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De Través

Por Paulinho Freitas

Reprodução
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Saio de casa pela manhã para saber notícias de um amigo hospitalizado.  Na Av. Presidente Kennedy uma obra engarrafa todo o trânsito, na calçada estreita, pedestres, bicicletas e motos disputam espaços para passar. Alguns pedestres arriscam-se entre os carros. Lá vou eu cedendo lugar, às vezes me desequilibrando e descendo, sem querer a calçada, desviando de carrinho de compras, parece que estou na Av. Brasil. Quando depois de alguns metros, que pareceram Quilômetros, encontro com meu vizinho que, deficiente, tenta atravessar a rua sem sucesso. Chego para auxiliar e ao mesmo tempo engatamos um bate papo: 


Ele: _Essa obra parece que vai melhorar bastante a cidade, vai ficar muito bom. 


Eu: _Também acho, tomara que o dinheiro não acabe e se torne mais um elefante branco. 


Ele: _É mesmo. Esse tal de Lula tá quebrando os estados. 


Eu: _Como? Essa obra é estadual, nada tem a ver com o governo federal. 


Ele: _Ele está roubando tudo. Fui agora pegar remédio na farmácia popular e a moça pediu meu CPF. Depois de algum tempo ela falou que eu não poderia levar o remédio porque meu CPF estava com restrição. Fiquei muito bravo, quando fui verificar, era imposto de renda. 


Eu: Ué! Você não fez a declaração? 


Ele: _Nunca declarei. Desde que me aposentei nunca fiz. Recebo também uma pensão pela morte de minha esposa e nunca declarei. 


Eu: _Me explica uma coisa, você recebe acima do valor de isenção da tabela do IR, não declara e a culpa é de Lula? 


Ele: _Claro! Eu nem sabia que tinha que declarar! 


Eu: _Tô entendendo nada. Então ele é quem tinha de ter te orientado a fazer o quê era de sua obrigação saber? 


Ele: _Essa esquerda tem que se endireitar! 


E saiu mancando e resmungando sem conseguir me explicar o que perguntei. Na mesma hora me lembrei de um Português que tinha um comércio aqui perto de casa. Um transeunte passou e perguntou onde ficava determinada rua. Ele, muito paciente e com ar de intelectual, numa língua portuguesa trazida lá da Terrinha e carregadíssima de sotaque, apontando para a rua em frente explicou: _ Pegues aqui esta reta até o final e dobre à direita em sentido contrário. O homem ficou olhando para ele sem nada entender, mesmo assim saiu andando na direção indicada pelo português. Como ele fez para virar à direita em sentido contrário, eu não sei. 


É como disse meu vizinho: “A esquerda tem que se endireitar”, Ou seria o contrário? Sei lá! 

Eu hein! Papo doido! 


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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor.

 

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