Flávio Bolsonaro diz que votará a favor do fim da escala 6x1, após meses de críticas à proposta
Senador chamou iniciativa de "oportunista" e "hipócrita" na semana passada; agora, após visitar o pai, promete bancar custos da redução da jornada, mas não explica como financiaria a medida

O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta terça-feira (13) que votará a favor do fim da escala 6x1 no Senado. A declaração foi dada após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e representa uma mudança de posição em relação às semanas anteriores, quando criticou duramente a proposta.
Flávio justificou a mudança afirmando que "a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6x1". O candidato admitiu o risco de aumento da informalidade e prometeu que o governo bancará os custos adicionais das empresas. Não explicou, porém, como financiaria a medida nem apresentou estimativa de gastos. "Obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas, tem o risco de muita gente ir para a informalidade", disse. Em seguida, prometeu: "O governo pagará essa conta, porque os empresários estão quebrados".
A mudança contrasta com o discurso anterior. Em maio, Flávio classificou a discussão sobre o fim da escala 6x1 como "inoportuna e eleitoreira". Alegou que a redução da jornada poderia provocar desemprego e aumentar os custos das empresas. "Com esse projeto de lei apresentado pelo governo em ano eleitoral, tem uma grande carga de hipocrisia e interesse nas eleições", afirmou na ocasião.
Em agosto, Flávio evitou dizer como votaria no Senado. Em entrevista à Record, defendeu que os trabalhadores escolhessem a própria jornada e citou dificuldades financeiras de empresas para criticar a proposta do governo. "Essa é a alternativa que nós vamos oferecer, que é a liberdade para o trabalhador escolher a sua jornada de trabalho", declarou.
Em 6 de outubro, voltou a criticar a proposta e afirmou ter uma alternativa "infinitamente melhor". Defendeu novamente a flexibilização da jornada e acusou Lula de agir de forma "oportunista" ao discutir o tema no segundo turno. "Ele está pensando no poder, não está pensando no trabalhador", disse.
O fim da escala 6x1, sem redução salarial, é uma das principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula. A proposta foi aprovada pela Câmara em maio e avançou no Senado no fim de agosto. A oposição apresentou 14 emendas para alterar o texto aprovado pelos deputados. Uma delas propunha manter a jornada de 44 horas semanais e permitir reduções por negociação coletiva ou contratos com pagamento por hora, modelo semelhante ao defendido por Flávio Bolsonaro.
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