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Seminário discute direitos Lgbti+ na FFP-UERJ

Foi uma noite de relatos densos, intensos e emocionantes para uma plateia ávida em conhecer o panorama atual e a trajetória de luta de uma população tão perseguida e violentada por sua condição de gênero


Por Cláudio Figueiras

Seminário Lgbti+ na FFP-UERJ/Foto: Leandro Cruz
Seminário Lgbti+ na FFP-UERJ/Foto: Leandro Cruz


O grupo em defesa dos direitos Lgbti+ de São Gonçalo, Liberdade Santa Diversidade (GLSD), promoveu no dia 27 de maio, na FFP-UERJ, um seminário de discussão sobre o tema. Na mesa estiveram, além do presidente de honra do GLSD, Well Castilhos, os ativistas Gael Jardim, Rodrigo Torres, a defensora pública Mirella Assad e o juiz do TJRJ, André Brito.



Foi uma noite de relatos densos, intensos e emocionantes para uma plateia ávida em conhecer o panorama atual e a trajetória de luta de uma população tão perseguida e violentada por sua condição de gênero.


Na ocasião, Assad e Brito puderam expor o trabalho de requalificação civil de gênero que realizam em parceria com a Defensoria, o Judiciário e a Fiocruz. Já são mais de 4 mil homens e mulheres trans requalificados no estado do Rio.


"Já pude realizar mais de 700 requalificações. André (Brito) mais de 3 mil. Isso significa pessoas salvas e incluídas na sociedade", disse Mirella ao Daki.



Segundo a defensora, a requalificação civil é feita por autodeclaração e a sentença judicial é realizada sem maiores burocracias no mesmo dia através da Justiça Itinerante, que tem o juiz André Brito como magistrado titular.


"De todos os poderes, o Judiciário é o mais progressista nesse assunto. Para ter mais avanços é preciso o Poder Legislativo criar leis para proteger essa população", observou Brito.


O seminário realizado em São Gonçalo tem um sentido todo especial por a cidade ser pioneira em diversas ações em busca dos direitos Lgbti+ e na interiorização da Parada Gay, além da capital Rio de Janeiro.


"São Gonçalo foi a primeira cidade do Brasil fora das capitais a realizar uma Parada Gay. Isso foi em 2004 e acabou inspirando outros movimentos como por exemplo em Icaraí (Niterói) e Duque de Caxias", disse Castilhos, um dos responsáveis em organizar a Parada naquele ano já pelo GLSD.


O Seminário marcou também a criação de um núcleo do GLSD na FFP, o Coletivo Alexandre Ivo, liderado por Rodrigo Torres, estudante de Geografia da instituição.



"A gente precisa trazer esse debate para dentro de uma Faculdade de Professores para combater a homofobia e transfobia dentro das escolas", disse Torres, amigo de Alexandre Ivo, brutalmente assassinado em 2011 num crime que chocou o país.


A emoção ficou para o final, com o depoimento de Gael Jardim, homem trans que narrou toda a sua trajetória, permeada de muito sofrimento, mas também por coragem, perseverança e vitórias para finalmente poder ser quem ele realmente é, com apoio de sua mãe, presente ao evento.


"Eu sempre fui uma pessoa trans, desde a infância. Mas foi com 33 anos que me libertei e disse ao mundo que eu era uma pessoa trans, Eu precisava vivenciar isso", desabafou Gael, hoje com 42 anos.


Abraçada ao filho, Zélia Jardim, muito emocionada, fez uma declaração de amor:


"Eu amo esse filho que você nem imagina. Vivenciamos várias fases e pra mim foi muito difícil porque não entendia que ele era trans. Tive medo do preconceito contra ele e de matá-lo. Mas já superei isso. Hoje procuro entender cada vez mais sobre isso e superar os meus medos", finalizou Zélia.


Veja abaixo entrevista com Well Castilhos feita pelo repórter Leandro Cruz.


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