensagem era simples: a casa de De

Jornal Daki
4 de jun.


Hipocrisia
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Arte: Jornal Daki com IA Na minha adolescência e juventude, o mês de junho tinha um céu repleto de pipas e balões. Tempo em que para se falar com alguém de outra cidade tinha que se escrever uma carta e esperar por dias a resposta. Sem internet, as pessoas ocupavam portões e calçadas num bate papo sem fim. Era um ajudando o outro, sabendo das dificuldades e necessidades de cada um, todo mundo era todo mundo. O tempo passou e a popul

Jornal Daki
3 de jun.


A Era das Imagens que Mentem
Por Mira Pimentel Arte Jornal Daki com IA Vivemos um tempo perigoso. Não porque a mentira nasceu agora. A mentira sempre existiu. O que nasceu agora foi a velocidade dela. A capacidade tecnológica de fabricar emoções em massa. De construir realidades paralelas com poucos cliques e alguma inteligência artificial. Hoje uma fotografia já não é mais prova de nada. Um vídeo já não é mais garantia de verdade. Uma voz já não pertence necessariamente ao corpo que ouvimos. E talvez es

Jornal Daki
28 de mai.


Novos tempos
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Arte Jornal Daki com IA Um primo meu, policial militar reformado, chegou em casa depois do trabalho e deixou o carro passar a noite na calçada. Pela manhã, ao sair, deu por falta do rádio no carro. Sem perder a serenidade, pegou pela gola da camisa, aquele considerado pelos vizinhos usurpador do bem do alheio, dizendo que quando saísse no dia seguinte queria o rádio no lugar. O rapaz jurou inocência. Pois bem, na manhã seguinte ao en

Jornal Daki
27 de mai.


O Evangelho Segundo os Mercadores
Por Mira Pimentel Arte: Jornal Daki com IA Houve um tempo em que eu sabia reconhecer um evangélico pela delicadeza. Não pela roupa. Não pelo grito. Não pela performance pública da fé. Era pelo jeito de tratar as pessoas. Quarenta anos atrás, um “crente” era alguém que carregava uma espécie de santificação silenciosa. Sem generalizar — porque golpistas existem em qualquer instituição, até dentro das famílias — havia entre muitos deles uma sinceridade difícil de encontrar hoje.

Jornal Daki
21 de mai.


Contra o vento
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Arte: Jornal Daki com IA Dizem que nascemos com nosso destino traçado e nada pode mudar isso. Algumas pessoas confirmam esta máxima com sua história de vida. Um nasce sem a menor possiblidade de viver, ou sobreviver. Sem a menor chance de caminhar com as próprias pernas e pegar o alimento com as próprias mãos. Aos olhos do mundo este ser será um pobre coitado, dependente de seus familiares para o resto da vida. Aí, vem o destino e

Jornal Daki
20 de mai.


O Filme do Mocinho
Por Mira Pimentel Arte: Jornal Daki com IA “Aqueles que gritavam contra o sistema…” No fim, talvez o sistema só tivesse trocado de gravata. E eis que surge o mocinho da pátria.Nem sei mais qual número ocupa na escadinha dos filhos do capitão — três, quatro, cinco? Pouco importa. No bolsonarismo familiar, parecem temporadas de uma série confusa onde os personagens vivem repetindo o mesmo roteiro: gritos, patriotismo performático e algum escândalo financeiro no intervalo comerc

Jornal Daki
14 de mai.


O show tem que continuar
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Arte: Jornal Daki Aquele mês de outubro foi embora, levando com ele o presidente da ala de compositores do GRESU Porto da Pedra para compor em outro plano. Era um cara do bem, seu primeiro nome era festa, alegria, congraçamento, comunhão. O segundo, Fernando Macaco. Adorava ver a galera reunida, comemorava seu aniversário todos os anos como se fosse o último e já estava programando os festejos do próximo quando Deus fez o chamado.

Jornal Daki
13 de mai.


O Zorro, Ali Babá e os Heróis de Revista
Por Mira Pimentel Foto: reprodução O Rio de Janeiro acorda todos os dias parecendo um capítulo escrito por um roteirista cansado, irônico e apaixonado por plot twist. Quando a gente pensa que já viu de tudo, surge mais uma operação policial, mais um figurão levado para depor, mais uma mala, mais um áudio, mais um “não fui eu” com cara de “talvez eu tenha sido”. E no meio dessa novela tropical nasce uma figura curiosa: o tal do Zorro Garotinho. Não aquele do cavalo pre

Jornal Daki
7 de mai.


