Viver para trabalhar ou trabalhar para viver?
Por Rofa Rogério Araújo

Em tempos de muita discussão saudável (ou não) sobre redução do trabalho na escala 6x1, em prol de mais tempo para curtir a vida, a família e até mesmo usufruir o que se ganha com o fruto do suor dos momentos trabalhados.
Um ditado popular, diz: “O trabalho dignifica o homem”, associado ao senso comum, à ética protestante descrita por pensadores como Max Weber e a figuras históricas como Benjamin Franklin. E tem tudo a ver com o trabalhar para ganhar o sustento e viver do que se produz ou do período dedicado com esse propósito.
Um versículo bíblico acerca do tema, diz em Provérbios 12.14: “Do fruto de sua boca o homem se beneficia, e o trabalho de suas mãos será recompensado”. Fala de como o ser humano deve ser reconhecido dignamente pela dedicação a uma atividade com fins de seu sustento.
O que observa muito é uma espécie de “escravidão moderna” onde é exigido muito por tão pouco que é pago. A pessoa se mata e não consegue nem viver dignamente com o fruto do que produz, devido a tão pouco recebido.
Quantos empresários que temos notícia que viver para trabalhar pensando no futuro e até na família, mas não consegue tirar tempo para utilizar o fruto que produziu e alguns acabam adoecendo, morrendo, de tanto que trabalha sem pensar nem no presente, não chegando a um futuro almejado.
Voltaire, pensador sarcástico do Iluminismo, disse: “O trabalho poupa-nos de três grandes males: tédio, vício e necessidade”. Como deve ser difícil ser desempregado e até desalentado, não podendo se sustentar nem ter ocupação na vida.
O famoso cantor dos Beatles, John Lennon, afirmou: “O trabalho não justifica a existência. A gente trabalha para existir e vice-versa”. Tudo é possível e preciso, mas não podemos é matar ou morrer de tanto esforço e deia de viver por isso.
Um provérbio iugoslavo, diz: “Um bom descanso é metade do trabalho”. Afirma o que temos dito até aqui: descansa também faz parte da vida e não apenas trabalhar, trabalhar e trabalhar, deixando de parar para lembrar que também existe vida.
Simone de Beauvoir, escritora, em “Segundo Sexo: a experiência vivida”, disse: “É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta”. Naqueles tempos em que a mulher buscava fazer o que somente o homem fazia, buscando igualdade de condições e de poder se sustentar sem depender dele, apesar de que o sexo masculino e feminino é completamente diferente em diversos aspectos.
Aristóteles, um dos mais importantes filósofos gregos, afirmou: “O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra”. Como é bom poder trabalhar naquilo que se escolheu, estudou e se preparou durante boa parte da vida e não apenas caiu de paraquedas num trabalho por falta de opção ou por pura necessidade.
Dessa forma, a pergunta do título “Viver para trabalhar ou trabalhar para viver?” é respondido da pior forma possível. Tudo precisa ser equilibrado, pois se é necessário “trabalhar para viver”, mas o que não dá é para “viver para trabalhar” de maneira que nem se vive de verdade.
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Rofa Araujo é jornalista, escritor (cronista, contista e poeta), mestre em Estudos Literários (UERJ), professor, palestrante, filósofo e teólogo.








































































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