Grupo aciona MPF contra Flávio Bolsonaro por disputa de imóvel de luxo em ilha de Angra
Representação aponta suspeita de advocacia administrativa na transferência de direitos sobre propriedade da União em Angra dos Reis. Jogador Richarlison afirma ter perdido R$ 10 milhões no negócio

O coletivo Derrubando Muros encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) uma representação pedindo investigação sobre a disputa por um imóvel de luxo em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, que envolve o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar.
A iniciativa, revelada pela Folha de S.Paulo neste domingo (18), aponta possíveis indícios de advocacia administrativa na regularização do direito de ocupação do terreno, que pertence à União. Entre os signatários estão os juristas Miguel Reale Jr. e Conrado Hübner Mendes.
A controvérsia começou em 2020, quando Richarlison e seus sócios negociaram a aquisição dos direitos sobre uma mansão na Ilha Comprida. O atacante do Tottenham afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na propriedade.
Segundo o jogador, Flávio Bolsonaro demonstrou interesse em adquirir o imóvel, mas a proposta foi recusada. Posteriormente, uma empresa representada por advogado associado a Willer Tomaz entrou na Justiça reivindicando a posse.
Em vídeo divulgado no sábado (17), Richarlison acusou o senador e o advogado de terem tomado o imóvel "na mão grande" e pediu investigação da Polícia Federal.
A disputa judicial se estendeu por cerca de três anos, passou pelo Tribunal de Justiça do Rio e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O processo foi encerrado em 2025, após desistência de parte dos envolvidos ligados ao jogador. Atualmente, a posse está com a WT Administração de Imóveis, empresa de Willer Tomaz.
A nova representação busca esclarecer principalmente os procedimentos adotados pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). O coletivo questiona a rapidez com que teria ocorrido a regularização dos direitos sobre o imóvel.
Para José Cesar Martins, coordenador do Derrubando Muros, a questão ultrapassa o conflito entre particulares porque envolve patrimônio público federal.
Flávio Bolsonaro nega participação nas negociações. Sua assessoria afirma que o senador não comprou, vendeu ou intermediou o imóvel e que foi apenas indicado como testemunha no processo judicial.
Willer Tomaz também rejeita as acusações. O advogado sustenta que a empresa detentora dos direitos sobre o terreno agiu legalmente e afirma ter desembolsado R$ 5 milhões para regularizar pendências do imóvel. Ele desafia Richarlison a apresentar documentos anteriores a julho de 2022 que comprovem seus direitos sobre a propriedade.
A representação ao MPF acrescenta uma frente de questionamento sobre a atuação de agentes públicos no caso. Até o momento, não há confirmação de abertura de investigação pelo órgão a partir do documento, tampouco comprovação das suspeitas apresentadas contra o senador.
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