Fazenda identifica R$ 5 bilhões em apostas de Willer Tomaz e aponta falhas no controle de lavagem de dinheiro
Nota técnica registra R$ 258 milhões em depósitos e R$ 200 milhões em saques durante 2025; órgão federal abriu procedimento para apurar possíveis falhas de fiscalização da plataforma de apostas

Uma nota técnica do Ministério da Fazenda identificou movimentações acumuladas de aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas realizadas pelo advogado Willer Tomaz durante 2025. O documento também aponta possíveis falhas nos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro da plataforma utilizada pelo advogado, que mantém relações pessoais com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo os dados divulgados, Willer realizou 1.936 depósitos, que somaram R$ 258 milhões, e 3.408 saques, totalizando R$ 200 milhões. O volume de R$ 5 bilhões corresponde ao giro acumulado das apostas, incluindo valores reapostados sucessivamente, e não à entrada de R$ 5 bilhões em recursos novos.
A análise identificou operações concentradas em intervalos curtos. Em um dos episódios, o advogado teria depositado R$ 7 milhões em um único dia. No dia seguinte, foram registrados saques de R$ 6 milhões em apenas 18 minutos.
Diante das movimentações, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda instaurou procedimento administrativo para examinar possíveis deficiências nos controles da plataforma. A apuração envolve a capacidade da empresa de identificar operações atípicas, avaliar riscos e cumprir as obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro.
A nota técnica, datada de 1º de outubro, classificou Willer como o maior depositante individual em plataformas autorizadas de apostas no Brasil em 2025. Os aportes superaram em mais de 60% os do segundo colocado. Apesar desse volume, a Blaze, operada pela Foggo Entertainment, teria mantido o advogado na categoria de risco médio, quando, segundo os técnicos, suas operações exigiam atenção máxima.
A fiscalização também apontou que a empresa não realizou análises adequadas das transações atípicas. A plataforma poderá sofrer sanções administrativas, incluindo multas e suspensão de atividades, caso as infrações sejam confirmadas.
Paralelamente, a Polícia Federal investiga se as apostas foram utilizadas para simular operações e ocultar a origem de recursos. A suspeita inclui a possibilidade de participação oculta do advogado em empresas do próprio setor. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal.
A Receita Federal também identificou indícios de lavagem de dinheiro em contas de apostadores, incluindo Willer, e encaminhou informações para investigação.
A defesa de Willer afirma que os recursos têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e foram declarados à Receita Federal. Sustenta ainda que a cifra bilionária resulta da reaplicação sucessiva dos mesmos valores. A Blaze nega irregularidades e afirma cumprir as exigências legais.
A relação do advogado com Flávio Bolsonaro ganhou relevância após a PF identificar possíveis vínculos financeiros entre os dois. O senador nega participação em negócios irregulares e pediu ao ministro Alexandre de Moraes acesso aos documentos da investigação.
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