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Canella e Amim presos: o que Flávio, CV e São Gonçalo têm a ver com isso

há 2 horas
2 min de leitura

Operação da PF investiga lavagem de dinheiro, proteção policial e suposta ligação com o Comando Vermelho; ação chegou a São Gonçalo e resultou no bloqueio de até R$ 700 milhões


Márcio Canella e Marcus Amim/Fotos: reprodução
Márcio Canella e Marcus Amim/Fotos: reprodução


A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio Marcus Amim, na oitava fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis, agentes públicos e organizações criminosas.


A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), teve seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses, incluindo São Gonçalo. O ministro Alexandre de Moraes também determinou o bloqueio de até R$ 700 milhões em bens e valores de 12 pessoas e 11 empresas.


Segundo a PF, uma rede de postos de combustíveis sob suspeita movimentou aproximadamente R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. A investigação identificou transações envolvendo 835 pessoas físicas e jurídicas. Os valores correspondem à movimentação financeira investigada, não necessariamente a dinheiro de origem criminosa.


Suspeita de ligação com o Comando Vermelho


Canella é apontado pelos investigadores como possível articulador político do esquema, estabelecendo relações entre empresários, agentes públicos e grupos armados.


Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a PF também investiga uma possível ligação do ex-prefeito com o Comando Vermelho. Ele teria negociado com integrantes da facção a realização de obras públicas em territórios controlados pelo tráfico.


Os investigadores apuram se essa interlocução fazia parte de uma estrutura de proteção de interesses criminosos. Até o momento, não há comprovação pública de que Canella integrasse a facção ou recebesse pagamentos dela.


Policiais civis entre os presos


Marcus Amim é investigado por suspeita de atuar como sócio oculto de postos de combustíveis e oferecer proteção institucional à organização. Um contrato de consultoria que teria movimentado R$ 1,8 milhão está entre os elementos examinados.


Outros quatro policiais civis também foram presos: Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, José Carlos Alves de Souza Júnior e os irmãos Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes.


Ligação política com Flávio Bolsonaro


Canella é aliado político de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Em fevereiro, Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, chegou a ser anunciada como possível suplente do ex-prefeito numa candidatura ao Senado. A composição não se concretizou.


A relação política não constitui evidência de participação da família Bolsonaro nos crimes investigados.


Operação chegou a São Gonçalo


São Gonçalo está entre os municípios alcançados pelos mandados. Até o fechamento desta matéria, não havia confirmação dos endereços vistoriados, estabelecimentos investigados ou identidade de possíveis alvos locais.


Também não foram apresentados elementos que relacionem a Prefeitura de São Gonçalo ao suposto esquema.


As acusações permanecem sob investigação, e os envolvidos não foram condenados pelos fatos apurados nesta operação.


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