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Grupo aciona MPF contra Flávio Bolsonaro por disputa de imóvel de luxo em ilha de Angra

há 1 hora
2 min de leitura

Representação aponta suspeita de advocacia administrativa na transferência de direitos sobre propriedade da União em Angra dos Reis. Jogador Richarlison afirma ter perdido R$ 10 milhões no negócio


Flávio, Richarlison e Willer Tomaz/Foto: reprodução
Flávio, Richarlison e Willer Tomaz/Foto: reprodução


O coletivo Derrubando Muros encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) uma representação pedindo investigação sobre a disputa por um imóvel de luxo em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, que envolve o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar.


A iniciativa, revelada pela Folha de S.Paulo neste domingo (18), aponta possíveis indícios de advocacia administrativa na regularização do direito de ocupação do terreno, que pertence à União. Entre os signatários estão os juristas Miguel Reale Jr. e Conrado Hübner Mendes.


A controvérsia começou em 2020, quando Richarlison e seus sócios negociaram a aquisição dos direitos sobre uma mansão na Ilha Comprida. O atacante do Tottenham afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na propriedade.


Segundo o jogador, Flávio Bolsonaro demonstrou interesse em adquirir o imóvel, mas a proposta foi recusada. Posteriormente, uma empresa representada por advogado associado a Willer Tomaz entrou na Justiça reivindicando a posse.


Em vídeo divulgado no sábado (17), Richarlison acusou o senador e o advogado de terem tomado o imóvel "na mão grande" e pediu investigação da Polícia Federal.


A disputa judicial se estendeu por cerca de três anos, passou pelo Tribunal de Justiça do Rio e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O processo foi encerrado em 2025, após desistência de parte dos envolvidos ligados ao jogador. Atualmente, a posse está com a WT Administração de Imóveis, empresa de Willer Tomaz.


A nova representação busca esclarecer principalmente os procedimentos adotados pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). O coletivo questiona a rapidez com que teria ocorrido a regularização dos direitos sobre o imóvel.


Para José Cesar Martins, coordenador do Derrubando Muros, a questão ultrapassa o conflito entre particulares porque envolve patrimônio público federal.


Flávio Bolsonaro nega participação nas negociações. Sua assessoria afirma que o senador não comprou, vendeu ou intermediou o imóvel e que foi apenas indicado como testemunha no processo judicial.


Willer Tomaz também rejeita as acusações. O advogado sustenta que a empresa detentora dos direitos sobre o terreno agiu legalmente e afirma ter desembolsado R$ 5 milhões para regularizar pendências do imóvel. Ele desafia Richarlison a apresentar documentos anteriores a julho de 2022 que comprovem seus direitos sobre a propriedade.


A representação ao MPF acrescenta uma frente de questionamento sobre a atuação de agentes públicos no caso. Até o momento, não há confirmação de abertura de investigação pelo órgão a partir do documento, tampouco comprovação das suspeitas apresentadas contra o senador.


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