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Tudo iniciou com Gonçalo Gonçalves - por Oswaldo Mendes


São Gonçalo, 1971. Arquivo Nacional
São Gonçalo, 1971. Arquivo Nacional

Passaram-se quatrocentos e quarenta e três ciclos a partir do recebimento de uma sesmaria, isto numa área onde os moradores eram denominados os Tamoios, os quais tinham maior amizade com os Franceses. Foram dizimados por outra tribo indígena a qual seu líder é considerado como herói e tem sua estátua em Niterói, cidade vizinha.


Sua igreja matriz se encontra no interior, às margens da “grande Cobra D’Água” – Rio Imboassu, o qual era navegável e com o desmatamento e sendo utilizado como descarte de lixo doméstico e esgoto em estado bruto encontra-se morto. Suas nascentes favelizadas, aguardando uma próxima chuva forte e nova desgraça onde se dirá que foi a natureza e imprevisto.


Em função do comércio e a navegabilidade do Rio Imboassu, são poucas cidades banhadas pelo mar que tem sua igreja matriz no interior. São Gonçalo é uma delas.


Já foi uma das maiores economias do país, isto em torno de 1950, mas entrou em plena decadência. O processo era Fordista-Taylorista. Mão-de-obra barata e pouca tecnologia. Chaminés eram o nosso símbolo e só sobrou uma, mas em local de difícil acesso.


Um dos autores do hino da cidade vendo o que acontecia na cidade quis retirar a obra. Foi uma grande confusão.


A igreja caçou e puniu os Novos Judeus, surgindo assim patrimônios como a Fazenda Colubandê, a qual pode virar parque, depois de totalmente saqueada, o que também aconteceu nas demais fazendas da região.


A segunda corrida de automóveis aconteceria aqui, mas em função de que ninguém quis fazê-la com medo em função dos perigos.


Perdemos Itaipu, Ilhas Fiscal e Redonda o que nos deixariam ricos, mas nossas escolhas nos dão esse resultado.


Tivemos uma praça que foi vendida. Isso mesmo. Praça pública vendida em pequenas parcelas e todos aprovaram e bateram palmas. Só a OAB que relutou.


Temos dois diques inversos: Niterói-Manilha e Estrada do Comperj. Mas é só acender uma vela para São Pedro para não chover.


Ibirapitanga e sem nenhum porto. Temos que ir a Niterói para se deslocar na baía.


Há quem discurse efusivamente apresentando a cidade com um milhão e meio de pessoas, mas é apenas quantitativo. Esses números grandiosos não se refletem no IDH, na qualidade de vida ou até mesmo no saneamento quase inexistente. Gritem a renda per capita ou a média de escolaridade dos munícipes?


Tudo passa. Nada permanece, mas não precisariam destruir.


Todos os clubes da cidade ou estão em condições difíceis economicamente ou foram a falência, não tendo um local para jovens se divertirem, excetuando a Porto da Pedra.


Não temos livro do Tombo e a maioria da população nem sabe o que é isso é muito menos para que serve.


São Gonçalo: a cidade dos supermercados.

Tudo em 6 de abril de 1579.


Maverói. Pra onde foi levado aquele povo? Circo e a grande jogada política? Do Bumba também? Salgueiro também e tantas outras comunidades pobres.


Nesse 6 de abril, a quatrocentos e quarenta e três anos que o santo que não é santo recebeu de seu homônimo uma homenagem ainda poucos reconhecem essa data e o valor dessa cidade.


A dor é de muitos que como do amigo Paulo Siqueira declarou que não voltaria a cidade após os novos desdobramentos na cidade.


Há motivos para permanecer na cidade?

Se pudéssemos enviar uma mensagem ao Gonçalo Gonçalves diria que sua cidade seria trampolim político e financeiro de muitos, que em função desse amor, quase incontido, existe uma grande tristeza no olhar das pessoas.


Talvez a intenção fosse boa, caro, Gonçalves, mas o que se desdobrou não sei se pode assim ser considerado.


Tomara que um dia reverta, mas a Deusa Chronus é faminta.

 

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Oswaldo Mendes é engenheiro e sambista.




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