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Tamoio: ação de gonçalenses e deputados para preservar clube joga pressão em cima de vereadores

Câmara deve analisar e votar proposta de destombamento do Clube nesta quarta (23). Uma manifestação está marcada para ocorrer durante a votação


Por Cláudio Figueiras

Lecinho Breda (MDB), presidente da Câmara, é o autor do tombamento do Tamoio que pode ter sua condição revertida/Foto: Divulgação
Lecinho Breda (MDB), presidente da Câmara, é o autor do tombamento do Tamoio que pode ter sua condição revertida/Foto: Divulgação

Desde sábado (19) a cidade de São Gonçalo vive momentos de angústia, apreensão e expectativas com o anúncio de que os vereadores do município pretendem votar, nesta quarta (23), projeto de lei que visa o destombamento do Clube Tamoio em favor de empresários interessados em comprar o imóvel para a construção de um supermercado ainda sem bandeira revelada.


Cidadãos gonçalenses de diversas áreas de atuação e membros da sociedade civil organizada, entre elas uma associação informal de sócios e amigos do Tamoio (#SomosTodosTamoio), se articulam desde então para barrar a proposta, e pretendem fazer uma grande manifestação na Câmara durante a votação, marcada para as 17 horas de amanhã.


Ainda na esteira das tentativas para barrar o negócio, a deputada estadual Zeidan (PT), protocolou nesta segunda (21), na Alerj, pedido de urgência de análise e votação de Projeto de Lei de tombamento do Clube na esfera estadual, que deve ocorrer em sessão extraordinária nesta quinta (24).



O projeto estadual, se aprovado, se sobrepõe à lei municipal, tornando inaplicável qualquer decisão que venha a ser tomada pelos parlamentares de São Gonçalo ou pela Prefeitura que, já sob o governo Nelson Ruas (PL), nada fez para resolver o imbróglio que persiste desde outubro de 2021, quando houve tentativa de demolição pelos novos proprietários do imóvel.


Todas essas movimentações e a grande repercussão negativa do caso na imprensa e nas redes sociais, jogam pressão para cima dos 27 vereadores que, apenas cinco anos atrás, em 2017, ano de comemoração do centenário do alvinegro da Brasilândia, decidiram pelo tombamento do TFC.


A ação serviu para proteger o patrimônio histórico e cultural do município das incertezas judiciais em que o clube estava metido. Em meio a dívidas trabalhistas que culminaram num leilão que arrematou o imóvel, por R$ 2 milhões, pelo empresário da noite Daniel Luz, antigo proprietário da I9.


A lei do tombamento foi assinada pelo então prefeito José Luiz Nanci (Cidadania) na sede do Clube como parte das festividades dos 100 anos do Tamoio, fundado em 1917.



O vereador Lecinho Breda (MDB), autor da lei do tombamento, se manifestou sobre o caso num grupo de WhatsApp em defesa do Tamoio, no mesmo dia em que a notícia sobre o destombamento do patrimônio tinha se espalhado na cidade. Ele é o presidente da Câmara e quem define a pauta das sessões legislativas.


"O processo (projeto de lei) está nas comissões, tem um rito. O presidente da casa só tem um voto. Nesse caso eu só tenho o meu. E esse voto continua com o Clube", disse Breda, ao rebater afirmação de um interlocutor que estranhou o posicionamento do parlamentar em se deixar pautar pela proposta que, a princípio, estaria em desacordo.


O parlamentar foi quem denunciou e impediu a demolição do prédio em 21 de outubro de 2021, quando a sociedade se deu conta do crime que estava para acontecer contra parte importante da História de São Gonçalo.


O projeto de lei que propõe o destombamento do Tamoio é de autoria do vereador Cacau (Cidadania). Ele mantém silêncio sobre o assunto.


A justificativa para botar 100 anos de história abaixo, é a geração de 300 empregos pelo supermercado que seria erguido no lugar à Presidente Kennedy, 101.


Atualizado às 13:45 horas.

 

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