Nunca ficou tão clara a preferência do sistema por um candidato: Flávio Bolsonaro
Da Casa Branca à direção da Globo, passando por big techs, Faria Lima e TSE, episódios da campanha expõem relações de poder e levantam dúvidas sobre a igualdade de tratamento eleitoral
Por Helcio Albano

O bolsonarismo passou anos denunciando o sistema. Agora, Flávio Bolsonaro disputa a Presidência cercado de manifestações de apoio explícito do presidente da maior potência mundial e de empresários, de decisões judiciais controversas e encontros com dirigentes de grandes empresas de comunicação.
Na Faria Lima, executivos financiam o PL e investidores acompanham com interesse sua candidatura. No TSE, Kassio Nunes Marques mandou retirar do ar o canal Exército do Lula, enquanto André Mendonça também foi alvo de críticas por decisões envolvendo a disputa eleitoral.
A Meta entrou na história quando sua inteligência artificial permitiu conteúdos sobre Flávio, mas restringiu pedidos semelhantes envolvendo Lula no Instagram, Facebook e WhatsApp. A Justiça Eleitoral determinou tratamento igualitário. A empresa atribuiu as falhas a problemas técnicos.
O X (antigo Twitter), de Elon Musk, também entrou na história. Em testes realizados pelo Poder360, sua inteligência artificial, o Grok, recusou produzir material eleitoral para Lula, mas atendeu a pedido semelhante para Flávio Bolsonaro.
Nos Estados Unidos, a afinidade entre o bolsonarismo e Donald Trump é pública a ponto de render ao Brasil um tarifaço e sanções a autoridades da República em retaliação ao processo judicial contra Jair Bolsonaro, como o próprio governo americano registrou em documento oficial em julho de 2025.
A cereja do bolo veio da Globo. João Roberto Marinho recebeu Flávio para almoçar horas antes da sabatina no Jornal Nacional. Lula, entrevistado na véspera, não recebeu convite equivalente. A emissora alegou tratar-se de uma visita institucional.
Nenhum desses episódios, isoladamente, comprova uma articulação coordenada. A não ser olhando o time do todo.
Por isso mesmo a sucessão de fatos coloca sob escrutínio as relações entre candidatura, poder econômico, plataformas digitais e instituições.
O discurso antissistema convive, sem constrangimento aparente, com os salões do poder.
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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.









































































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