Governo Nelson Ruas ainda não tem resposta sobre as mortes no Hospital Infantil em junho
Duas bebês morreram no mesmo dia; Justiça já condenou município por negligência na mesma unidade

Passados mais de dois meses desde as mortes de duas bebês no Pronto-Socorro Infantil (PSI) Darcy Vargas, em São Gonçalo, a Prefeitura segue sem apresentar respostas concretas às famílias e à população. O silêncio do poder público contrasta com a gravidade dos casos e com um histórico de negligência já reconhecido pela Justiça.
Em 14 de junho, Mirella Rodrigues da Silva, de 2 anos, e Helena Vitória Gomes, de 1 mês e 10 dias, morreram com menos de 24 horas de intervalo na unidade do bairro Zé Garoto. Mirella deu entrada com febre alta, sofreu convulsão, recebeu alta na madrugada e voltou a passar mal horas depois, vindo a óbito às 8h52. A certidão de óbito aponta sepse não especificada. Helena, internada com bronquiolite aguda, teve o quadro agravado e morreu às 13h55 após tentativa de intubação.
O padrão de falhas não é novo. Em abril de 2016, Victor Henrique Alexandrino, com menos de dois meses, foi levado ao mesmo PSI com febre e dificuldade para respirar. Recebeu alta sem exames complementares. Dois dias depois, retornou em estado grave. Hoje, com 10 anos, convive com atraso severo do desenvolvimento e epilepsia. A 6ª Vara Cível condenou o município a fornecer tratamento vitalício, pagar pensão e indenização de R$ 100 mil por danos morais.
Outras seis famílias relataram à imprensa possíveis falhas no atendimento entre fevereiro e junho deste ano, incluindo o caso de André Jr., de 8 anos, que morreu após receber medicamento ao qual já havia apresentado reação.
Em julho, o vereador Isaac Ricalde (PCdoB) compareceu à 72ª DP (Mutuá) com um grupo de mães para formalizar denúncia contra o PSI e cobrar investigação policial.
“Não são números, são vidas interrompidas. A polícia precisa investigar os prontuários, a escala dos médicos e a estrutura do Darcy Vargas”. Seguimos atrás de respostas para que casos como o da Helena e da Vitória nunca mais se repitam", declarou.
Em agosto de 2025, Isaac denunciou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) a tentativa da Prefeitura de São Gonçalo de terceirizar a gestão do Pronto Socorro Central e do Hospital Infantil Darcy Vargas por meio de um contrato de R$ 116,4 milhões com a organização social Instituto Rosa Branca.
O Tribunal suspendeu liminarmente a transferência da gestão dos hospitais e o repasse de recursos à OS. A decisão destacou que o edital era "potencialmente lesivo ao erário e de alto risco para a continuidade dos serviços essenciais de saúde"
Procurada, a Prefeitura de São Gonçalo informou, em nota ao Daki "que todos os óbitos hospitalares são revisados pela comissão existente em cada hospital. O único caso passível de sindicância, e que está em andamento, é o da paciente Mirella Rodrigues da Silva."
Sobre a morte de Helena, a prefeitura não comentou.
Até o momento, nenhuma investigação foi concluída nem medidas concretas anunciadas. As famílias seguem aguardando respostas.
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