Mão decepada, protestos generalizados: franceses vão às ruas contra cortes na proteção social do país
Manifestações reúnem milhares em várias cidades e terminam em confrontos com a polícia; governo atribui onda de violência à “ultraesquerda”. Pressão da OTAN por gastos de 5% do PIB com defesa agrava cenário de cortes sociais

A agência de turismo da cidade francesa de Lyon foi incendiada neste sábado (17), em meio a uma onda de protestos que se espalhou pelo país contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos.
Segundo relatos divulgados pela BFMTV e reproduzidos por veículos brasileiros, indivíduos encapuzados atacaram o prédio, quebraram janelas, atearam fogo ao local e saquearam a propriedade antes de deixar a área. Não houve informações imediatas sobre feridos ou prisões relacionadas especificamente a esse episódio.
A polícia francesa usou gás lacrimogêneo e entrou em confronto com manifestantes em diversas cidades, em um dos dias mais violentos de protestos dos últimos anos no país. As manifestações reuniram milhares de pessoas insatisfeitas com a alta dos preços, a desigualdade social, os cortes de gastos públicos e as condições precárias de serviços como a educação.
Os protestos começaram no mês passado em escolas de ensino médio nos subúrbios pobres do norte de Paris. A revolta inicial contra a falta de professores e as más condições das instalações escolares rapidamente se transformou em um movimento mais amplo.
O caso ganhou força após um estudante perder a mão quando uma granada explodiu em sua mão durante um confronto com a polícia. O episódio ampliou a comoção e as críticas à resposta das forças de segurança.
Contexto global e pressão da OTAN
Os protestos ocorrem em um momento de crescente pressão dos Estados Unidos sobre os países da OTAN para que elevem seus gastos com defesa a 5% do PIB até 2035. A exigência, feita por Donald Trump, foi formalmente aceita pelos membros da aliança em 2025.
A França, que atualmente destina cerca de 2,22% do PIB à defesa, comprometeu-se com a meta, mas enfrenta críticas de aliados, como a Alemanha, que consideram os esforços franceses insuficientes.
O governo francês tem aprovado leis de programação militar que aumentam significativamente os gastos com armamentos e tecnologias letais, enquanto implementa medidas de austeridade e cortes em serviços públicos. Essa combinação — mais recursos para a defesa e menos para a área social — tem sido apontada por analistas e movimentos sociais como um dos fatores que alimentam a insatisfação popular e os protestos atuais.
De acordo com as autoridades francesas, até o meio-dia haviam sido registradas 140 manifestações fora de Paris, com a participação de cerca de 32,8 mil pessoas.
O governo atribuiu a onda de protestos à chamada “ultraesquerda”, enquanto os organizadores afirmam que o movimento é espontâneo e reflete a insatisfação popular.
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