O nome do amor
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Foto: Jornal Daki com IA Me lembrei ontem, ao ver a novela, de quem no início dos anos dois mil, num sábado de ensaio na quadra do GRESU Porto da Pedra, já quase no final da noite, vi uma menina, recém saída da adolescência, sambando de se acabar à frente da bateria. Ela só parou depois do último apito do mestre, quando o sol já vinha avisar ao povo que já era hora de voltar pra casa. Uns anos depois ela era a toda poderosa rainha de

Jornal Daki
6 de mai.


Ordem, Memória e a Nave
Por Mira Pimentel Jornal Daki com IA Há um momento curioso na vida pública do Rio de Janeiro em que certas palavras voltam a circular com elegância nos corredores do poder. “Ordem”, por exemplo. Ela chega bem vestida, com discurso alinhado, prometendo arrumar gavetas, limpar excessos, reorganizar o que por tanto tempo pareceu entregue ao improviso. É uma palavra bonita. Sedutora até. Mas o carioca — esse que já viu de tudo um pouco — aprendeu a desconfiar de palavras que cheg

Jornal Daki
30 de abr.


Tudo o que vai...
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Jornal Daki com IA Ouvi meu pai falar muitas vezes que sempre corríamos atrás do dinheiro para comer, mas um dia teríamos dinheiro e não teríamos o que comprar para comer. Pelo andar da carruagem, desmatamento, aquecimento global, guerras sem nexo e contexto, ambição cada vez maior por dinheiro e posição social, o cada vez mais espezinhar naquele que está em baixo está dando muita razão às palavras dele. Mas, os falsos super-heróis d

Jornal Daki
29 de abr.


A conta chega
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Jornal Daki com IA Vou chamá-lo de Aristeu. Do santo não digo o nome, mas a história... A gente ainda era adolescente, da igreja, mas Aristeu só ia às missas por causa das meninas, do futebol e das festas. Ele era da curimba, ferrenho devoto de seu João Caveira, um Exu de poucas palavras, sério e de palavra justa. Se andar na linha tem tudo, mas se vacilar... Coitado! Ele não pede nada, mas se prometer, tem que cumprir. Então, se

Jornal Daki
22 de abr.


Ciclos: A Sala de Aula da Vida
Por Mira Pimentel Nasci há 59 anos — e não foi apenas o tempo que passou por mim. Fui eu quem passei por ele, atravessando ciclos como quem percorre estações de um trem que nunca para. Na infância, aprendemos sem perceber. Absorvemos o mundo como terra fértil, sem filtro, sem defesa. Crescemos acreditando que os vínculos são eternos, que os afetos são absolutos, que a vida é uma linha reta. Mas não… a vida é curva, espiral, retorno e reinício. Com o tempo, os ciclos começam a

Jornal Daki
16 de abr.


Contraste
SÃO GONÇALO DE AFETOS Por Paulinho Freitas Imagem gerada por IA a partir do texto Saí de casa para pegar meu remédio regulador de pressão na farmácia popular. É impressionante como não damos a mínima para nosso semelhante, não notamos suas emoções. Aliás ninguém tá nem aí para ninguém. Logo na esquina vejo um rapazola de seus dezesseis anos, um buquê de flores na mão e lágrimas nos olhos. Deve ter levado as flores para uma das meninas do Clélia Nanci e tomou o maior toco.

Jornal Daki
15 de abr.


A Ilusão de Entrar no Outro
Por Mira Pimentel Jornal Daki com IA Há um momento da vida em que a gente descobre que ninguém entra em ninguém. E não é por falta de vontade. É por limite. Eu cresci acreditando que a humanidade era uma extensão de mim. Que sentir era uma linguagem comum. Que bastava abrir a porta — e o outro pisaria no meu chão com o mesmo cuidado que eu pisaria no dele. Mas não. As pessoas entram…e ficam na sala. Não atravessam o corredor. Não chegam nos quartos onde a alma respira diferen

Jornal Daki
9 de abr.
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