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Lula aceita exigências para abrir sigilos, mas Flávio impõe nova condição e adia entrega dos dados

há 3 horas
2 min de leitura

Campanha do candidato do PL quer examinar documentos do presidente antes de liberar informações; disputa envolve familiares, empresas e relações com investigados


Flávio/Foto: reprodução
Flávio/Foto: reprodução


A disputa pela abertura dos sigilos bancários, fiscais e telefônicos de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira (22). Depois de o presidente aceitar as exigências apresentadas pelo adversário, a campanha de Flávio passou a condicionar a entrega de seus dados à conferência prévia da documentação de Lula.


A nova condição foi informada pela advogada Maria Cláudia Bucchianeri, representante da campanha do candidato do PL. Segundo ela, a abertura dos sigilos de Flávio ocorrerá depois que a equipe verificar se o presidente cumpriu integralmente as exigências. A tarefa foi atribuída ao senador eleito Deltan Dallagnol.


O impasse começou no debate da Band, no último domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos dos dois candidatos e de seus familiares.


Na terça-feira (20), o presidente protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para divulgação de oito anos de informações bancárias, fiscais e telefônicas, condicionada à reciprocidade.


Flávio respondeu exigindo a inclusão do Instituto Lula, de assessores do presidente e de despesas da primeira-dama Janja. Após a campanha petista aceitar as condições, o candidato do PL ampliou a lista, incluindo familiares, empresas e informações sobre contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro.


Na quinta-feira, surgiu a nova exigência: antes de apresentar seus próprios documentos, a equipe de Flávio quer examinar os dados fornecidos pelo adversário.


Empresas e relações sob investigação


A disputa também alcançou as relações empresariais dos candidatos.


A campanha de Lula questiona a ausência da Alcazar Holdings entre as empresas relacionadas a Flávio. O questionamento ocorre em meio às investigações sobre o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato do PL, cujo nome aparece em inquéritos da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras envolvendo empresas de apostas.


A inclusão da Alcazar Holdings na controvérsia não significa, por si só, que a empresa tenha cometido irregularidades ou que o candidato seja responsável pelas operações investigadas.


Sigilos continuam fechados


Apesar das manifestações públicas e dos documentos apresentados pelas campanhas, ainda não há confirmação de divulgação efetiva e integral dos dados dos dois candidatos.


A autorização individual também não permite acesso automático às informações protegidas de familiares, assessores e empresários. A abertura de sigilos de terceiros exige consentimento dos titulares ou fundamento legal e decisão da autoridade competente.


O novo impasse ocorre às vésperas do último debate presidencial, marcado para sexta-feira (23), na TV Globo. Até agora, a disputa produziu uma sucessão de exigências, respostas e condições, mas não a transparência documental anunciada pelos candidatos.


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