Mulher com medida protetiva aciona botão do pânico e é encontrada morta em SC
Daiana Gisele Müller havia denunciado o ex-marido por ameaça e obtido medidas protetivas 11 dias antes do crime; suspeito confessou o feminicídio e foi preso em flagrante

Uma mulher que possuía medidas protetivas contra o ex-marido acionou o botão do pânico na manhã desta terça-feira (20), mas foi encontrada morta em um riacho sob uma ponte, em Ipira, no interior de Santa Catarina. O ex-marido confessou o crime e foi preso em flagrante.
A vítima foi identificada como Daiana Gisele Müller. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), ela havia denunciado o ex-marido por ameaça no dia 8 de outubro. No dia seguinte, a Justiça concedeu medidas protetivas de urgência, determinando que o suspeito mantivesse distância mínima de 100 metros da vítima e não tivesse contato com ela ou seus familiares por qualquer meio. A decisão também previa a participação do investigado em programa de recuperação e reeducação para homens autores de violência doméstica, com acompanhamento psicossocial.
Ainda de acordo com a PCSC, o suspeito estava proibido de se aproximar da vítima. O crime ocorreu 11 dias após a concessão das medidas.
Daiana acionou o botão do pânico do aplicativo PMSC Cidadão na manhã desta terça. Uma equipe da Polícia Militar foi com prioridade à residência, na comunidade de Linha Capelinha, e encontrou o imóvel arrombado. Os policiais iniciaram buscas e localizaram o corpo submerso no riacho. O Corpo de Bombeiros confirmou a morte.
O ex-marido se entregou à PM em Presidente Castello Branco e confessou o crime. Segundo o delegado Vinícius Ferraz, o suspeito foi à casa da vítima naquela manhã e fugiu para o município vizinho após o feminicídio. Ele foi preso em flagrante e levado à Polícia Civil.
A causa da morte e a dinâmica do crime ainda dependem de exames periciais. A Delegacia de Polícia de Ipira instaurou inquérito para esclarecer o local da agressão, o eventual uso de arma e as circunstâncias em que a vítima chegou ao riacho.
Em nota, o escritório Matzenbacher Advocacia, que atendia Daiana, lamentou que as medidas de proteção não tenham impedido o crime.
“Mesmo com medida protetiva deferida, mesmo tendo percorrido todo o caminho legal-jurídico, mesmo tendo acionado o botão do pânico, nada impediu a brutalidade de que foi vítima”, afirmou a banca.
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