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Maracutaias e a arraia-miúda do bolsonarismo

Por Helcio Albano

Dona Fátima/Foto: Reprodução
Dona Fátima/Foto: Reprodução

O que antes pipocava aqui e ali de casos no varejo de bolsonaristas enrolados com a Polícia e Justiça, agora, com as prisões em Brasília, a bandidagem emerge no atacado. E nos fornece um nexo causal de tanto extremismo em nome do mito: o desespero de perder a condição de delinquir como se não houvesse amanhã.


Na cesta de crimes cometidos pelos terroristas engaiolados ou já identificados, tem um código penal quase inteiro: homicidas, estelionatários, traficantes, pedófilos, charlatões, ecocidas. A lista é grande. O caso mais emblemático que veio à tona é de uma senhorinha catarinense condenada por tráfico de drogas e aliciamento de menor em 2014. Dona Fátima ficou famosa.


O bolsonarismo é, sobretudo, a normatização da bandidagem miúda a partir de uma lógica miliciana de apropriação e retalhamento do Estado por figurões do novorriquismo barratijucano para fins privados.



Uma epítome de tudo isso é o caso da mansão do Flávio 01, adquirida de empresários de Brasília em troca de empréstimos com o BNDES, BRB e licenças para mineração do governo federal liberados pelo papai.


Parece maracutaia tosca charlista do início dos anos 2000 em São Gonçalo. E é! Mas esse tipo de coisa, como foi feita, também é (ou era) a certeza da impunidade absoluta. Créditos para a Agência Sportlight que nos revelou a bandalheira.


A destruição dos Três Poderes nada mais foi que uma reação à retomada do Estado pela República que, por muito pouco, não nos escorregou pelas mãos. E assim, na unha, garantimos a Democracia.


Plus

Vamos ao caso do primogênito do coisa ruim.


Flavinho 01 comprou entre 2020 e 2021 uma mansão ultra luxuosa, numa das áreas mais nobre de Brasília, com academia, brinquedoteca, piso e varandas em mármore, cortina automatizada na sala, sauna integrada à piscina, área gourmet, churrasqueira e forno de pizza pela bagatela de R$ 6 milhões.


Segundo corretores de Brasília, uma mansão desse tipo não custa menos que R$ 15 milhões.


Mas vamos em frente...


Bônus

Pra comprar a mansão, o rapaz tirou a sorte grande: ou melhor, um financiamento de pai pra filho do BRB de R$ 3,1 milhões em 360 meses com juros abaixo do mercado!


E tem mais! O banco abriu uma generosa exceção e liberou o negócio mesmo que a renda declarada de Flavinho e esposa 01 não cobrisse o financiamento.


Que beleza!


Bônus-Track

Mas mas de quem o Flavinho comprou a mansão?


Dos irmãos Juscelino e Simão Sarkis, do grupo Sarkis, que fechou diversos negócios no pmesmo período da venda do imóvel, com os governos federal e do Distrito Federal durante as gestões de Jair Bolsonaro e Ibaneis Rocha, o parça do excrementíssimo.


Os negócios? Um empréstimo de R$ 1 milhão no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), um contrato com o Banco de Brasília de 1,1 milhão e 8 licenças para mineração.


Êta-lelê!


***

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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.


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