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Crise política profunda transforma Maricá em bomba-relógio prestes a explodir

há 53 minutos
3 min de leitura

Rompimentos com Fabiano Horta e Aldair de Linda, exonerações no governo e derrotas dentro e fora do PT colocam Quaquá diante de sua maior crise política desde que voltou à Prefeitura


Por Rodrigo Melo


Horta, Quaquá e Aldair/Foto: reprodução com IA
Horta, Quaquá e Aldair/Foto: reprodução com IA

A eleição terminou em Maricá, mas deixou uma guerra política em andamento. Washington Quaquá (PT) chega ao pós-eleição rompido com o ex-prefeito Fabiano Horta (PT), em confronto aberto com o presidente da Câmara, Aldair de Linda (PT), enquanto exonerações atingem a Prefeitura e a disputa pelo comando do Legislativo já aponta para o próximo embate.


O primeiro grande racha ocorreu entre Quaquá e Horta, seu sucessor na Prefeitura entre 2017 e 2024. A aliança que sustentou o mesmo grupo político no comando do município por quase duas décadas desmoronou ao longo deste ano. Quaquá passou a acusar o antigo aliado de “traições sucessivas” e fez críticas públicas à administração anterior.


As urnas mostraram que Horta construiu força própria. Eleito deputado federal, recebeu 50.396 votos somente em Maricá. Diego Quaquá, filho do prefeito e também eleito para Brasília, teve 16.304. Entre os dois ainda apareceu Ricardo Netuno (PL), com 18.597 votos. Fabiano recebeu mais de três vezes a votação de Diego dentro da cidade.


O problema se repetiu na disputa pela Assembleia Legislativa. Allyson Elias (PT), filho do presidente da Câmara, foi eleito deputado estadual e recebeu 16.256 votos em Maricá, superando Zeidan (PT), apoiada por Quaquá, que teve 15.183.


E o inferno astral do prefeito não terminou nas disputas internas. Maricá, governada pelo PT desde 2009, também deu maioria aos dois principais candidatos do bolsonarismo. Flávio Bolsonaro venceu Lula na eleição presidencial no município, com 49,82% contra 43,18%, enquanto Douglas Ruas terminou à frente de Eduardo Paes na disputa pelo governo do estado.


Foi nesse cenário que outra frente explodiu dentro do próprio grupo governista.

Aldair de Linda preside a Câmara desde 2017 e até recentemente era um dos pilares da sustentação política da Prefeitura. O rompimento teve como estopim justamente a eleição para deputado estadual.


Allyson começou a campanha apoiado por integrantes da base governista. Na reta final, vereadores passaram para a campanha de Zeidan. Aldair responsabilizou Quaquá pela debandada, acusou o prefeito de pressionar parlamentares e chegou a dizer que Maricá vivia uma “ditadura”. Mesmo assim, Allyson terminou as urnas como o candidato a deputado estadual mais votado do município.


Na terça-feira (6), o conflito deixou definitivamente os bastidores. Aldair foi à tribuna da Câmara anunciar o rompimento.


“Eu também era da base do governo, não sou mais hoje.”

O presidente da Casa acusou Quaquá de traição e afirmou que vereadores foram “obrigados” e “reprimidos” a abandonar a candidatura de seu filho. Disse ainda ter enfrentado eleitoralmente o prefeito e 18 vereadores.


A guerra chegou rapidamente aos cargos da Prefeitura. Um dia depois da eleição, Quaquá colocou Celso Pansera na chefia de gabinete no lugar de Dayrlene Costa, ligada ao grupo de Aldair.  Aldair passou a denunciar exonerações de pessoas vinculadas ao seu campo político. Quaquá, por sua vez, anunciou mudanças na máquina municipal, afirmou ter se livrado de “cangalhas” e “más companhias” e declarou que agora “o governo é um só”.


A crise ganha outra dimensão porque alcançou um território onde o governo praticamente não encontrava resistência. Em janeiro de 2025, Aldair havia sido reconduzido à presidência da Câmara com os votos dos 21 vereadores. Menos de dois anos depois, está rompido com o prefeito que contava com uma Casa inteiramente alinhada ao Executivo.


E o próximo confronto já tem data. Depois da eleição, Quaquá publicou uma fotografia cercado de vereadores acompanhada da mensagem: “Renovação. 2 de dezembro. Vem aí!” Naquele dia, a Câmara escolherá a Mesa Diretora para o biênio 2027-2028. Aldair, que preside o Legislativo há quase dez anos, termina seu atual mandato em 31 de dezembro.


O quadro que emerge é incomum na longa hegemonia petista em Maricá. Quaquá mantém a Prefeitura e uma ampla base parlamentar, mas rompeu com dois personagens que ocupavam posições centrais no mesmo projeto político: Fabiano Horta, prefeito durante oito anos, e Aldair de Linda, presidente da Câmara desde 2017.


Horta saiu das urnas com 50 mil votos na cidade e colocou larga distância sobre Diego Quaquá. Allyson derrotou Zeidan dentro do município. Flávio derrotou Lula. Douglas superou Paes. Aldair levou o rompimento para a tribuna. As exonerações chegaram à Prefeitura. E a presidência da Câmara será colocada em disputa em dezembro.


Em poucas semanas, as urnas transformaram antigas fissuras numa crise aberta. Maricá virou uma bomba-relógio política — e o próximo cronômetro está marcado para 2 de dezembro.



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