Mães solo celebram fim da escala 6x1: 'Estava vendo a vida dos meus filhos passar'
Senado aprovou por 75 a 1 o fim da jornada 6x1 e a redução da carga máxima de 44 para 40 horas semanais. Escala era realidade de 14,8 milhões de trabalhadores no Brasil

A operadora de caixa Luciana de Almeida, 36 anos, acorda às 5h para organizar a rotina das duas filhas caçulas, de 4 anos e 1 ano e 8 meses. Deixa as crianças na escola em Realengo, no Rio de Janeiro, e embarca em uma hora e meia de transporte público até o supermercado onde trabalha, em Campo Grande. Sai às 17h50 e chega em casa perto das 20h, quando libera o filho mais velho, de 15 anos, do cuidado com as irmãs.
"Estou com o corpo e, principalmente, com a mente muito cansados", diz Luciana, que trabalha na escala 6x1 desde os 18 anos.
"No dia depois da folga, eu continuo trabalhando cansada." Ela conta que não conseguia ir às festas de Dia das Mães ou às festas juninas dos filhos.
"Estou vendo a vida dos meus filhos passar."
Na quarta-feira (14), o Senado aprovou por 75 a 1 o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. Segundo o Ministério do Trabalho, a escala era a realidade de 14,8 milhões de trabalhadores no fim de 2025 — pouco mais de um terço da mão de obra formal.
A implementação ocorrerá em duas fases: 60 dias após a promulgação, a escala 6x1 termina e a jornada cai para 42 horas; após 14 meses, chega a 40 horas.
Em São Paulo, a gerente comercial Fabiane da Conceição, 50 anos, também comemorou. Foram 20 anos com apenas uma folga semanal. Criou dois filhos sozinha e diz que perdeu momentos importantes da criação.
"Não os vi aprender a andar, não os levei ao primeiro dia da escola", conta, emocionada. "Eu não posso me arrepender porque era o que dava nosso sustento, mas não deixo de sentir a dor."
Via Folha de S. Paulo.
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