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São Gonçalo: barricadas em terra e agora no ar contra empresas de internet

Empresas como Vivo, Claro e Tim já deixaram de operar em vários bairros da cidade

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

São Gonçalo, cidade que ostenta o triste título de campeã nacional de barricadas espalhadas em seu território, agora caminha para ocupar esse posto também no ar, mais precisamente no alto dos postes por onde passam os cabos das provedoras de internet no município.


Empresas grandes e multinacionais como Vivo, Claro e Tim deixaram de operar os serviços após terem os cabos cortados e serem expulsas por criminosos ligados às miliícias ou ao tráfico de drogas em diversas regiões da cidade, que instalam no lugar o sinal clandestino conhecido como "gatonet".



Os serviços legalizados deixaram de ser oferecidos para cerca 200 mil gonçalenses diretamente até em bairros centrais como Zé Garoto, de acordo com denúncia de um usuário que pediu anonimato:


"Abro meu escritório numa segunda-feira, ligo o computador e nada de internet. Ligo para Vivo para saber o que aconteceu e a atendente me informa que infelizmente não oferece mais o serviço na região. Desconfiei ser por causa de uma ação criminosa. E tive a certeza dias depois quando vejo um panfleto de uma empresa desconhecida oferecendo um pacote de planos de internet. Até mais caro. É revoltante isso. A vontade é sair de vez dessa cidade. Está abandonada", disse o usuário, que é advogado.



Na semana passada o Daki relatou o caso da provedora Maluga Infor, obrigada a encerrar suas atividades na região do Porto Novo após uma série de ameaças aos funcionários que trabalham na rua, e também por telefone, contra os proprietários da empresa que há meses vem sofrendo tentativas de extorsão.


Um carro da Maluga chegou a ser incendiado em frente à sede, no Porto Velho, no início do ano.


"Os prejuízos que esse tipo de ação criminosa traz ao município são incalculáveis. Não afetam apenas o faturamento das empresas que oferecem o serviço, mas todo uma cadeia produtiva e de consumo. Além de afugentar novas empresas e empreendimentos na cidade. É uma tragédia. E o prefeito finge não saber porque o gonçalense vai embora", comentou um empresário de TI, também reservadamente, que entregou os pontos e levou sua empresa para Niterói.



Os bairros "campeões" de barricadas que impedem o livre tráfego de informações pela internet são os mesmos que o impedem em terra: Jardim Catarina, Laranjal, Porto do Rosa, Amendoeira, Anaia, Jóquei e todo o Complexo Salgueiro.


Mas os obstáculos ao ir e vir digital já avançam por bairros como Zé Garoto e Centro, Porto da Pedra, Porto Novo, Gradim, Galo Branco e Mutondo.


A prefeitura disse que reconhece o problema e orienta a guarda municipal a reprimir furto de cabos que podem interromper os serviços de telefonia e de internet.


A Polícia informou que investiga as denúncias sem dar maiores informações.


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