Investigação sobre Flávio e Willer Tomaz chega a Cláudio Castro e Ramagem por negócios da Loterj
PF apura suspeitas de irregularidades em licitação vencida por empresa ligada ao advogado, pagamentos ao ex-diretor da Abin e relações com o governo fluminense

A investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz, seu amigo pessoal, alcançou outros dois integrantes do núcleo político bolsonarista no Rio de Janeiro: o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL).
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta terça-feira (20), a PF examina possíveis irregularidades na contratação de uma empresa ligada a Willer pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), durante o governo Castro, além de pagamentos que teriam Ramagem como beneficiário final. O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Um dos principais pontos da investigação é uma licitação realizada pela Loterj em 2022, quando a autarquia era presidida por Hazenclever Lopes, indicado politicamente pelo PL. A vencedora foi a Pixs Cobrança, posteriormente denominada RioPag, empresa que, segundo os investigadores, teria Willer Tomaz como proprietário de fato.
A concorrência apresenta uma particularidade. A Pixs ofereceu inicialmente repassar 20% de sua remuneração à Loterj. A única concorrente propôs 26%, mas foi desclassificada porque apresentou o percentual com duas casas decimais, enquanto o edital exigia três.
Sem concorrentes, a Pixs negociou diretamente com a autarquia e elevou sua proposta para 26,455%. A PF investiga as circunstâncias da desclassificação e da contratação.
A relação entre Willer e o governo fluminense também está sob exame. Segundo a Polícia Federal, mensagens e registros de viagens encontrados nos arquivos do advogado indicam proximidade pessoal com Cláudio Castro. Os investigadores apontam ainda vínculos profissionais anteriores entre Willer e Hazenclever, responsável pela Loterj à época da licitação.
O negócio movimentou cifras expressivas. Conforme levantamento publicado pelo UOL em setembro, a RioPag acumulou R$ 187,8 milhões em receitas entre junho de 2023 e agosto de 2026, pela intermediação de pagamentos de apostas autorizadas pela Loterj. No mesmo período, a autarquia recebeu R$ 45,2 milhões. Esses valores representam receitas da operação, não lucro líquido.
A PF também identificou três pagamentos de R$ 90 mil, totalizando R$ 270 mil, à empresa Torre Comunicação Estratégica. Os investigadores suspeitam que o beneficiário final tenha sido Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Jair Bolsonaro.
A empresa confirma os pagamentos, mas afirma que prestou serviços de assessoria de imprensa, planejamento estratégico e treinamento para entrevistas durante três meses, quando Ramagem era pré-candidato à Prefeitura do Rio. Segundo a Torre, os serviços foram contratados pelo escritório de Willer Tomaz e Eugênio Aragão, com emissão regular de notas fiscais.
A investigação também examina a relação financeira entre Flávio Bolsonaro e Willer. Conforme revelações anteriores, a PF identificou registros que apontam acesso operacional do senador a uma conta bancária da offshore Alcazar Holdings, ligada ao advogado, utilizada para custear viagens à Europa em 2025. Os dois negam irregularidades e afirmam manter uma relação de amizade.
Cláudio Castro declarou que desconhecia qualquer vínculo de Willer com a Pixs/RioPag no momento da contratação. Afirmou ainda que não participou da licitação nem das negociações com a empresa, ressaltando que a Loterj possui administração própria.
Willer Tomaz informou que ainda não teve acesso ao inquérito e que sua defesa solicitou os autos para prestar esclarecimentos. O advogado sustenta que suas atividades empresariais são lícitas e declaradas às autoridades fiscais.
A ampliação da investigação coloca sob exame a relação entre contratos públicos, empresas de apostas e integrantes do grupo político que comandou o governo do Rio. A PF ainda apura se os vínculos pessoais e as movimentações financeiras identificadas correspondem a negócios regulares ou foram utilizados para práticas ilícitas.
Até o momento, as suspeitas não representam comprovação de crimes por parte dos envolvidos.
Entre no nosso grupo de WhatsApp AQUI.
Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua.







































































Comentários