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Empreender? Só se eu quiser, puder e ter vocação pra isso - por Helcio Albano


Arte: crisvector
Arte: crisvector

"Sou um empreendedor", disse seu Agliberto, sem saber exatamente o que isso significa, mas feliz por estar no gupo social mais festejado pela burguesia fedida, midiazona, políticos espertalhões e proxenetas da força de trabalho alheia. Matéria de hoje (9) no UOL traduz, na verdade, o real sentimento de seu Agliberto, empreendedor fictício desta Coluninha: cansaço e o sonho de ainda poder ter carteira assinada, plano de saúde e INSS.


"Empreender", essa coisa abstrata e romantizada diariamente nos programas matinais da TV Globo, já é realidade para R$ 40 milhões de pessoas que vivem na informalidade, com medo permanente de adoecer, sem tempo de estudar - e assim vislumbrar sair dessa espiral de incertezas - e presas à precarização do trabalho, principal causa do mal-estar que está forjando um novo tipo de sociedade: fraca e desalentada, bem ao feitio do projeto neoliberal de escravização da humanidade.



Bem ou mal, aos trancos e barrancos, tínhamos até 2016 um projeto de nação. Este calcado na expansão dos investimentos em energia e tecnologia puxados pelo Pré-sal, consolidação da indústria pesada de infraestrutura, com inflação e câmbio sob controle. Tudo isso possibilitou o surgimento de um mercado interno pujante e diversificado, formado por novos consumidores oriundos do trabalho formal ajudados por uma política do governo federal de valorização real dos salários.


O golpe em Dilma foi pra acabar com isso. E começou por onde? Pela reforma trabalhista, lembra?


Empreender? Só seu eu quiser, puder e, o mais importante: tiver vocação pra isso.


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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.


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